21 novembro 2010
FRAGMENTÁLIA ESPECIAL - FURO!
Por Marco A. de Araujo Bueno
No sonho, eu gozei? Na vida real tem que gozar !
[Microconto monofrásico de dez palafras]
06 junho 2010
FRAGMENTÁLIA PARA H.HILST: UM MC ERÓTICO,OUTRO-METAFÍSICO
Por Andréa del Fuego
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'Sussurrou-lhe: São tuas perdas; fora o adicional, e coisas somadas'
Por Marco A. de Araújo Bueno
{A obra histiana oscila entre o sacro e o obsceno; nada se pulveriza, no entanto}
30 maio 2010
Resultado do 1º Concurso de Microcontos
23 maio 2010
GENITÁLIA CERVANTINA
09 maio 2010
SOB A PORRA DO CONCURSO DE MICROCONTOS
“Imagens da Resistência”
Postou-se nu diante do tanque – protesto! Então lavou suas cuecas.
Nada mais caro e complexo aos jurados deste blogue que preservar a prudente distância entre o liliputiano reducionismo e a bomba atômica que Barthes já preconizava para a brevidade.
Por Marco A. de Araújo Bueno
02 maio 2010
PANORÂMICA SOBRE MCs PRÉ-CONCURSO DE CHALEIRA
25 abril 2010
SOBRE O MINICONTO
Pois o miniconto é um híbrido de conto e de poesia. Tem do primeiro a história, o fato, o personagem, e, do segundo, o imprevisto, o trabalho de linguagem, a síntese e a metáfora. Tem mais, da poesia, o fecho como o verso de ouro de um soneto. Não acerta um miniconto quem não sabe terminá-lo. Mesmo que inicie o mais comum dos relatos, o miniconto termina sempre de uma maneira insólita e impactante, ou não termina, o que vem a dar no mesmo.
Mas quem escreve minicontos sabe que o leitor precisa de pontos de apoio, que não pode prescindir de um enredo para entreter-se com as coisas da vida, matérias do cotidiano, pequenas vidas de outros que são como as nossas, às vezes piegas, outras fantásticas, de qualquer modo realistas, pois no mundo e no miniconto tudo é possível."
Luiz Eduardo Degrazia
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“Acabamento”
Por Marco A. de Araújo Bueno
Despediu-se em definitivo; pedra em cima, tomou-se de rumo.Voltou apenas para dizer do relativo do gesto, da insuficiência da linguagem e que, sobre a lapidação da pedra, a propósito, mudara de provedor e etc.; ah, também que o etecétera era provisório e que o contrário de "rumo" poderia ser “amor” mas era "omur" mesmo.
***
Na próxima quarta, 28, o link para a matéria de Leonardo Toledo para o jornal Tribuna de Minas (a propósito do concurso de microcontos da ABL) e o edital para o concurso deste blogue. A Parte II do Ensaio de Almeida sobre micronarrativa, dada sua extensão, encontra-se no blogue “O Muro”, do colega e colaborador do De Chaleira Wilson Gorj, microcontista que compilou a Biblioteca cuja terça parte já publicamos aqui.
18 abril 2010
(DES)FRAGMENTÁLIA & MEMÓRIA

REFORMACRÓSTICA
Por Marco A. de Araújo Bueno
Rebenta o sol na terra adormecida
Enquanto ainda dormem seus senhores;
Fingindo-se de homem pela vida
Omite a dor num manto de labores.
Rasteja-se no campo qual ferida
(Mais há no campo a cana do que flores)
Até que chegue a hora da comida,
Aguada e fria em perda de sabores.
Graceja e canta, pois que a vida é linda,
Rogando aos céus apenas por saúde
Até que a morte o venha, enfim, colher...
Retoma a sua cruz num gesto rude,
Inerte, pois que desconhece ainda
A hora em que nem saberá comer.
[E pra não dizer que não falei dos Mcs:
INFANTICÍDIO
Por Marco A. de Araújo Bueno
Ração matinal; foi-se. Golpe-1 da foice.imensidão canavial do dia...
