Mostrando postagens com marcador CINECÍNICO - Por Douglas Toledo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CINECÍNICO - Por Douglas Toledo. Mostrar todas as postagens

27 março 2010

EXERCÍCIO EXOBLOG


Pausa pro café da realidade;

Enquanto nardoneamos mais uma vez, como se o mundo fosse – novamente – plano e retangular, fica o sonho de ver a mesma história de sempre em mais um filme sem graça. Quem sabe não adaptamos a vida de Isabela da tela pra telona?
                Ou vamos pra Paulínia rodar à vida de Xavier, psicografando o desvio de verba da produção e sendo calado por uma equipe de direção de primeira linha! No meio mais assaz de reprodução cognitiva, a linguagem do além fica muda.
                Sétima arte se refaz e desfaz ao procurar nos túmulos o melhor para se mostrar. Vem aí de novo Robin Hood (porque hoje só os ricos assaltam), Alice em algum país (manda ela pro Haiti para ver que maravilha), a tempestade de Shakespeare – antes onírica hoje interpretada ipsis litteris pelas condições ambientais do planeta, entre outras tantas crises de criatividade constante.
                Chega de “a tempestade”, precisamos de mais brainstormings. Que me perdoem os literatos. Aproveitando a oportunidade: Chico? Manda uma idéia pra gente? (...)

13 março 2010

GUERRA AO TERROR

Da série “Gênero por Ofício” e/ou “Ossos do Gênero”

Quem dera tivéssemos todos a preciosa visão de Kathryn Bigelow para deduzir os sutis meandros que fazem de um front de guerra um nicho, um habitat que como qualquer outro – e por pior que seja – tem suas cores e sua pulsação.
                Guerra é só que o que há. Para muitos é o amor a punção mais motriz disso que se denomina evolução. Segundo alguns é fome. Fome de viver, fome de bola, fome de sexo. Ou a busca por conhecimento, as revoluções técnicas – científicas, políticas – e assim o domínio do saber. Mas dentre tantos fatos sociais o que move de fato, o amor, a fome, o espaço, o intelecto e a humanidade, assim considerada, é a disputa pelos mesmos. É a guerra.
                Foi ela, essa mulher da história de hoje, que nos concede tal aporia. Por intermédio de sua narração vimos que, obstante a problemática estadunidense, essa vida que se desenha nos flandres, nos desertos, nos horizontes das cidades, nas colinas, e todos os demais palcos dos embates, é a realidade íntima de todos nós. Para ela, os louros e méritos de sua guerra: seu sexo a impedia de atingir o ápice. Sua luta e seu esforço derrubaram mais um muro que lentamente se estilhaça.
                A nós, sem arrolar as tantas guerras que o nós tenha enfrentado, no front temos hoje uma velha triste novidade: o que é essa guerra descabida que adentra nossos lares e nos tira tudo? Que realidade é essa brasileira, mundial, desses casos tantos, dessas mortes todas? A dúvida crucial é hoje mais que desgaste, desuso. Esse crime causa mais fadiga que revolta. Ainda sonhamos em solução? Qual é o resultado dessa matemática?
                Mas não importa o número de vidas que se vão, como a de Glauco, sempre é guerra. E não é preciso mais que uma para perceber que há algo de tão errado nisso tudo. Tanto que muitos vêem com normalidade. Será que Durkheim estava certo? Esse crime é necessário? E Dostóievski também, esperamos: todo crime tem castigo.
                O grande problema, o clímax da história, é quando guerra vira rotina. E ela é a maior castigada. Entre mortos e feridos, estamos todos nós nessas categorias, só. Existem vitórias, existe amor, existe fome e existe intelecto. Barreiras transpostas e um ideário que caminha a amplitude, mais que ontem menos que amanhã. Evolução? Enquanto houver tais elementos, ainda haverá guerra.

“Erra, quem sonha com a paz, mas sem a guerra. O Sol existe, pois existe a Terra. Assim, também, nessa vida real, não há o bem sem o mal. Nem há amor sem que uma hora o ódio venha. Bendito ódio, o ódio que mantenha a intensidade do amor...” (Pedro Luís/Carlos Rennó)

27 fevereiro 2010

BRAVURA INDÔMITA

...da série "Gênero por Ofício"

