MULHER
Por Cássia Janeiro
Não seja como uma flor,
Pois flores são arrancadas
Ou pisadas.
Seja uma árvore
E deixe as flores brotarem bem acima
E cuide para quem vai deixar alcançá-las.
A madeira deve ser escolhida com cautela;
As nobres viram móveis,
As fracas se dissolvem em meio a cupins.
Escape do seu destino de ser
Decorativa, arrancada, pisada, morta.
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12 dezembro 2010
28 novembro 2010
A CAVERNA
A CAVERNA
Saio cega da caverna de Platão.
Procuro os sábios do templo,
Os filósofos e os magos.
Esbarro em sombras que
Persistem.
Por Cássia Janeiro
Saio cega da caverna de Platão.
Procuro os sábios do templo,
Os filósofos e os magos.
Esbarro em sombras que
Persistem.
Caminho atordoada e feliz
Sem saber o caminho,
Sem saber se o lado de fora é outra
Caverna.
Meu caminho é sem volta
Porque o mundo - com todas as cavernas -
Está dentro de mim.
.
Sem saber o caminho,
Sem saber se o lado de fora é outra
Caverna.
Meu caminho é sem volta
Porque o mundo - com todas as cavernas -
Está dentro de mim.
.
31 outubro 2010
ABANDONO
ABANDONO
Por Cássia Janeiro
Elas esbarram em nós
Com seus chocolates, balas, truques
E limpam nossos pára-brisas nos faróis.
Sua infância escorre como aquela
Água suja que vejo no vidro.
Uma moeda qualquer
É a medida do seu valor.
São crianças sem dúvidas poéticas
Ou filosóficas.
Não há Hamlets entre elas.
Não estão entre o ser e o não ser.
Não são.
Por Cássia Janeiro
Elas esbarram em nós
Com seus chocolates, balas, truques
E limpam nossos pára-brisas nos faróis.
Sua infância escorre como aquela
Água suja que vejo no vidro.
Uma moeda qualquer
É a medida do seu valor.
São crianças sem dúvidas poéticas
Ou filosóficas.
Não há Hamlets entre elas.
Não estão entre o ser e o não ser.
Não são.
17 outubro 2010
EU TE AMO
Por Cássia Janeiro
Eu te amo como a violência das manhãs chuvosas
E a calma de um sábado.
Eu te amo como a madrugada desvirgina a noite
E como o céu guarda a lua.
Eu te amo sem razão e sem objetivo,
Sem começo nem meio.
Meu poema é uma oração que procura sua boca,
Que vasculha seu corpo.
Meu amor é simples e louco,
A pincelada amarela de Van Gogh,
A nota perdida de um tango de Piazzolla,
A palavra caída de Vinícius.
Eu te amo como o mortal
Que guarda a infinitude da solidão.
E te amo tão total e loucamente
Que você não nota,
Não sente.
Ah, se você pudesse sentir esse amor
E me mergulhar a cada instante,
Saberia, enfim,
Que se morre de amor
Para ter vivido.
Eu te amo como a violência das manhãs chuvosas
E a calma de um sábado.
Eu te amo como a madrugada desvirgina a noite
E como o céu guarda a lua.
Eu te amo sem razão e sem objetivo,
Sem começo nem meio.
Meu poema é uma oração que procura sua boca,
Que vasculha seu corpo.
Meu amor é simples e louco,
A pincelada amarela de Van Gogh,
A nota perdida de um tango de Piazzolla,
A palavra caída de Vinícius.
Eu te amo como o mortal
Que guarda a infinitude da solidão.
E te amo tão total e loucamente
Que você não nota,
Não sente.
Ah, se você pudesse sentir esse amor
E me mergulhar a cada instante,
Saberia, enfim,
Que se morre de amor
Para ter vivido.
Eu te amo como a violência das manhãs chuvosas
E a calma de um sábado.
Eu te amo como a madrugada desvirgina a noite
E como o céu guarda a lua.
Eu te amo sem razão e sem objetivo,
Sem começo nem meio.
