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22 julho 2012

ECO


Eco




Sou poeta de um poema só.
De um tema só.
De um corpo só.
De várias palavras
E uma só interpretação.

O mundo que eu vejo é só um.
Pessoas iguais.
Situações iguais.
Lugares diferentes.

Tudo começa e termina
Sempre no ponto de origem.

E isso não é um poema
Nem mesmo uma tentativa.
São somente letras
Quebradas, soltas.
Talvez com algum sentido
Certamente mínimo.
Soletramento.

Sou só um poeta.
E tenho só um poema.

O mundo que me circunda
As pessoas que nele vivem
Não são referência pra mim
Nem pra minha poesia.

08 julho 2012

POEIRA CÓSMICA


Poeira Cósmica





... E aí você sente como seus olhos se abrissem pra trás.
É como se fosse um alívio. É fantástico. Isso pode durar horas. Eu me sinto calma, animada, mais vívida.
Posso sofrer um ataque cardíaco. Aumenta a velocidade do batimento cardíaco em 50%. Neurônios. Memória. Apetite. Pensamento e humor.
Sentidos intensos. Solidão.
Carbamazepina, fluoxetina e diazepan. Álcool.
Quem sabe um copo novo, largo. 80% de vodca, 20% de chá gelado e meia pedra de gelo. Uma fatia de pizza fria.
Simplicidade.
O barulho do motor da geladeira.
A gata brincando com o isqueiro há dias caído no chão.
Cigarros e a montanha russa no cérebro.
Um impacto violento. Uma camada de poeira.
Nós somos consequência de um acidente cósmico...

24 junho 2012

APOCALIPSE



Apocalipse

Por Paula Miasato


Querem que eu acredite que sou louco. Talvez eu seja. Não pelos meus 100mg de fenobarbital e 10 mg de diazepan diários, afinal eles foram apenas consequência do estupro psicológico que sofro há 20 anos. 
Estupro psicológico sim. É o que acontece todos os dias. Todos eles querem que eu acredite que sou louco. O serviço público não permite autenticidade e honestidade. Foi o que eu ouvi. Hoje. "Seu jeitinho incomoda"... Respondi como respondo há vinte anos: "Foda-se!".
Enfiam o pau sebento do sistema do funcionalismo nos meus miolos diariamente e depois eu é que sou louco.
Não. Eu não sou louco... Talvez um pouco, quem sabe por permitir ser violada diariamente pelo sistema durante vinte anos consecutivos e abrir mão do meu humilde sonho de vender sanduíche natural     pelas praias do litoral brasileiro. Sim. Talvez eu seja louco por sentir vergonha da minha covardia.
Sou um covarde. Abaixo os olhos e a cabeça ao passar pelas ruas. Sinto vergonha. Sou um covarde.
Sinto orgulho. Sinto vergonha e orgulho. Nunca compactuei com o sistema. Sou um sobrevivente, não um louco.

Originalmente publicado no blog coletivo De Chaleira
http://www.e-chaleira.blogspot.com


17 junho 2012

O CONHECIDO


·        
O Conhecido


     A pressa e a fome transformaram o omelete em ovos mexidos embora o resto de feijão com farofa rendeu um quase-tutu de primeira!
 Viver sozinho está me transformando em um especialista em grudes e gororobas! 
    Depois do rango, licor, punheta, cigarros e TV ligada até que eu pegue no sono e esqueça que o "agradável" silêncio da cozinha se estende até o quarto.