11 abril 2010
FRAGMENTÁLIA DE ANIVERSÁRIO TRIMESTRAL
Márcio Almeida*
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04 abril 2010
Чекловиски
Boa Páscoa, que é 'passagem' em hebraico. Passar bem!
(...) Domingo eu quero ver,
O domingo passar.
Domingo eu quero ver
O domingo acabar!"
(Titãs)
Até o próximo domingo, porque hoje não é dia de Biblioteca.
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"Piscar d'olhos"
Por Marco A. de A. Bueno
- Como viu a implosão da rodoviária?
- Quando vi, num vi!
28 março 2010
MICRONARRATIVA E O NÃO-SABER - DROPS TEÓRICOS + Mcs
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"Para Clarice"
[Da série "Metafísica Temprana"]
Por Marco A. de Araújo Bueno
- Posso comer esse ovo, mãe? Ou ele está grávido,ainda?
{Mc monofrásico de dez palavras, inédito, a propósito do apreço que Clarice Lispector tinha pelo seu conto "O Ovo e a Galinha", aquele que pretendia ler em um congresso de bruxaria na Colômbia, caso não lhe permitissem o silêncio}
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ARRITMIA
Por Rafael Noris
o músico bêbado
leva à noite
emoções violadas.
21 março 2010
FRAGMENTÁLIA VII - DROPS TEÓRICOS + Mcs + Haikai
[Koch,M.Dolores in "Diez Recursos para Lograr la Brevidad en el Micro-relato]
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MICRO-DIVAGAÇÕES
por Rafael Noris
"um mosquito gordo
na janela, a luz da manhã
trespaça meu sangue."
George Swede
"Do último verão, no tronco da árvore, a casca vazia de uma cigarra: ouça o canto."
Dalton Trevisan
O que há de comum neste haicai e microconto? Ambos contam histórias, apresentam conflitos, são epifânicos. Ambos se distinguem na forma, mas são transgêneros no conteúdo. Imagine:
"Na janela, o mosquito gordo e a luz da manhã que trespassa meu sangue."
"Do último verão:
a casca vazia da cigarra
no tronco da árvore."
O conteúdo não diz muito, não te diz o que sentir: mas você sente! Algo tão pessoal... Há casos que os microtextos se correlacionam, te iluminam...
Bons haicais e bons microcontos são epifânicos e têm o mesmo alvo, objetivo: teu espírito (razão e emoção, caso queiram). Ou não?
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EQUALIZANDO A RELAÇÃO
por Marco Araújo Bueno
Ela quer: "Sinta saudade; liga sempre! "Ele fantasia...cinta-liga!
14 março 2010
FRAGMENTÁLIA VI -
07 março 2010
FRAGMENTÁLIA V - DROPS TEÓRICOS + Mcs

"Uma gaiola saiu à procura de um pássaro"
Anotação (microconto, praticamente) e ilustração de Franz Kafka
FRAGMENTO TEÓRICO V
Por Marco A. de Araújo Bueno
Concernente à intensidade a que se denomina epifania, aquela que nos chega via postulações que James Joyce anuncia em “Stephen Hero”, a respeito do que se espera de um “homem de letras”, qual seja, “uma súbita manifestação espiritual que surge tanto no meio dos mais ordinários discursos ou gestos, quanto na mais memorável das situações intelectuais” e que, porquanto representem, as epifanias, “os instantes mais delicados e mais fugidios”, (ou “evanescentes”, conforme a tradução) caberia ao homem de letras observá-las com extremo cuidado. Era, afirma Umberto Eco (“Sobre uma Noção Joyceana”, in “Joyce e o romance moderno”, 1969) de Walter Pater a concepção estética que descrevia a natureza desses instantes fugidios, excitações intelectuais ou dos sentidos que, “(...) iluminando um certo horizonte, por um momento parece entregar ao espírito a sua liberdade”. Poder-se-ia atribuir à formação jesuítica de Joyce a inspiração advinda do que Eco considera, aparentado ao claritas de São Tomás de Aquino, como um “epifenômeno” para o