Muitos não vêem a semelhança, mas qualquer ambiente comercial que assim se preze tem ares de faroeste. Seja uma pessoa parada num recanto qualquer olhando por sobre a sobrancelha com ares de argumentação, prevendo um crime a mais, uma mosca que zumbi contra o vento, poses de figurantes que adentram turrões o estabelecimento como quem procura briga. Talvez seja a necessidade ressentida e bem escondida de viver um bang-bang. Ou se a descrição lhe remeteu mais a uma cena atual da crise econômica, o faroeste nunca esteve tão pulsante.
Sob essa mise-en-scène padece o atendente, que tem por função aguardar o acerto de contas da vida como o balconista que, lustrando a prata e conferindo o troco, escondia as peças valiosas de uma iminente luta. Nesse corpo-a-corpo com o destino, nem se sabe direito se é melhor ficar largado às moscas ou se se espera do próximo intruso qualquer bravura pro estopim da discussão, animando assim o ambiente.
Na falta do musicista ao cravo, dedilhando um tema e as moças de fartos decotes ensaiando rubras um can can fora de moda, ficamos na espera, olhando ao longe, o horizonte cheio de possibilidades cinematográficas e o forasteiro que, na falta de melhor coisa, brada logo:
- Chegou alguma coisa nova, hein?
Prostrado rente e justo ao que se chama assim, quase sem notar, parede de lançamentos, o consumidor ávido por novidade – assim como nosso amigo balconista – procura o contentamento efêmero de sua ausência de sentido pra rotina, nas entrelinhas de um filme acéfalo. Um, o visitante, espera ali encontrar razão na sua falta de; o dois, o sisudo por detrás do balcão almeja uma guerra para encerrar de vez com seu tédio latente. Ambos, cada um à sua singela maneira, querem, por sobra ou falta ou nada, briga.
São nas palavras tensas e a presença da sobrancelha arqueada que se deduz o embate.
- Você já viu esse? – Já. – E esse? – Já. – E esse aqui? – Já, também. – E esse? – Ahan.
- Porra! Mas você já viu tudo? (pensa mudo e resignado, o mero indicador).
No calor da luta, o atendente duro na queda permanece na insistência dos títulos até encontrar o pior, aquele que ninguém assistiu (muito menos ele) – Esse é ótimo. A luta cessa caso, por ventura, o limbo dos filmes desprezíveis permitir, a não ser que, pego do salto, o desprezível for seu rival que até aquela película mal formulada já passeou no seu player.
No final das contas, no momento que a porta bate e a respiração volta ao normal, nenhum dos dois foi agraciado com os louros de vencedor. O embate agrada a ambos, um ficou mais teimoso, o outro mais burro. Quanto a isso, não se pode fazer nada. É a moral, pelo bem ou pelo mal, de qualquer faroeste.

13 fevereiro 2010

BERLINDA BERLINALE


Sinto-me, por hora, em Berlim, inaugurando assim um festival todo condecorado às graças da sétima arte. Que honra poder chegar neste momento correlato a um dos eventos mais importantes do cinema mundial. Sabe quantos países são necessários para se fazer um filme? Depende do ângulo: sua produção depende de uns três, não espere que seu país por mais regulamentado que seja tenha edital tamanho para cobrir os gastos excessivos de um filme minimamente agradável. Da exibição? Todos os países do mundo, caso caiba. Do ponto dos festivais, atualmente, todos também! E o pior: países que possuem mais de um festival! No corre-corre de um sonho (assim pensa os que ainda não trabalham com o que gosta). No panorama atual? Seu filme tem produção de Paulínia (?), abre o festival de Omaha (??) e, talvez, seja exibido no Topázio (...!).

Minha elucubração cine-narrativa, vem assim, perdida, pois o que é um festival de cinema, senão um exercício coletivo como o nosso? “- Olha! Meu filme, que bem produzido! Abriu Cannes! Acredita?”, pensa uma das peças da sub-coleção de diretores famosos. No balaio, queridos cineastas subversivos anexados à parte a super-produção do esquadrão norte-americano. Listam-se: iranianos, franceses, italianos, alemães, belgas, suecos e etc. Indianos? Não. Já me basta o cão de favela milionário. Índia que é Índia me ganha nos musicais. Bollywood é o espírito, não um neo-noir financiado pela Inglaterra. Viu, como tudo se encaixa? Digo, todos os países se reverenciam na hora de filmar?

Parece uma crítica – talvez. Filmes com raízes originais são poucos. Mas cabe aqui, pelo lado bom da coisa, uma analogia. Somos (neste recôncavo virtual, que ainda ensaia uma mídia) cada um a seu cada qual, um país. Temos por convicção vícios que muitas vezes advém dos nossos produtores (encaixe aqui as figuras que te marcaram a educação). Não somos e nem seremos sós. Precisamos dos países demais para fixar uma iniciativa, uma idéia, uma região, para pôr em prática a distribuição de nosso “filmo-pensar”.

Aqui nos confluímos, nos discordamos – sem acento, o Word que me perdoe – nos reagrupamos, nos redescobrimos.

Quantos ‘países’ são necessários para começar um blogue (com e no final, modo tucanês)? Faz as contas, vá...

(“mas você não ia falar de filme? – Deixa eu escolher meu país de origem primeiro...”)

Related Posts with Thumbnails