27 maio 2012

VÍCIO


Vício




Fumava com prazer e culpa. Baforava contra a vidraça da janela para ver e não se esquecer da beleza disforme da fumaça do cigarro. "Mea bela culpa".
Que meu pai me perdoe pelo desgosto do filho fumante e fedido. O prazer do cigarro ainda me preenche vazios e ilumina as noites escuras e silentes. Sinto que será assim por um bom tempo, quem sabe por todo o tempo em que eu ainda estiver por aqui vegetando da forma como escolhi, cercado por vidraças sujas de poluição e portas trancadas, longe do mundo lá fora, cárcere voluntário interrompido raramente e somente por visitas sexuais.
Abano o ar com a mão após apagar a bituca. Me remete a adolescência rebelde de fumante oculto. Mais um vício além do fumo, intimamente ligado a ele. Sou um homem de vícios.
Meu cabelo cheira fumo, assim como minhas roupas, meu hálito, meus pelos. A maioria das mulheres não gosta. Reclama na hora do sexo, me fazem tomar banho e escovar os dentes antes de cravar o pênis em seus orifícios melados. Eles fedem tanto quanto eu e isso, somado ao tempo perdido no chuveiro e na pia fazem meu pau cair. 
Agradeço sempre que posso a proteção que me é oferecida pelo odor do fumo nos lençóis, toalhas e cortinas, que encurta o tempo das visitas íntimas. Mulher depois que goza é um saco, despenca a falar da vida como se a gente quisesse mesmo saber da merda do cotidiano fútil delas, como se isso fosse provocar uma maior aproximação e intimidade e quem sabe, reservar um próximo encontro.
Contra isso, nada melhor e mais providencial que uma bela baforada de cigarro, companheiro este que substitui rapidamente e com extrema elegância a lastimável presença feminina após o sexo.
Desta forma permito-me novamente afundar o corpo entre meus lençóis nicotinados, sempre com os olhos voltados para a vidraça da janela fechada que contra a luz natural do amanhecer transforma minhas baforadas em poesia.

13 maio 2012

SORVETE DE CREME

Sorvete de creme

Bacharelado em Direito: cinco anos. Exame fudido da OAB para exercer a função de advogada. Quatro anos de experiência na advocacia para provar habilitação. Concurso Público pra Magistratura Estadual. Experiência mínima de três anos no exercício da advocacia.

Após aprovação em Concurso Público para o cargo de Juiz Substituto, um período na escola de magistratura para aperfeiçoamento. Substituiu o juiz titular da Comarca ou Vara federal onde havia muita demanda judicial. Assumiu a titularidade da Comarca, conforme sua habilitação criminal.

Meritíssima. Classe. Poder. Status. Respeito.

Para exercer sua função no fórum, passava por três andares. Não cumprimentava ninguém que encontrasse pelo caminho que não tivesse o mínimo de classe, estudo e uma situação financeira razoável, mesmo assim o fazia com absoluta frieza e cordialidade.

Por baixo da toga preta algumas coisas que as pessoas não vêem e nem imaginam, mas existem. Sexta-feira era o dia da calcinha fio dental de oncinha que ostentava pequeno laço na bunda, combinando com o sutiã (nunca repetia as cores, sempre uma pra cada dia). Na coxa o fio dourado, para destoar da toga. Sempre de sapatos de salto fino fechados, pra esconder o vermelho do esmalte que provocavam em seus pés uma aparência semelhante a pequenos cachos de pimenta.

O louro do cabelo se destacava sobre a toga.

Respeito.

Ela julgava. Ela decidia.

Em casa um marido do casamento bem sucedido de 15 anos. Médico Ginecologista. Sua vagina estava sempre em ordem, ele prezava muito por ela, afinal era a vagina da sua mulher, tinha que ser limpinha. Comia de vez em nunca, mas prezava pela saúde da danada. Na verdade apreciava mais examiná-la que comê-la.

Respeito.