tomista Maurice de Wulf(1895) - uma apropriação, pelo jovem Joyce, de uma “escolástica de segunda mão”. Pois contentemo-nos com a etimologia, por um lado (“epiphaino” - fazer aparecer, mostrar, fazer conhecer), momento da aparição de uma realidade que se revela, (apropriável por ou já plasmada como imagem poética) e, por outro, com a idéia de uma herança do decadentismo europeu em Joyce, demonstrada também por Eco, cotejando a teoria do momento da epifania no Stephen Hero com o romance “il fueco” (o fogo) de Gabriele D’Annunzio publicado na virada do século XIX, cuja parte primeira relata os êxtases estéticos do poeta Stelio Effrena e se chama exatamente “Epifania do Fogo”, segundo R. Ellmann, biógrafo de Joyce.De fato, neste livro-embrião (do subseqüente “Retrato do Artista Quando Jovem”, pelo menos), aqui onde assinalo a noção laica, secularizada de epifania, literalmente salvo (cerca de 500p) do fogo por Nora Joyce (!), seu marido afirma que, ao captar o momento exato no qual essa aparição acontece [e Joyce colecionava fragmentos disto pelas ruas de Dublin], “ele acaba de sondar intensamente, em toda a sua verdade, o ser do mundo visível (...) a beleza, esplendor do verdadeiro, acaba de nascer”. Assinaladas algumas pistas genealógicas e contornadas considerações que subjazem toda a experimentação formal dos modernistas (inclusas aquelas que remetem ao grande legado do movimento romântico, qual seja, o de questionar e dissolver a própria aplicabilidade do conceito de gênero, já aludida aqui, questão enriquecida tanto pelo formalismo russo quanto pelo círculo bakthiniano) estabeleçamos, para efeito da natureza do efeito que nos importa, o que, relacionado à epifania, constitui categoria neste estudo e isso demanda alguma operacionalidade como a que busco, junto a Miguel Cardoso, quando afirma ser a epifania “(...) um instrumento de revelação que suspende o devir e se destaca dele (...) momento efêmero [que] registrado – prende a atenção –(...) prolonga seu significado(...)e fornece nós privilegiados de significado ao leitor”. A idéia topológica de “nós” remeter-nos-á a Lacan, isso é certo, à categoria do que denomina registro do real, por definição – inapreensível (equivalente à coisa em si postulada por Kant) -, sobre cuja propriedade essencial, afirmava Lacan, “(o Real) não tem fissuras”. Afirmava até chegar a Joyce no seminário de 2004 – “Sinthome”, no qual dedica um capítulo à idéia de um furo no real, pela proposta topológica de uma outra urdidura de nó, para dar conta da epifania. Observe-se que, de extração freudiana (“das ding”), esse real, para Lacan – a coisidade da coisa, cuja materialidade falta na linguagem, ainda que não examinemos aqui o teor do referido seminário, interessar-nos-á no exato momento em que, para a noção de epifania como efeito no leitor de um microconto, efeito este que parece atado ao registro do simbólico, que é coextensivo à ordem da linguagem segundo o próprio Lacan, tentarei estabelecer a diferença entre a singularidade da experiência suscitada no leitor de narrativa condensada ao extremo, e algumas das tantas formas de arrebatamento que a leitura de uma obra de arte provoca, em sentido amplo. Quando não, pelo menos, que se observe o quão recente é o escopo de todo esse conjunto de postulações teóricas!
“Denegação”
Ausentei-me ao funeral de meu esposo; vê-lo tão sem vida...
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Por Rafael Noris
Era noite, o samba rolava solto no bar. Um velho, pela décima segunda vez: - Mais uma dose! e com que alegria sambava depois.