Meu poema é uma oração que procura sua boca,
Que vasculha seu corpo.
Meu amor é simples e louco,
A pincelada amarela de Van Gogh,
A nota perdida de um tango de Piazzolla,
A palavra caída de Vinícius.
Eu te amo como o mortal
Que guarda a infinitude da solidão.
E te amo tão total e loucamente
Que você não nota,
Não sente.
Ah, se você pudesse sentir esse amor
E me mergulhar a cada instante,
Saberia, enfim,
Que se morre de amor
Para ter vivido.
Eu te amo como a violência das manhãs chuvosas
E a calma de um sábado.
Eu te amo como a madrugada desvirgina a noite
E como o céu guarda a lua.
Eu te amo sem razão e sem objetivo,
Sem começo nem meio.
Meu poema é uma oração que procura sua boca,
Que vasculha seu corpo.
Meu amor é simples e louco,
A pincelada amarela de Van Gogh,
A nota perdida de um tango de Piazzolla,
A palavra caída de Vinícius.
Eu te amo como o mortal
Que guarda a infinitude da solidão.
E te amo tão total e loucamente
Que você não nota,
Não sente.
Ah, se você pudesse sentir esse amor
E me mergulhar a cada instante,
Saberia, enfim,
Que se morre de amor
Para ter vivido.
03 outubro 2010
FLOR DO CAMINHO
FLOR DE CAMINHO
Por Cássia Janeiro
Há de nascer uma flor de lótus
No meio
Do caminho.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe
Com o que está à nossa frente.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe
Com o que está escondido,
Longe do nosso umbigo,
No mesmo cordão umbilical.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe
E não ache mais normal
Ver criança no sinal,
Sinalizando a lembrança do que
Não teve,
De quem não chegou a ser.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe e
Lembre:
O caminho do meio
Não é
O meio do caminho
Por Cássia Janeiro
Há de nascer uma flor de lótus
No meio
Do caminho.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe
Com o que está à nossa frente.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe
Com o que está escondido,
Longe do nosso umbigo,
No mesmo cordão umbilical.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe
E não ache mais normal
Ver criança no sinal,
Sinalizando a lembrança do que
Não teve,
De quem não chegou a ser.
Há de nascer uma flor de lótus
Permanente
Para que a gente suporte,
Para que a gente se importe e
Lembre:
O caminho do meio
Não é
O meio do caminho
19 setembro 2010
CHUVA
CHUVA
Por Cássia Janeiro
Há dias em que chove dentro de mim.
Não uma tempestade,
Mas uma garoa fina e fria que me
Toma de assalto.
Nesses dias a vida sofre para viver.
Nada pode ser feito,
Nada agasalha a alma doída,
Ao relento.
È antes uma névoa que me impede
A expressão,
Do que a ausência do que se pode
Expressar.
Em dias assim eu me recolho incompleta
E não me exponho ao sol,
Posto que seus raios não me penetram.
Em dias assim devo lembrar: isso passa.
Nesses dias, deixo-me chover e escoar
Por Cássia Janeiro
Há dias em que chove dentro de mim.
Não uma tempestade,
Mas uma garoa fina e fria que me
Toma de assalto.
Nesses dias a vida sofre para viver.
Nada pode ser feito,
Nada agasalha a alma doída,
Ao relento.
È antes uma névoa que me impede
A expressão,
Do que a ausência do que se pode
Expressar.
Em dias assim eu me recolho incompleta
E não me exponho ao sol,
Posto que seus raios não me penetram.
Em dias assim devo lembrar: isso passa.
Nesses dias, deixo-me chover e escoar
05 setembro 2010
O SEU LADO DA CAMA
O SEU LADO DA CAMA
Por Cássia Janeiro
O seu lado da cama ainda está quente.
Permanece o seu cheiro adormecido
Nas entranhas do cobertor,
Qual uma pequena brasa
De amor contido.
Não sei se tentei tudo o que podia,
Mas era o que podia.
