27 junho 2013
UM POUCO MENOS
23 maio 2013
APENAS SEU CORPO
Apenas seu corpo
21 março 2013
GIZES
21 fevereiro 2013
RASGOS
20 dezembro 2012
PALAVRAS E SILÊNCIOS
22 novembro 2012
AOS PEDAÇOS
13 setembro 2012
MENINICES
16 agosto 2012
A MI ME GUSTA
05 julho 2012
O CHÁ
07 junho 2012
TILINTARES
24 maio 2012
AU CLAIR DE LUNE
12 abril 2012
REFRÃO
29 março 2012
REPETIR
Por Vivian Marina
O atleta, a bailarina, o dançarino, o amante e tantos outros repetem seus atos e isso faz aumentar a possibilidade de êxito, de o espetáculo ser esplêndido, de o amor perdurar... Mas há garantias? E o público? O lindo salto? O dia chuvoso? O osso quebrado? A bicicleta? A vista cansada? A dor? O gol contra? A desconfiança? O medo?... enfim, o que fazer com o acaso que parece rondar os atos repetidos?
Talvez fosse melhor não vê-los como repetidos, mas como maneiras de experimentar o novo e esse novo não possui de antemão o julgamento de bom ou mau. Possui, pois, a potência de criação como aliada.
Continua...
15 março 2012
ALIMENTO
Por Vivian Marina
O mosquito entrou na sala, a televisão estava ligada num canal qualquer, havia também alguém deitado no sofá que o testemunhava, almofadas jogadas, o tic tac de um relógio sobre a mesinha, a cortina branca que permitia a luz do sol adentrar e aquecer. O mosquito não veio buscar comida, talvez a companhia de outro mosquito, ou outro inseto amistoso, talvez buscasse uma janela na qual ganharia novamente a liberdade, só que a cortina escondia a janela fechada. Pousou então sobre a cortina, na esperança de que houvesse uma fresta pela qual o vento soprasse e a cortina acalentasse-o, daí, então, prazenteira abrisse seu caminho rumo a outros (en)cantos. Isso não aconteceu. Tentou ele mesmo fazer com que a cortina desgrudasse da parede e nesse entre encontrar um vão para o lado de lá. Mas isso também não aconteceu.
Cansado de esperar pelo pequeno buraco não encontrado, retornou pelo caminho que havia entrado naquela sala, ali sim poderia avistar uma possibilidade outra. Foi então que avistou uma flor no jardim dos fundos. Ela também não o alimentaria. Será?
Sua busca realmente não era a saciedade orgânica, era o encantamento. Permitiu-se avistar, pousar, contemplar aquela flor, naquele jardim. Isso o alimentaria de outras formas. O faria querer estar no mundo repleto de belezas e tristezas, as primeiras incitando coisas acesas por dentro e as últimas apagando belezas pelo sofrimento.
01 março 2012
VONTADE
Vontade
Por Vivian Marina
Num certo dia errado, as folhas se mexiam como se quisessem permanecer paradas, as gotas de água pingavam da torneira almejando cair num recipiente qualquer para novamente enclausurarem-se, o sol brilhava simplesmente porque do céu nunca havia saído e o vento soprava quase como se fosse obrigado a tal. A inércia era a palavra da vez, sem impedições e interdições, mas com um movimento que lograva-se contínuo.
Não sabendo direito a razão, o pássaro observou aquele balbucio tedioso. Nem a chuva do final da tarde escapou, de tanto relampejar e do vento obrigar-se a ventar, as nuvens afastaram-se para que nada fosse precipitado.
O pássaro, então, com sua perspicácia, ao invés de imaginar aquele cenário como um vazio de vontade, incitou seu pensamento a torná-lo uma vontade de permanência, desmanchando continuar e parar, fazendo funcionar a espera e a possibilidade do acaso.
16 fevereiro 2012
ARTISTA
Por Vivian Marina
Despertador, cama, escada, cabelos, dentes, rosto, café, mesa, pães, frutas, geléia, manteiga, danone, pratos, copos, xícaras, roupas, privadas, chãos, cozinha, almoço, janta, ida, volta, listas, telefone, TV, computador, livros, ventilador, cama, ama...
O cotidiano tem sua beleza. É veloz como rajada de vento, frágil como dente de leão. Se permite pulos, atrasos, borrões, mas não necessariamente os quer. Os desvios surpreendem com o desplanejado e, vez em quando, lhe apagam com luzes foscas. Nada do que lhe preenche possui garantia. Há, pois, esforços para seus cumprimentos e tanto o que lhe escapa entre os dedos, quanto o previamente previsto conquistam encantos e tropeços.
As fragilidades querem se esconder, ser escondidas, desaparecidas, escamoteadas e em seus labirintos subterrâneos, que até parecem insignificantes, viajam arrepios, lembranças, artes. Do despertador ao amor há mais matérias-primas do que se pode alcançar.
02 fevereiro 2012
AQUELE ZULEJO
Por Vivian Marina
As bailarinas poderiam trocar o rosa pelo azul esfumaçando transparências com a leveza e técnica apuradíssimas. É prazeroso pensá-lo em inglês e com s, ritmo completamente sensual. Flores também são bem vindas, desde que venham com seus perfumes azulados. Mas o que me intriga mesmo é aquela casinha de janelas e portinha azuis, na qual nunca nem vi um pássaro adentrar.
Me perco em assaz zumbido ultrajante labaredoso. Ausculto zombetante urro límpido. Azuis que de tão azuis me pintam safadamente o corpo. E já toda azul posso então saudar o céu clareado. Saúdo o céu, porque o mar se encontra longínquo, fora do alcance das minhas mãos. Em pensamento, troco o mar pelo céu para me lançar ao azul quase de metileno e, então, lhe escrevê-lo com torrões de açúcar que nublam todo azulejo.
19 janeiro 2012
AREIA E NEVE
05 janeiro 2012
ESTAR SENDO
Derramadas as flores, os flocos, não lhe restava nada mais do que permanecer estampa. Há não ser que um dia lhe manchassem cores. Acho que mesmo assim as marcas flocadas, floridas estariam ali entranhadas na pele, como se fosse a primavera surtindo sortidas estamparias.
A febre primaveril faz-lhe cócegas
entre os dedos. Despede-se dos linhos lisos para entregar-se às venturas colorantes. O que falta, então? Apenas espaços em branco para deixar passar o ar. O ar? Sim, o ar.Flor-ar buquês que surpreendem, vent-ar palavras aos mandos e desmandos do pensamento, principi-ar vontades, pint-ar para fora dos limites, ach-ar graça, and-ar à toa, funcion-ar mesmo sem pilhas, encontr-ar por acaso, invent-ar uma dança, est-ar seja lá o que estiver sendo...