28 fevereiro 2010
FRAGMENTÁLIA IV - DROPS TEÓRICOS + Mcs+ILUSTRAÇÂO
Por Marco A. de Araújo Bueno
"...Microcontos, minicontos, paira sobre a extensão/nomenclatura de narrativas do gênero (e a própria questão de afirmar que se trata de um gênero será, aqui, pouco importante, em que pese o fato de Graça Paulino, em livro didático de 2001, abrir um capítulo para o “miniconto” enquanto gênero) alguma dispersão teórica, seria o emblemático conto monterrosiano, de fato e de direito, o mais curto? Há que se considerar, a propósito, a pouca literatura teórica a respeito, rarefação que torna fundamental, neste ponto, o livro “Microrrelato”, de 2003, em que David Lagmanovich enfatiza, optando por “microrrelato” (não o seria para nós, brasileiros, para cuja palavra reservamos entendimento algo científico, de “relatório”, p.ex.) ou “microconto” (tal como denomino minhas “tessituras” e considero as que virei a citar nesse contexto), a importância da propriedade que uma narrativa deveria ter, que, segundo ele, a tornaria legível, plena e satisfatoriamente, em si mesma, diferentemente do fragmento, da máxima, da anedota ou alusão. Importa que seja curta e que haja narratividade nela, tal como a esclarecerei cotejando estudos pioneiros no Brasil, como a dissertação de mestrado de Marcelo Spalding na UFRGS, neste ano de 2008. Formas breves aparentadas de efusão lírica, de capturas contemplativas da natureza observável (no caso dos haicais), deduções sob forma de sentenças (tais como surgem no romantismo alemão do final do século XIX, com os filosofemas de Schlegel [“Toda prosa é poética”] e Novalis [“Tudo deve ser poético”]), aforísticas, etc., posto não passarem pelo crivo da narratividade, por razões que porei em relevo, não serão contempladas enquanto Microcontos, minicontos etc., etc.
***
NOTA IMPORTANTE SOBRE MICROCONTOS – Mcs :
El microcuento poseería características estructurales propias, según el ensayo de David Lagmanovich “Hacia una teoría del microrrelato hispanoamericano”:
“El microrrelato no puede entenderse sino dentro de un proceso de evolución del género 'cuento' que, como ya dije, para nuestra literatura comienza en el Modernismo. Esto no quiere decir que cuentos y microcuentos sean la misma cosa. Surgen como parte del impulso creador de nuestros escritores; pero, mientras que el cuento es ya una forma establecida desde el siglo XIX y tiene, como diría Horacio Quiroga, su propia retórica, el microrrelato va encontrando la suya a medida que sus autores prueban diversas vías de enfoque. Las minificciones son parte del continuo narrativo, que contiene también ciclos novelísticos, novelas individuales, nouvelles y cuentos: pero —repito— no son la misma cosa cuentos y microcuentos, de la misma manera que la novela y la nouvelle (como lo advirtió Goethe en sus conversaciones con Eckermann) tampoco son la misma cosa.” (Lagmanovich.1996:23).
***
“Patrulhas & Matilhas”
Por Marco A. de Araújo Bueno
[Mc monofrásico de dez palavras que fecha o recorte dos trinta com que ilustro o condensado teórico, cujos fragmentos tenho publicado nesta coluna. A referência é absolutamente intratextual em relação à tese de doutorado 'Brevidade e Epifania na Micronarrativa Contemporânea';Unicamp-2008. Vide considerações estéticas sobre Novalis na coluna do Luciano Garçez desta sexta última, dia 26]
***
Por Rafael Noris

A Parte II da BIBLIOTECA DE BREVIDADES ficará para a FRAGMENTÁLIA V; até o próximo domingo!
21 fevereiro 2010
FRAGMETÁLIA III - BIBLIOTECA+HAIBUN+MICROCONTOS
2) Curta-metragem - Edson Rossatto - idem.
3) Folhas ao Vento - vários autores - idem.
4) Entre Duas Mortes - Instantâneos Literários - vários autores. Livro organizado por Frederico Alberti.
5) Os opostos de distraem - Rogério Ivano.
6) Pagando Micros - Trio Los Tres. Organizado por Cairo Trindade.
7) Tentando entender Monterroso - Luiz Cláudio Arraes.