No fórum, ela preferia a pica rançosa e fedida daquele faxineiro que não tinha nenhuma noção de higiene. Ele já sabia... Sempre muito atento aos intervalos, logo que a via sair mexendo a bunda solta por baixo da toga, dava uma leve coçada no saco, ajeitava o pinto dentro da calça do uniforme e seguia para o banheiro masculino. Ela entrava depois, mandava ele para o reservado de deficientes e socava a língua na boca banguela dele. Era a primeira coisa que fazia. Passar a língua naquela gengiva desdentada a melava no mesmo instante. Ajoelhava no chão mijado e enfiava o cacete rançoso na boca até a garganta. Chupava com gosto, estalando os beiços, como se aquele pau sebento fosse um sorvete de creme. Chupava até vê-lo brilhante, vermelho e bem duro, só então levantava, empinava a bunda e oferecia a buceta saudável pra pica podre. Valorizava a profissão do marido. Ambos sorriam. Ela com dentes, ele sem. Ela fechava os olhos e abria a bunda, ele abria os olhos, afastava o fio da calcinha e enfiava de uma vez só, sem dó e socava com força. Ficava olhando o pau entrar e sair enfeitado pelo lacinho de cetim da calcinha. Aquilo dava um tesão fudido nele. Aquela vadia estudada e arreganhada mandando ele gozar logo para voltar ao trabalho... Puta. Gozava em três jatos e respingava três pingos sobre a bunda.

Ritual.

Respeito.

Ela julgava. Ela decidia.

Ele a fodia do jeito que queria.

Ela não julgava, nem decidia.

O ginecologista era limpinho e cheiroso...

Ela julgava e decidia.

Respeito.... À profissão do marido...

Os três pingos de porra secavam no decorrer do julgamento e faziam a toga grudar na bunda sentada.

Após bater o martelo saía rebolando o rabo, agora colado na toga. Ele fazia de propósito, ela sabia e gostava.

Ela não decidia, nem julgava.

Respeito.... Ao instinto.

15 abril 2012

COCA COLA FILOSÓFICA

Por Paula Miasato



Subimos. A mesa redonda sugeria um bate papo, sempre sugere, diariamente. Conheço meu espaço, sei o que ele proporciona. É instintivo. As pessoas apenas entram, e depois do meu sorriso simpático logo sentam e esperam ansiosamente pelo bate papo. Minha simpatia fez do espaço um consultório de psicanálise sem remuneração e sem hora marcada. Ler que é bom, nada. Assim como nos dias anteriores inevitavelmente foi.
Três horas da tarde e três pessoas ao redor da mesa redonda. As xícaras de café mal lavadas pela parceria do detergente barato e da bucha dupla face mais que usada e totalmente habitada por microorganismos. No centro da mesa uma garrafa de coca cola 600 ml e um saquinho de pão de mel comprados com moedas contadas do porta níquel da pobre psicanalista não remunerada. A garrafa suava ali no meio, aflita, esperando pelo seu fim. Eu devo ser simpática... Sorri e abri a garrafa. A aflição da filha da puta era tão intensa que ejaculou na mesa toda. Foi praticamente um ato suicida. Sorriram. Eu, desajeitada limpei a cagada.
Devo ser simpática... Notei uma mancha de batom em uma das canecas. É. Elas estavam mal lavadas pela parceria do detergente barato e da bucha dupla face mais que usada. Pronto! Foi parar logo na mão do cara da pochete! Que merda! A moça havia acabado de tomar café nela e seu batomzinho vermelho sangue carimbou seu lábio inferior na caneca e como a parceria da imundície predominava no local, seu beicinho ali havia ficado e foi parar logo na mão do cara da pochete, é o cara que vivia a coçar a virilha suada!
A moça de pele branca e lisa não notou. O cara da pochete (ou da virilha coçada) a pedido de sua barriguinha gorda de açúcar por falta de sexo logo carregou a caneca de coca cola. Socou um pão de mel na boca. Não pronunciei uma só palavra. Ele olhava com admiração e encantamento a mocinha, mas ela nem ligava, estava mesmo era interessada na conversa filosófica da mesa. Eu concordava com tudo, afinal, discutir filosofia com um historiador amante de filosofia e uma estudante de filosofia não combinava com meu jeito prático de ser, então era mais prático que eu concordasse, ou socasse coca cola e pão de mel guela abaixo pra justificar o meu silêncio. Foi o que fiz. A mocinha não. Além de estar discutindo assunto interessante com o cara da virilha coçada, ou melhor, o cara da pochete, já havia sofrido de bulimia, então evitava comer.
Meus olhos não conseguiam parar de seguir a manchinha da caneca do cara da pochete (que esbarrava na virilha coçada). Ele segurava os arrotos e quando fazia isso, inevitavelmente dava pequenos tranquinhos com o tórax na cadeira e interrompia a fala. Olhava a mocinha como quem olha um pudim de leite condensado.
Meus olhos seguiam a caneca carimbada. A mocinha de pele branca interessadíssima no assunto. Eu olhando a caneca e concordando com tudo.
Entornou e girou a caneca. Pronto. Ele viu a marquinha de batom.
"Olha! Uma marquinha de batom."
"É! É dela. Acabou de beber um cafezinho nela. Acho que a caneca estava mal lavada moço..."
Ele não sentiu nojo. Olhou a marquinha na caneca, olhou pra boca vermelha da mocinha e lambeu a marquinha da caneca até que ela saísse totalmente, gesto feito sem tirar os olhos da mocinha.
Eu descreveria o gesto como sexo oral filosófico, visto meus breves conhecimentos sobre as preferências sexuais do cara da pochete, por várias vezes reveladas no meu "consultório" em suas frequentes visitas.
A mocinha, educada, fez de conta que não percebeu a intenção do gesto.
Eu, lógico, fui pra varanda fumar um cigarro. Afinal, depois de servir de voyer naquela modalidade de sexo estranhamente cult, um cigarrinho caía muito bem.

