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29 maio 2011

A DAMA AZUL

A DAMA AZUL

Por
Talita Oliveira


Dama Azul
reze uma prece
um Pai Nosso distante
uma Ave Maria cansada

Aqui sua sombra se esquece
e na lembrança, permanece.

17 abril 2011

TRADUÇÃO DE UM DICKINSON


ela varre com coloridas vassouras
e deixa os fiapos para trás
oh, dona de casa do ocaso
volta logo e espana tu a lagoa.

derrubaste a lã púrpura
o fio de âmbar derramaste
agora vejas, alastra-te por todo o leste
com essas esmeraldas impuras!

ainda a espalhar com sua manchada vassoura
ainda com avental esvoaçante
até que o fiapo se esvaia para as estrelas
e eu me vou e não volto mais...



27 fevereiro 2011

CONVERSAÇÕES COM CAEIRO - I

Por Talita Oliveira

pensei em ti
e isto
já seria o contrário do que vives.

sou uma bacante lassa
corroída pelas correntes da vida.

Rute jazia aqui tão cansada
emparedada pela serpente
dos abismos resgatada e ancestral.

palavra sentida, plena do pó que pisaste
por pés que desmereceram o caminho andado.

pedra de sal
a cidade que deixei depois de ti
nos olhos do passado que contemplam-te indo
longe da memória
da cidade que deixei.
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