Eu ainda o procuro
Como se fosse um pássaro
Na imensidão da minha floresta.
Eu ainda o procuro
Dentro de mim
Por Cássia Janeiro
O seu lado da cama ainda está quente.
Permanece o seu cheiro adormecido
Nas entranhas do cobertor,
Qual uma pequena brasa
De amor contido.
Não sei se tentei tudo o que podia,
Mas era o que podia.
Eu ainda o procuro
Como se fosse um pássaro
Na imensidão da minha floresta.
Eu ainda o procuro
Dentro de mim
25 julho 2010
POEMA DA TUA AUSÊNCIA
Por Cássia Janeiro
Para Antonio Candido
Um poema de amor na tua
Ausência
É mostrar a dor nua com
Inocência.
É falar dessa dor que não
Sinto
E que me dói por não
Senti-la.
Será essa uma mentira
Inacabada?
Será essa dor insuportável
Incapaz de sentir-se?
Um poema de amor na tua
Ausência
É uma vã tentativa
De te ver ali, imóvel,
E de te amar na sombra
Que ficou em mim.
Para Antonio Candido
Um poema de amor na tua
Ausência
É mostrar a dor nua com
Inocência.
É falar dessa dor que não
Sinto
E que me dói por não
Senti-la.
Será essa uma mentira
Inacabada?
Será essa dor insuportável
Incapaz de sentir-se?
Um poema de amor na tua
Ausência
É uma vã tentativa
De te ver ali, imóvel,
E de te amar na sombra
Que ficou em mim.
11 julho 2010
As crianças da Praça da Sé
por Cássia Janeiro
Naquele banco há uma
Mancha.
Disforme, em meio à inocência e à cola,
Ela ri
O riso dos famintos,
O riso sujo
Nosso de cada dia.
Crianças criadas
Pela rua,
Crianças crescidas,
Não nascidas,
Crianças mortas
No ventre nosso.
Naquele banco há uma
Mancha.
Disforme, em meio à inocência e à cola,
Ela ri
O riso dos famintos,
O riso sujo
Nosso de cada dia.
Crianças criadas
Pela rua,
Crianças crescidas,
Não nascidas,
Crianças mortas
No ventre nosso.
13 junho 2010
A MESMA CHAVE FECHA; A MESMA CHAVE ABRE
por Cássia Janeiro
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que alguma chave há de abrir esta porta emperrada.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que os cadeados serão rompidos num sopro quente.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que não calarei meu coração eloquente.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que vou decretar o fim de todos os muros.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que a substância da minha alma será cúmplice.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que as noites de inverno serão aquecidas pelo sonho.
E também juro que mais nada será escrito
A não ser em minha carne intermitente
Impermanente é a minha presença.
Mas, quando saio do meu quarto,
Sei que sou só eu;
Sou paisagem e personagem,
Escrevo meus roteiros e os dirijo
Da melhor forma que sei.
Quem aprende a sobreviver
Oculta ou desintegra algumas portas.
Não há infelicidade nisso
Quando repouso no Canon ou me embriago
Com a beleza de um dia chuvoso e frio,
Quando saio da superfície e do transitório.
Neste sanatório de palavras,
Sobrevivo.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que alguma chave há de abrir esta porta emperrada.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que os cadeados serão rompidos num sopro quente.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que não calarei meu coração eloquente.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que vou decretar o fim de todos os muros.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que a substância da minha alma será cúmplice.
Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que as noites de inverno serão aquecidas pelo sonho.
E também juro que mais nada será escrito
A não ser em minha carne intermitente
Impermanente é a minha presença.
Mas, quando saio do meu quarto,
Sei que sou só eu;
Sou paisagem e personagem,
Escrevo meus roteiros e os dirijo
Da melhor forma que sei.
Quem aprende a sobreviver
Oculta ou desintegra algumas portas.
Não há infelicidade nisso
Quando repouso no Canon ou me embriago
Com a beleza de um dia chuvoso e frio,
Quando saio da superfície e do transitório.
Neste sanatório de palavras,
Sobrevivo.
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