8) Anotações para um livro de baixo-ajuda – Idem.
9) O Remetente (contos e minicontos) – Idem.
10) Lugar comum - Idem.
11) OS CEM MENORES CONTOS BRASILEIROS DO SÉCULO - Organização Marcelino Freire, 2004, 2ª edição, Ateliê Editorial, Cotia, SP.
12) CONTOS DE BOLSO - Organização Laís Chaffe. 2005, Editora Casa Verde, Porto Alegre, RS.
13) CONTOS DE BOLSA – idem.
14) CONTOS DE ALGIBEIRA - (antologia que reúne 107 autores - brasileiros e portugueses) - idem.
15) CONTOS DO GIN-TONIC - Mário-Henrique Leiria.
16) NOVOS CONTOS DO GIN - idem.
17) A Terra Sem Males – José Eduardo Degrazia.
18) O Atleta Recordista - idem (Editora Movimento).
19) A Orelha do Bugre - idem, ibidem.
20) Os Leões Selvagens da Tanganica - idem, ibidem.
21) Ah, é? – Dalton Trevisan
22) 111 AIS - idem
23) Pico na veia – idem
24) 234 – idem
25) Arara Bêbada – idem.
26) Um beijo é só um beijo – João Batista de Brito.
27) Gaspard de la Nuit - Aloysius Bertrand.
28) O Caçador - Rinaldo de Fernandes.
29) Brevíssimos - antologia orgonizada por Charles Kiefer.
30) Pescoço de Girafa na Poeira (contos e minicontos) - Nilto Maciel.
31) Passaporte - Fernando Bonassi.
32) Sexo, drogas e tralálá - Thiago Picchi, Fábio Frabício F. e Ana Paula Maia.
33) Histórias de 1 minuto - István Örkény.
34) Mil e uma pequenas histórias - Luis Ene.
35) Antologia de páginas íntimas - Franz Kafka.
36) Estórias domésticas - Henrique Manuel Bento Fialho (Aqui uma versão parcial, em pdf .)
37) A MILÉSINA SEGUNDA NOITE - Fausto Wolff .
*****
HAIBUN
Por Rafael Noris
Esta tarde peguei minha câmera. Estava na chácara de minha tia, todo mundo comendo e eu ali, procurando bichos. Queria insetos, formigas, abelhas, borboletas, mas minha nossa, não paravam quieto nem um minuto. Sentei na grama, olhei para o céu, para o lado, para minha câmera com poucas fotos, nenhuma boa. Fiquei frustrado, mas logo percebi que não valia a pena, me esforcei mais um pouco e encontrei outras belezas, mais fotogênicas.
***
o céu da tarde
parece um reflexo -
flor de quaresmeira.
***
tão perto
e ainda hesito:
galho ou bicho-pau?
MICROCONTOS MONOFRÁSICO (Dez palavras – vide Definição Operacional de Mc)
Por Marco A. de Araújo Bueno
“Expedientes Maternos I”
Temendo muito que os filhos caíssem, acolchoava seus porta retratos.
***
“Tempoespaço”
-“Por quê não vai pra p.q.p.?”
- “Demora mó longe, mano!”
***
*A Definição operacional exploratória que ofereço para Microcontos estará no FRAGMENTO TEÓRICO III, que ficará para a próxima FRAGMENTÁLIA.
15 fevereiro 2010
DOMINGUEIRA - SEGUNDA; SEJAMOS BREVES: TEORIA + Mc + HAIBUN
Por Marco A. de Araújo Bueno
07 fevereiro 2010
FRAGMENTÁLIA - A GENITÁLIA DA MICRONARRATIVA
Por Luiz Contro
Ouvia tudo o que ele dizia e participava de suas inquietações mais secretas. Sentavam na mesma carteira da escola. Corriam juntos soltando pipa. Trocavam olhares e sorrisos matreiros quando entre adultos. Consolavam-se também. Determinados dias entristeciam pela separação:
─ Chico, hoje vou lavar teu ursinho.
***

-Sim! Sim! ela suspirava: sono pesado na cama vazia.
