06 outubro 2011

ENTREGA DOS PONTOS


Por Marcelo Finholdt


Em Minas Gerais nem tudo que rola é queijo.
Brinco com fogo quando bebo vinho,
no braseiro dos charutos cubanos.

Devagar é que não se vai longe,
divago enquanto bebo, fumo e versejo
sobre a morte.

O dia chegará: estas companhias,
pouco a pouco levarão-me.

É de gole em gole, trago a trago
que sublimo.

Entrego-me aos braços do vento
num sobrevoo atmosférico:
(Quer seja noite, quer seja dia;
dia e noite, noite e dia.)

05 outubro 2011

ISABEL FURINI JUSTIFICA DESLIGAMENTO DELA

JUSTIFICATIVA
Assim como Marco Antônio de Araújo Bueno saiu do blog O Bule eu solicito minha saída do blog coletivo De Chaleira, simplesmente porque pessoas diferentes tem enfoques diferentes. Por isso, solicito deletar a minha foto e retirar os textos (que serão postados em meu blog pessoal). Mas agradeço a oportunidade de participar desse trabalho coletivo.

Isabel Furini

Pelo De Chaleira : Solicitação aceita e providências concernentes,

SEXO DOS ANJOS

Por Álvaro Posselt


Em um passeio pelos jardins do paraíso, encontrei um ser angelical.

Loira, olhos azuis e cabelos cacheados, coxas à mostra, o decote insinuava seios fartos.

Não consegui me conter, investi com um clichê de galanteador:

- Sabe, sempre quis saber qual é o sexo dos anjos...

Receptiva, balançou as asas e mostrou-se disposta a esclarecer minha dúvida.

Levantou a saia curta, não usava nada por baixo, desvendando-se aos poucos o mistério, eis que surge um penduricalho.


03 outubro 2011

FILOSOFIA DO COLETIVO DE CHALEIRA

Arriscamos supor: Quem nos visita, além de nós e nossas egóicas extensões, seja também autor; um olho nos textos, outro na carpintaria voltada à blogosfera literária.

Pois bem, escrevemos para o seu insuspeitável terceiro olho. Pouco ocidental, nada acidental. Arriscamos entretecer nossas reputações, nossos inéditos; nossas ilusões estéticas. Sobretudo – arriscamos.

Partimos de uma base consolidada em experiências de produção literária (rodas de leitura, oficinas, curadorias articuladas) que cravou vínculos fortes entre escritores, artistas plásticos, fotógrafos e ferventamos uma matriz de publicação; nada acidental!

Eis aqui a Chaleira virtual, em suporte já testado e querendo vapores de tinta, produzindo peças inspiradas pela aura advinda de nossa matriz comum. Voltada à sua leitura, escritor hipócrita, - nosso semelhante, - nosso irmão.

Por Marco A.de Araújo Bueno

02 outubro 2011

A CABINE TELEFÔNICA - PARTE I

A Cabine Telefônica (Parte I)

Por Luana Maccain


No verão, eu e Cibele fomos acampar nas montanhas. Tudo corria bem até ela se lembrar, no meio da viagem, que o Toddy (o seu poodle de estimação que me irrita só de ter ele entre minhas pernas) precisava tomar remédio.

- Eu preciso avisar à velha o horário de dar...
- Ai, ai ,ai, Ci-be-le!

Enquanto Cibele verificava o sinal do celular, a cerração dançava pela estrada. A noite por si só me fazia lembrar do dia de Finados. Por que esse feriado? Pela morbidez da estrada. Eu, ao volante, e minha amiga, no banco do carona.

- Pare o carro! - gritou Cibele de súbito.

O carro sofreu um solavanco violento até parar totalmente.

- Olhe ali!
- Uma cabine telefônica?
- Vamos tentar uma ligação.
- Ei! - eu disse, interrompendo sua tentativa de sair do carro. - Não acha que é perigoso ficarmos paradas no meio da estrada?
- Vai ser rapidinho. Não demoro. Me espere aqui, sua boba - ela saiu, cheia de si.

Cinco minutos depois, comecei a sentir falta da minha amiga.

01 outubro 2011

O PONTO FINAL


Quanto mais eu acreditava estar o amor no ponto de cozimento, mais ele desandava. Eu, aprendiz de mestre cuca, deixava em banho-maria este alimento, sem percebê-lo já meio estragado, coalhando com o mínimo de fervor. Eu que tentei mantê-lo firme na doçura e bem encorpado, acrescentando o tempero da paixão, não atentei para a sua textura. A cada nova prova, uma inconsistência maior se revelava. Mesmo o gosto que era, por vezes, suave-feliz, passou a oscilar entre o ácido-cínico e o amargo-desencanto, causando má digestão aos fiéis degustadores. Cada qual com o seu paladar e a sua saliva, seguiram se beijando, porém sem a mesma fome de antes. Chupavam dedos, devoravam os próprios egos. O fogo, de tão alto, fez-se brando. Vira-e-mexe, quando a chama voltava, banqueteavam-se de novo, mas a menor brisa bastava para que se apagasse o gozo. Findado o tempo de cozimento, quebraram-se pratos, perdeu-se o sabor. 
É que o amor já havia passado do ponto.

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