01 abril 2012

DIAS INÚTEIS


Dias Inúteis


Hoje pela manhã eu fodi com a angústia penetrando por orifícios melados, usados e esgarçados. Fodi com a solidão sobre lençóis manchados de sangue e esperma que nunca mais haviam sido lavados.
Lambi cabelos (t)fingidos. Enfiei a língua grossa de cachaça em bocas e esfoliei gengivas, esgrimei infernos e céus de bocas.
Hoje pela manhã eu senti o gosto amargo de fendas peludas e as invadi, arrombando portas trançadas de pêlos com corrimento de dias sem banho.
Hoje eu fodi com a minha semi vida e a expulsei de mim sem piedade.
Hoje eu fodi com a inodora angústia e com a insólita solidão.
Hoje eu me libertei de mim, mas sinto saudade. Não sei onde me escondi só sei por onde andei, embora quisesse esquecer.



18 março 2012

NADA


Nada


EU SÓ ME METO EM
BURACO FUNDO
BURACO NEGRO
BURACO LISO
BURACO ESCURO.

NÃO ME METO A SER GENTE.
GENTE ME DÁ ASCO
AZIA
ALERGIA.

SE É PRA ME METER
EM ALGO, ALGUÉM
OU COISA ALGUMA,
SE É PRA ME METER A SER
COISA QUALQUER,
SE É PRA ME METER
EM BURACO ALGUM QUE SEJA,

QUERO QUE SEJA ASSIM
FUNDO NEGRO, LISO, ESCURO.
QUE EU NÃO SEJA GENTE
COISA QUE AZEDA E MENTE.

QUE EU NÃO SEJA NADA.
COISA QUE HÁ TEMPOS IMPLORA
SEMPRE DE JOELHOS
A MERDA DA MINHA ALMA.


