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15 agosto 2013

BACANTES, BACO E AS BACANAIS






por Marcelo Finholdt


Era o Éter da vela estendida entre os céus
Que explicava o porquê desta bela folia:
Entre as velas de cor, entre os vinhos gemia
E sentia prazer sem sequer ver-se em véus!

Ela estava sedenta e pedia mais mel,
Hora não existia: era noite e era dia
Era dia e era noite ela sempre insistia
E deus Baco espiou, entregou o anel.

Era a Ninfa fogosa e evitava falar
Dos aromas sutis, da paleta de cores.
Era azul, era verde e era o céu todo o mar.

Essas flores, sabor; esse odor com olores
Excitava e instigava o total paladar
E esses polens no mel fecundavam mais flores.


  



18 julho 2013

VIVEU O SONHO ALHEIO




Por Marcelo Finholdt
Sim! Sonhava com seus sonhos:
Era um sonho dentro de outro,
Mal sabia se existia;
Não sentia, nem sabia.

Em seus sonhos navegava,
Era sonho sobre sonho:
Mal sabia se existia;
Não sentia, nem sabia.

Pensou tanto sobre a vida
Que acordou perante a morte:
Mal sabia se existia;
Não sentia, nem sabia.

Logo a foice deu partida
Foi-se assim, pensou sem sorte:
Mal sabia se existia;
Não sentia, nem sabia.

Sim! Vivia o sonho alheio,
O irreal causou-lhe a morte:
Mal sabia se existia;
Não sentia, nem sabia.

04 julho 2013

POEMA SUBSTANTIVADO


À lá Manuel Maria Barbosa du Bocage
(Dedicado ao povo mineiro e em especial à família Finholdt)

Por Marcelo Finholdt

Frio, fogos, festas;
Queijos, biscoitos, doces;
Cachaças, vinhos, quentões;
Fazendas, cidades, sítios;
Uai's, gemidos, modas;
Filhos, netos, bisnetos;
Vivências, histórias e vidas!

20 junho 2013

DESCUIDO


por Marcelo Finholdt

Todo brasileiro é "esperto": 
Entre duas eleições
Dorme um sono descoberto,
Baba em pé e nos colchões.

30 maio 2013

MORTEM SPIRITUS



Por Marcelo Finholdt
(Trova inspirada em minhas experiências religiosas inúteis.)

Hoje vejo que já vejo,
Velo a vela lá na vala,
Pois desejo neste beijo
Ser um Judas que te cala.

16 maio 2013

TECER


Por Marcelo Finholdt

Quanto mais teço, menos esqueço:
Ponto por ponto faço a trama,
Deslizo a agulha entre as linhas
e faço o texto trançado que chama.

Quanto mais teço, menos esqueço:
Esqueço-me apenas,
transformo-me em trama.
Relembro-me?
Apenas quando retorno
ponto a ponto o trajeto
tecido e me tomo pelas mãos.


18 abril 2013

O POETA



Por Marcelo Finholdt

O Poeta é maldito, ultrajado, culpado!
Toda a culpa recai sobre o mais sorridente;
Ultrajado prossegue o seu rumo humorado
E o maldito de fato a amolar o tridente!

O poeta é maldito e culpado, ultrajado!
Todo ultraje é uma forma arrogante e indecente;
Mal falado percebe a conversa de lado
E os culpados na fé de que são coerentes!

O Poeta ultrajado é culpado e maldito!
Todo dito maldito anuncia um Profeta;
E os culpados na lida e feitura do mito!

Ultrajado e culpado é maldito o Poeta!
O Poeta é este asceta, este mito bendito;
Sem seus trajes, sem culpa a cumprir sua meta! 

04 abril 2013

CANTIGA




Por Marcelo Finholdt



Flores novas, muita cor:
Plantei, encharquei d’amor
Num mar de inconstantes ondas.


Flores novas, muita dor:
Plantei, encharquei por pôr
Num mar de inconstantes ondas.

