08 setembro 2011

7 DE 7EMBRO



(Dedicado a uma pseudo - pátria)

Minha terra tem asneiras;
Jegues, trouxas, parvos, mulas,
Bicho gente, gente forte,
Que sequer sabe o que é bula!

Minha terra tem maneiras;
Aviões, portos e mares,
Muitos fortes vão embora,
Respirar por outros ares.

Minha terra tem peneiras;
Não passamos entre os fios,
Alguns passam livremente,
Este é o nosso desafio!

07 setembro 2011

CORRA, FORREST GUMP !

Corra, Forrest Gump!




Fundos da escola, a bolinha é de papelão e as bases são de lata de alumínio. A correria levanta poeira.
Na calçada fria está sentado o menino, que aplaude e ri vendo seus amiguinhos jogarem bete-ombro com as muletas dele.


06 setembro 2011

VOVÓ ZUMBI

Vovó Zumbi

Por Luana Maccain*

(interinamente à coluna FOLHETHIN - Vitor Queiroz)


Era hora de dormir. Eu e meus irmãos tivemos um dia muuuuuito agitado. Primeiro, vovó levou a gente no parque de diversões. Depois, no cinema. Assistimos Um dia com a vovó zumbi. Por mais que o titulo fosse aaaaaaaassustador, o filme era de aventura.

- Meus amores, já está na hora de dormir.

- Vovó, a gente vai embora amanhã... não queria... foi legal passar as férias aqui – disse meu irmão do meio, com aquela vozinha de sempre.

- Eu também – os olhos da minha irmãzinha se encheram de lágrimas.

Revirei os olhos.

- Vovó, antes de dormir, eu posso comer aquele bolo de nozes que cê fez hoje de manhã?

Ela fez uma cara pensativa. Segundos depois, falou com aquela calmaria de sempre:

- Hmmm não, não pode. Você acabou de escovar os dentes.

- Mas...

- Na na ni na não.

- Vovó, quero água – disse meu irmão do meio.

- E eu tô com sede – falou minha irmãzinha.

- Venham. Eu levo vocês.

E eles foram. Só eu fiquei no quarto.

Dez minutos depois.

E a casa estava um puro silêncio. Senti uma intensa vontade de descer na cozinha e ver o que os três estavam fazendo. Era sempre assim: vovó realizava os desejos daquelas malinhas e eu sempre ficava de fora.

Fui pra cozinha, quietinho da silva. Eu queria pegar eles de surpresa. Um passo. Dois passos. Três... e na porta da cozinha estava minha irmãzinha de cócoras e cabeça baixa. Eu cutuquei ela e nenhuma resposta. Peguei ela pelos cabelos e enoooooooooooooorme foi o meu susto, eu vi ela sem os olhos e a sua língua caiu nos meus pés.

Dei um pulo pra trás. Eu queria chorar, mas não conseguia. Virei pra cozinha e meu irmão estava diante da pia comendo o bolo de nozes, mas atrás dele estava a vovó, com uns dentes-monstros, super afiados, pronto pra abocanhar a cabeça dele.


05 setembro 2011

TPM - ESPECIAL DE CURITIBA

FOTO - Por Pamela Catarina Tomiatti

Hoje, cinco de Setembro, em Curitiba e ciceroneado por Álvaro Posselti e Isabel Furini (respectivamente - colunista e ex-colunista do De Chaleira) e, ao encontro do amigo do blogue Homero Gomes (todos curitibanos) para tratativas ao "FRAGMENTÁLIA - Festival Nacional de Microcontos - agradeço a lúdica acolhida com...um micro de dez palavras:


TPM

'Tá pá me vim; vai que me vem - já era!'




04 setembro 2011

Crucifixo

Por Felipe Modenese

Torturando entre o desejo e o amor, Ademir perambula em sua jaula de carne e osso, escravo de seus impulsos de bondade e refém de sua bestialidade. Nada parece límpido e tudo exige sangue, sendo cada passo merecedor de padecimento.

Ademir raspa a aspereza do concreto em acordes sem sabor, tendo no ombro dependurada sua pasta detentora de conhecimento. O acumulado de megabits enverniza o ego e exorciza qualquer chance de sentir-se só. Ele caminha pelas pústulas do dia e deglute pulsos de prazer sensorial em megahertz. Fala do alto de seu crucifixo em forma de pele e vísceras.

No pulso esquerdo, como cravo, está o tempo, e no direito, a pulseira amarela de solidariedade com as crianças do Sudão. Na cabeça, o penteado disforme espeta sua singularidade fazendo gotejar pelo ralo o sumo cítrico de sua essência. Entra no elevador e sobe ao décimo andar.

Ao lado direito fica o escritório contábil e, do outro, sua massagista erótica predileta. Ele sai do elevador e, esquartejado, ajoelha-se pedindo clemência à sua carne e ao seu espírito. Abre os braços e mergulha no abismo entre seu amor e o desejo.


03 setembro 2011

TESTANDO


É só isso?E esses linques* todos que estou preparando para minha estréia - quê que eu faço?



* Serão podcasts breves da palestra do escritor Paulo Venturelli no Teatro Paiol, aqui, em Curitiba, no mesmo dia em que fui convidado pelo Marco a assumir a coluna TOMITEC; eu
escolhi umas fotos também, da ex-Chaleira Isabel Furini (que me presenteou com um livro - legal, professora!), do Marco conversando com o escritor Homero Gomes ( Sandrinni também) e do Álvaro Posselt, ao lado de quem me sentei no Bistrô e que foi muito bacana comigo. Eu me comprometo a rechear minha coluna com informação+conhecimento ligado às novas tecnologias (e-books, lançamentos, tabletes já beneficiados com impostos baixinhos;(vou cobrar!) e - sempre - tendo a Literatura como pano de fundo. Escreverei quinzenalmente aos Domingos, revezando com o Felipe Modenese. Hoje é tipo uma palhinha do que está NA PONTA DA AGULHA, para quem acha que sou um nerd infanto-juvenil.


02 setembro 2011

BORALÁ



Vamos abstrair, sem trair a gente.
Vamos abrir o mar de Moisés com os pés sujos sobre a água.
Lavar a cara com mentiras deslavadas até enferrujar corrente.
Nadar contra nada, só a favor dessa cantiga, em 'la-ra-la-rás'.
Deixar a vida levar para onde der, vier e doer na vista.
Vamos contrair o vírus da indecência e descontrair o sexo.
Amplexos ao luar são tão cheios de risco...

A tudo de insolúvel e solarável, proponho um brinde!

Corre, corre, vem me buscar dentro do nascente.
Arrebatar-me em estrada sem fim, para qualquer jardim mais oportuno.
Importunar o futuro, nós que vamos em frente.
Vamos a mim, vamos àquela que sente, e demais.
Vamos bancar o doido do mais louco dos ancestrais.
Sem temor, medir o universo com um dedo mínimo.
Dar bolo no mundo, mordendo a Via Láctea inteira.
Ao falar fosforescências, cuspir estrelas de farinha.
Acordarmos em sono profundo feito alcoviteiras do passado.
Mover moínhos, para não remoer o tempo todo.
Remover da fé o lodo que insiste em habitar montanhas.
Sermos o que se é, sem certo, nem ter errado.
Tecer arte e manhas um bocado...

Vem?

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