10 maio 2011

Joseph Hart Vaudeville - 8


... chove, ainda. Pero, nesse meio tempo...



Capítulo XI


A MERDA

ou

O FIM DO PRINCÍPIO


Ó, abre-alas... antes de mais nada, Maria Amélia, antes dos bufos no posto chegarem, ha ha ha...

Bora ver aí qué que hai na porta do banheiro masculino? Bombas de gasolina, tremei. Chorai, falasfalto cheio de brita, chorai na minha.


ESTE

É UM RETRATO FIEL

DA PORTA DE BANHEIRO QUE ALGUNS

DOS HISTRIÕES

DO VAUDEVILLE ENCONTRARÃO, EM SUA FRENTE,

NA TERÇA-FEIRA, DIA 24

DE MAIO:



Bora na fé, ordinária.


NO.BEICO.DO.CHARUTO.NA.LATRINA

BARREADA

TODA.VAIDADE.SE.ACABA


A.VELHA.FOGE.DA.GRUTA.O.COVARDE.

SE.ESFORCA

FAZ.MERDA.O.GALA.CHEIROSO

E.O.MAIS.VALENTE.SE.CAGA



Charles Anjo 45


JÔ SOARES DA GLOBO DÁ O CU E CHUPA PIROCA.

Caguei-te

ó verso sujismundo

vi boiarem na louça turva teus pronomes pessoais

do caso reto.


Cagar até o cu fazer bico pode não ser uma boa chave para um soneto, mas que poderei fazer, se foi assim, obstipado, que fiz de um toroço formidável este oloroso revertério?


QUEM MATOU MARIA HELENA? marque com um “x”:



Psiu... cala a boca, mulher. Cala a boca. Antes de toda apnéia vêm um ponto e vírgula, mas o papel higiênico suspira dobrado enquanto o enredo desse folhetim de merda não vem sentar-se... à mesa. [ .............................. 31pt. ] rá, te peguei, Maria Amélia!

Nevertheless.




07 maio 2011

MERA COINCIDÊNCIA

Mera Coincidência, ou Wag the dog no original, é um filme do diretor Barry Levinson, com a participação de Dustin Hoffman e Robert DeNiro. Na história, o presidente americano às vésperas de eleição se vê frente a um escândalo de abuso sexual na Casa Branca, e sua equipe contrata um produtor de Hollywood para forjar uma guerra no leste europeu para distânciar a atenção do público. O povo não precisa da verdade, só de um espetáculo apropriado. Dado um vilão, e algumas cenas dramáticas na tv, todas filmadas em estúdio, o povo obediente acredita. Mais algumas cenas dramáticas, mortes falsificadas, bombas atômicas que nunca existiram, declara-se a vitória, o presidente vira um herói. O herói salvou-os da guerra, daquele povo estranho que queria destruir seu modo de viva, a guerra que os fez esquecer de uma crise econômica também falsificada, na verdade só uma lavagem de dinheiro para os mais ricos - o grupo que contratou o herói em primeiro lugar.

A verdade pode ser simples mas não é bonita, as pessoas preferem ver o mundo em preto e branco que qualquer outra coisa, e aqueles que querem controlar a maioria sabem que falar a verdade é deixar o povo confuso e contrariado, é preferível uma narrativa com heróis e vilões facilmente identificáveis. Assim, se há um problema, todos podem odiar um personagem ficcional que só foi criado para ser odiado e fazer todos esquecerem de todo resto. Se há necessidade de um herói, mata-se o vilão, tarefa fácil já que ele nunca existiu, só é necessário um pronunciamento público e quem sabe alguns vídeos de um ator de perfil fazendo o que era esperado do vilão. Quem sabe, também se coloque uma coca-cola lá, para mostrar como o vilão se contradizia nos seus próprios princípios. E lá vai o povo idiota na rua comemorando a morte de alguém que nunca existiu, vendendo camisetas que marcam ainda mais a sua estupidez. Não sabem eles que a morte de um vilão é o anúncio que logo um outro será criado para tomar o seu lugar na fantasia.


03 maio 2011

DESERTOR NO DESERTO - PARTES I e II




Marco Antônio de Araújo Bueno recomenda a leitura do seguinte texto:


Título: "Desertor no Deserto" (inspirado no filme "Paradise Now", de Any Abu-Assad-2005")
Autor: Marco Antônio de Araújo Bueno

[Comentários de Marco Antônio de Araújo Bueno:
Para a minha Coluna - BREVIDADES - de 03/Maio/ 2011 - Microconto de dez palavras dividido em duas partes. Cabe ao leitor, diante das circunstâncias históricas recentes, planejar seu próprio modo de recepção da peça. Para tal, deve programar o distanciamento ideal entre as leituras das respectivas partes (I e II) do microconto e não se deixar iludir, seja pela extensão, seja pelo teor da matéria narrada. Conjecturas avizinhadas são oportunas. ]





01 maio 2011

PAULA E O PORTA UÍSQUE

Por: Bia Pupin

Paula tinha sempre em sua bolsa um porta uísque, para os dias difíceis. Pensava sobre seu dia, fumando seu último cigarro no ponto de ônibus.
Ela havia deixado seu turno (05h40min) e os caminhões, carros e transeuntes sonolentos não ocupavam sua atenção, estava longe.
Paula a enfermeira, loira, alta e de olhos claros, acima de qualquer suspeita, a não ser a de que foi amante do chefe da cardiologia.
Os maldizeres eram de que os almoços financiados pelo doutor tinham a única intenção de que ele pudesse se servir das partes baixas da bela enfermeira.
O fato é que Paula sabia muito bem se defender e usurpar caprichosamente seus amantes, ninguém sabe do apartamento, ela ri dos boatos à toa.
A garrafinha de uísque saiu mais uma vez da bolsa, nenhuma gota.
-Não podemos levar tudo a seco- sussurrava ironicamente.
Tragou pela última vez seu cigarro.
Tomada de culpa, ou confusão, tremia, (05h53min) no ponto de ônibus o mundo dava seus primeiros sinais de truculência, talvez, efeito da falta de sono e dias comendo besteiras.
(Queria saber como o maldito garoto entrou lá.)
O mundo nunca deixou de ser incisivo para Paula o pior, o feio, o resto, o que ainda está em estado bruto lhe pertencia.
Não estava assustada, estava imersa em sua experiência. Nenhuma esperança de sentido, apenas a lembrança do fortuito ocorrido.
O garoto parecia grunhir em cima da morta, algo próximo do choro, expressão de quem não entende e não aceita.
Terminava de desacralizar o corpo, já gasto e usurpado. Pelos olhos do rebento lágrimas escorriam de profundo prazer. Gozou três vezes. Esperava qualquer coisa e nada...
O vinho e saliva foram seus únicos lubrificantes. O gosto amargo, Paula tentava imaginar, muda, a espreita, desejante.
Quando tudo terminou o garoto ficou estirado ao lado do frio cadáver.
(Paula se aproxima.)
O garoto parece imerso em algum lugar vazio, ela o beija e ele em surto acredita que deu vida a morta- muito vinho.
Paula lhe oferece uísque, bebem tudo.
Tomada de prazer observa o garoto sair cambaleante (23h13min).
Paula retoma seu turno (00h01min).

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