  
Mia senhor as enviei
Quanto então as despejei
Num mar de inconstantes ondas.


Mia senhor as entreguei
Quanto então as replantei
Num mar de inconstantes ondas.

14 março 2013

SEMENTES



Por Marcelo Finholdt

Era um dia nublado e o passado passava
Entre o hoje e invadia o futuro dos dias
Mesmo assim poesia insistia, queria
Mais do dia, da Lua e do Sol que dourava.

Era um dia insistente, um passado presente
Entre os dias assim: já sem cores, sem tom
Mesmo estranho e sem cor, sem sabor e sem som
Mais do antigo, do velho e do arcaico insistente.

Esse ranço, essa nódoa abraçava a poesia
Mesmo assim pegajosa agradava, enjoava,
Revirava, azedava, espumava, era azia.

Esse nojo, essa caca explodia e rimava
Mesmo assim melecava e lustrava; fedia,
Ressecava, sumia e outro mundo gerava.   

28 fevereiro 2013

MONÓLOGO DO LOBO



Por Marcelo Finholdt





Entre Marco e Antônio está o Lobo;
O Lobo: ora está em Marco, ora em Antônio.

Entre Paula e Patricia está o Lobo;
O Lobo: ora está em Paula, ora em Patricia.

Entre Bob e Dylan está o Lobo;
O Lobo: ora está em Bob, ora em Dylan.

Entre Mahatma e Gandhi está o Lobo;
O Lobo: ora está em Mahatma, ora em Gandhi.

Entre Patrick e White está o Lobo;
O Lobo: ora está em Patrick, ora em White.

Entre Nadime e Ignez está o Lobo;
O Lobo: ora está em Nadime, ora em Ignez.

Entre Nelson e Mandela está o Lobo;
O Lobo: ora está em Nelson, ora em Mandela.

Entre Fidel e Castro está o Lobo;
O Lobo: ora está em Fidel, ora em Castro.

Entre Madre e Teresa está o Lobo;
O Lobo: ora está em Madre, ora em Teresa.

Entre António e Antunes está o Lobo;
O Lobo: ora está em António, ora em Antunes.
............................................................................
Não existe o monólogo do Lobo,
O Lobo está em toda parte,
Pois ele está no meio de nós:
Alimente-o, caso quiser.





07 fevereiro 2013

O DESFILE DA HIPOCRISIA



Por Marcelo Finholdt

Iemanjá abençoou
O reinado de Momo,
As águas de março fechando o verão
Em abril cobrindo o Brasil, sumindo com índios e árvores.
Homo-sapiens trepando e casando-se,
Fogos de artifício explodindo nos orifícios, outro ofício.
Férias? Nunca! A calhordice vai a 1000 no recuo da passarela!
"César Augusto Calhorda" volta a imperar? Onde? Quando? Como?
A primavera não é mais a mesma, pois tem o monóxido do mundo,
As crianças nascem com o Windows 19 instalado, programadas aos videogames, aos computadores e celulares: elas brilham diuturnamente!
Os mortos nada sentem: nem aqui, nem acolá: mesmo assim os VIVOS utilizam-se de seus conhecimentos para o BEM!
Logo: o mal é apenas o Demônio e o bem o Cristo; mesmo pregado, coitado, na Santa Cruz!
DISPERSÃO... NA PRAÇA DA APOTEOSE, TAMBÉM COM A LÍNGUA PARA FORA.


31 janeiro 2013

ÀS ESTAÇÕES

Às estações!
(escavando o fundo da furna "escavável")

Por Marcelo Finholdt


São tantas
que
nem
de
mim
sei.

Não sei se
choro
ou
debulho-me

,
nem mesmo
sei
se
hoje
bebo
de
mim.




03 janeiro 2013

O FRACASSO DO FEITIÇO



(Cantiga de Escárnio-09/2010)
Por Marcelo Finholdt 


Mote
Certa Bruxa com vassoura
Espalhava a bruxaria,
Tinha pose de Senhoura,
Encantava a velharia.