04 março 2012

BRECHÓ DE CARNE



Brechó de Carne

 Por Paula Miasato


Não era uma puta o que ele queria, mas era uma puta o que lhe restava depois da madrugada de tentativas frustradas. As cinco na manhã depois da mesa forrada de garrafas vazias além da cadeira também vazia a sua frente, a mulatinha parou e perguntou: moço me dá um cigarro?
Devia ter uns 14 anos. Cabelo mafuá curtinho, mini saia encardida curtinha (padrão da moça), chinelos de borracha gasta protegiam um par de pés rachados e feios. Sustentava lábios carnudos e ressequidos, sem batom. Nessa hora já devia estar cheia de porra seca pelo corpo. Era puta. Uma putinha nova encardida viciada de merda e que não usava batom. Fez programa a noite inteira e não tinha grana pra comprar cigarros. Vagabunda.
Enfiou o cigarro na boca dela. Tinha dentes grandes e amarelados. Acendeu. Deu o primeiro trago estendendo um olhar de convite. Mordeu o lábio inferior. A língua branca umedeceu os lábios. Um cheiro que coisa usada, de brechó. Brechó de carne.
Pediu pra pendurar a conta e a puxou pelo braço. Ela veio sem questionar. Na outra mão o cigarro pela metade ainda aceso. Andava estralando os chinelos de borracha. Aquilo o irritava, dava ódio. Ficou feliz. Precisava disso pra fodê-la.
Entre as ruas Caieiras e Assis havia um beco escuro bem apropriado. Não levaria aquela putinha fedida pro quarto dele, mesmo que ele cheirasse a bolor.
Grudou no cabelo mafuá dela pelas costas e colou aquela cara esporrada no muro enquanto erguia a sainha encardida. Com a boca meio espremida pelo muro ela disse: Dez reais moço.
É pra fumar?
Não. É pra cheirar.
A saia erguida liberou o cheiro de merda. A bunda dura, as coxas grossas. A pele grossa. Empinou o rabo.
Fode moço. Fode meu cu.
O pescoço exposto pelo cabelo mafuá curtinho e os calcanhares brancos e rachados. O cheiro de merda. As baratas passeando pelo beco na noite de verão. Resto de comida azeda pelo chão. Alumínio de marmitex. Cachimbos.
Enfiou... Enfiou a mão no bolso, sacou uma nota de vinte reais. Encaixou entre as bandas da “bunda PF”, colou a boca alcoólica no ouvido brilhante de cera e disse: Vai cheirar seu lixo, e me faz um favor, morre.
Largou a mulatinha sem nome ali mesmo no beco e voltou pro boteco.
Não olhou pra trás.
Ah! A loira gelada e fresca... Ela não custava dez reais, nem cheirava a merda.



19 fevereiro 2012

O ANÚNCIO



Por Paula Miasato

Ele a deixou. Melhor dizendo, a mandou embora. Há dias passava as madrugadas fora de casa, surgindo apenas no início da manhã. Hálito cheirando a álcool, roupa a perfume barato. Os lóbulos das orelhas mordidos delatavam a presença de outra mulher. O resto do corpo não dava pra ver. Há tempos não o possuía, não por falta de apetite, mas porque ele recusava a entrega. Havia sido expulsa. Da casa que a ele pertencia e o mais dolorido, da vida dele, que mais do que a casa, somente e tão somente a ele pertencia.

Sentada na guia da calçada com uma mochila engraçada dependurada nas costas estampava uma grande interrogação no meio da testa enquanto observava o fio de água que corria em direção ao esgoto. Papel de bala, bituca de cigarro (acendeu um), insetos semi mortos. A vida do esgoto, a sua vida sendo convidada a ser engolida pela boca imunda do bueiro. Cheiro de merda.

Um cartão branco umedecido e borrado. Pegou. Nesse instante, um inseto quase afogado grudou na sua mão. O cartão. Dava pra ler: recruta-se moças, ensino médio completo, não é necessário boa comunicação, mas exige-se boa aparência. A empresa oferece alimentação e moradia. No cartão o anuncio da sua ressurreição e a do inseto que grudou na sua mão. O inseto, depois de secas as asas, voou. Ela, usou sua última moeda e caminhou em direção ao telefone público.

Havia graça no andar desgraçado dela.

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