Por Rafael Noris
***
FRAGMENTO TEÓRICO I
Por Marco A. de Araújo Bueno
Até o próximo domingo;
DROPS TEÓRICOS : "UNO DECÁLOGO"
Por ( pequeno suspense metodológico...)
En el “Decálogo del escritor” de Monterroso, incluido en su libro Lo demás es silencio (1978), se reconoce la referencia metatextual del Decálogo del perfecto cuentista de Horacio Quiroga (1925), y la referencia architextual de los doce mandamientos de la Ley de Dios. A toda esta fábrica de intertextualidades se suman “Los diez mandamientos del escritor”, microcuento del uruguayo Fernando Aínsa. {De livro e autor que oportunamente citerei; sintam um pouco da rarefação teórica sobre o gênero. Menos é mais, mais ralação!}
1.-Te amarás a ti mismo sobre todas las cosas.
(Amarás a si mesmo acima de todas as coisas.)
2.- No mencionarás el nombre de Borges en vano.
(Não mencionarás o nome de Borges em vão.)
3.- Seis días descansarás y uno escribirás.
(Seis dias descansarás e um escreverás.)
4.- Te inventarás tu propia filiación literaria.
(Inventarás sua própria filiação literária.)
5.- Si cometes parricidio generacional, será con pudor y disimulo.
(Se cometer parricídio generacional, será com pudor e disfarse.)
6.- No seducirás a la poetisa en busca de prólogo.
(Não seduzirás a poetisa em busca de prólogo.)
7.- No robarás las metáforas del poeta inédito.
(Não roubarás as metáforas do poeta inédito.)
(Não chamarás de palimpsesto intertextual a simples cópia banal.)
9.- No desearás el éxito de ventas del prójimo escritor.
(Não desejarás o sucesso de vendas de escritor algum.)
10.- No eliminarás las comillas de las citas ajenas.
(Não eliminarás as aspas das citações alheias.)
31 janeiro 2010
HAIK(C)AIS E MICROCONTOS - COLUNISTAS vs CONVIDADOS
Por Luiz Contro (colunista)
O atraso, a pressa, o susto, o desvio, o meio fio.
Totó só queria buscar a bola do menino.
***
Nunca assumia os próprios erros.
Sempre transferia a culpa para os outros.
Por essa razão, convertido, adequou-se pefeitamente à fé evangélica.
Agora, para tudo que faz de errado, Satanás é o culpado.
Por Wilson Gorj (convidado)
" 69"
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Por Marcelino Freire (convidado)
{Quatro caracteres, nenhuma palavra}
“Desertor no Deserto”
Por Marco A. de Araújo Bueno (colunista)
{Dez palavras, monofrásico}
PARTE I
Doze anos, palestino fronteiriço, dois de treino. Paramentou-se: explosivos, celular;
PARTE II
Ao toque, sacou dispositivo junto. Sucumbiu; deserto. Tel-Aviv/paraíso - Doze km!
HAIKAI
Por Rafael Noris
noite tão curta -
quando afasto o mosquito
é hora de acordar
HAICAI
Por Carlos Seabra (convidado)
jornal aberto,
café, leite e sangue:
guerra por perto
[Eis uma livre adaptação de haikai de Bashô no qual a expessão "cai pra dentro" e cumpre função de duplicidade de sentidos ao invés de pleonasmo. Não achei haicai com equivalente ousadia polissêmica entre convidados do blogue...
velho lago
o sapo cai pra dentro
barulho d'água.
Basho, tradução de Rafael Noris a partir da expressão de Zina (ele era cult e eu nem sabia).
Boa semana a todos, aniversariantes ou não
24 janeiro 2010
CONVIDADOS, DE CHALEIRA
Era uma vez uma roda-dentada que conseguiu escapar da Grande Engrenagem.
Liberta, pôde, então, observar todo o funcionamento do mecanismo ao qual antes pertencera.
À medida que observava, ia perdendo os dentes...
Haicai sem kigô
É de quem bebe saquê
E pisa na fulo