Glosa
Espalhava a bruxaria
Com seus olhos verdes d’água,
Todo o asilo então gemia
Quando a tal erguia a anágua.

Encantava a velharia,
Pois noviça assim, de fato;
Sempre quente: nunca fria
Era mesmo o melhor prato!

Tinha pose de Senhoura,
Mas foi vista então sem capa,
Quando os velhos, na salmoura,
Revelaram que era Sapa!


Certa Bruxa com vassoura?
A vassoura foi sozinha,
Quem saltou da manjedoura
Foi a gorda coradinha!

29 novembro 2012

CANTIGA DE MALDIZER



Por Marcelo Finholdt

Kelvin vejas só o que vejo:
Tens a boca lá no cu,
Todos correm de teus beijos
Com tuas penas de anu!

Kelvin vejas só o que vejo:
Vás cagar em outros ombros
Rebocar os azulejos
Com teu lixo, teus escombros.

Não provoques, não perturbes,
Tens a boca lá no cu,
Não insistas, não masturbes
Este rosto teu: Pacu!

Sei que tens os teus desejos,
Mas da merda ninguém gosta,
Todos correm de teus beijos,
Pois exalas, cheiras bosta.

Na verdade és um eunuco
Tens a cara de Jacu
Bem na boca... um sabuco
Com tuas penas de anu!

15 novembro 2012

DE TRÊS EM TRÊS...



Por Marcelo Finholdt
(ao amigo de versos Alvaro Posselt)

Pensamentos femininos
Borboletas de um outono
A procura dos meninos

Os meninos pensam reto
Beijam flores no verão
Indiscretos com o afeto

Com afeto a vida encanta
Sim: florida e perfumada
Outras vidas acalanta

No acalanto tem carinho
Não há gelo, sim calor
Novos frutos sem espinhos

20 setembro 2012

SONETO A UMA RUA ONDE NADA ACONTECIA



(Bebedouro SP 20/09/2012 - Arredores da UNIFAFIBE)



Por Marcelo Finholdt


Toda vez que de longe escutava um ouvido
Logo alguém já dizia: É da rua esquisita!
Toda vez que um olor visitava a alma aflita
Logo alguém respirava: Enfim fez-se o sentido!

Toda vez que ventava o arrepio era tido
Logo alguém pressentia: Ah! Na pele bonita!
Toda vez que distante enxergava Lolita
Logo alguém se entregava: Ah! Saía polido!

Toda vez que o sabor da maçã era o gosto: 
Logo alguém desgostava; esquecia, sumia,
Logo alguém já voltava e provava no rosto.

Toda vez que Lolita assombrava essa via: 
Logo alguém misturava; aquecia-se exposto,
Logo alguém se borrava; esfriava e tremia.


06 setembro 2012

TROVAS AO DEUS BACO


Por Calíngua
(Bebedouro 28/08/2012)

Sempre o vento traz olores
Só não vê quem já está dentro
Das surubas, dos sabores,
Dos buracos bem no centro.

Todo o Olimpo fica em festa:
Excitadas as bacantes,
Deuses veem pelas frestas
Das orgias elegantes...

Invejados são humanos,
Pois fornicam sem parar,
Sem prezar perdas ou danos
Para Baco consagrar!

23 agosto 2012

VERSOS DAS F[R]ASES LUNARES


Por Marcelo Finholdt

Lua nova é nova?
Lua nova cresce...
Lua nova é cheia?
Lua nova míngua...
Se é crescente cresce?
Se ela cresce é cheia
Se ela é cheia míngua...
Se ela míngua é nova.
Lua cheia é cheia?
Lua cheia míngua...
Se ela míngua é nova
Se ela é nova cresce...
Se ela míngua... míngua?
Se ela míngua é nova
Se ela é nova cresce...
Se ela cresce é cheia.

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