02 agosto 2013

ALFORRIA

Alforria

Por Wlaumir Souza

A liberdade que me concedes não era esperada
Não foi planeta
Arquitetada
Usas do teu livre-arbítrio
Foge

Nunca me ouvistes
Digo-te
- Casa?
Ouves
Casa.

Nunca me vistes
Apenas no retorno
No contorno

Sou-te grato pela liberdade
Afinal
No início
O amor subjuga, subjulga, submete
O amor concede poder,

Liberto por ti
Digo apenas
Segue a dor que escolhestes
De condenado a seguir apenas a natureza
Envelhecer e entristecer
Sendo o que nunca fostes

O que realmente és somente eu vi
Teus pais temem
Tua família acoberta

No limiar do silêncio
Respondo-te
Segue
Encontra-te na verdade da tua mentira

No grito do silêncio
Digo apenas
Tudo poderias ser
Agora segue a natureza
Trabalha para ter o que te foi concedido
Sem graça




31 julho 2013

TROVA CANINA

Trova canina

Por Alvaro Posselt

As coisas mudam na vida
meu velho amigo infiel
Com esta sua mordida
não vou inteiro pro céu

30 julho 2013

3 CANÇÕES NOVAS PRA TUDO QUE É CATÓLICO ABENÇOADO DO MEU BRASIL

por Vítor Queiroz



I

O PAPA


Lá fora, no vento bravo, na insistência 

da muriçoca
no ronco do motor o truque do papa
vive dando xabú.




II
O PERDÃO


Na sua cabeleira, Diomira, 
Fulano, 
Sicrano e Beltrano

Seu Manoel que veio do Sertão
carregadim 
de rama de algodão.

Seu Manoel que veio do Açú
carregadim 
de folha de caju.

Ninguém, enfim,
jamais encontrou o perdão.




III
O PECADO


Lá longe, no pardieiro, na brancura 
de um pé de algodão,
durante o banho dos felinos 

o pecado, o pecado onipresente, 
já tomou Doril 
pra não tomar no cu.

29 julho 2013

DOS ARQUIVOS: QUADRINHOS DO JECA TATUZINHO

Quadrinhos do Jeca Tatuzinho no Almanaque Biotônico Fontoura

Por João Antônio Bührer de Almeida

A idéia aqui é recensear os quadrinhos do Jeca Tatuzinho, criação de Monteiro Lobato, publicados nos Almanaques Biotônico Fontoura. Comecemos por estas duas versões mais recentes(1974 e 1986), até chegarmos às mais antigas:


27 julho 2013

PEIDORREIRA


Um cu sorri alegremente para a cara da sociedade.
Fossa a céu aberto, precisava cultivar mais dentes.
Tudo contra achaques moralistas presos sob véus.
As saias compridas a cumprir promessa de crente.
As vaias contidas, os gritos sem gozo pelo bordéu.

- Dê uma mente criativa ao são, torna-te demente:
Papa-léguas rezou célere à hora da missa do galo.
Até um morto falou no sétimo dia, a duras penas.
Escarnecer da carne fraca é punhetar o mole falo.

Man Ray "Bronislava Nijinska", 1922.



24 julho 2013

INCONSEQUENTE COLETIVO

Lafaiete Nascimento e o fanzine Inconsequente Coletivo

Por João Antônio Bührer de Almeida



Os arquivos incríveis,(mais conhecido como ais), pára um instante para responder cartas, ou melhor dizendo - acusar recebimento de correspondência física, ainda, o que é cada vez mais raro.
 Lafaiete é quadrinista e pesquisador da história dos quadrinhos, e publicou o primeiro número de Inconsequente Coletivo em 1997, e só agora em julho de 2013 saiu o segundo número. Ele me enviou uma reedição fac-similar deste primeiro número, que já é raro, e também o segundo, que veio à lume nestes dias de inverno bravo de final de julho. Lafaiete evolui muito neste últimos 16 anos, a olhos vistos. Meus parabéns a este novo jovem  talento das artes gráficas que está chegando.
A edição do número dois tem tiragem de  200 exemplares, e o meu exemplar é o vigésimo quarto de 200, assinado e numerado. Quando esgotar a edição ele prometeu  liberar a versão digital  pela net afora.
O artista publicou quadrinhos, poesia e agitos, sem falar que seu foco de atenção parece ser para com  as nossas cidades. Espaços que  estão cada vez mais cheios e os seus habitantes mais solitários, é o que se depreende de sua narrativa.

22 julho 2013

PRÓLOGO MAIS - ENTREVISTA COM ADONIRAN

                       
                                                  ENTREVISTA COM ADONIRAN

PRÓLOGO MAIS

                                                          Por Marco A. de Araújo Bueno

As coisas sobre cuja ciência nada sei – eu as desejo intocadas, encantoadas.
Exercem sobre mim tamanho fascínio, de tão assustadoras e ingênuas, que as prefiro flutuando alhures, sem captura plausível. Não ouso corromper o encanto e o espetáculo que elas encenam quando querem, quando caseiam. Ou quando as fazem casear aqueles que, de bom grado, aceitaram a roupagem de nome e etiqueta com que as desnudaram e exibiram.
E não porque sejam sacanas – uma madame Courier e o Rádium dela, o Moëbios e sua ‘banda’; o Einstein com sua sedutora E=M.C 2. Nem Lacan com os matemas, algoritmos.
Nem é casual que assim seja, pois o lingüista Saussure mostra que a relação entre os nomes e aquilo que buscam representar, embora arbitrária, é necessária à significação. Que seja.
A filosofia de toda ciência é um inventário de pequenos a enormes constrangimentos. Gaston Bachelard tanto o soube que dizia das teorias – são a constante reforma de uma ilusão.   
Se as desejo intocadas, encantoadas, é justo por fazer da ilusão a própria condição desse desejo.
Quando, casualmente, surpreendo uns marmanjos do saber – e suas simplificações sedentárias – ou uns ajumentados jovens pensadores (e sua prepotência estressada), quando os flagro tagarelando, excitados, sobre os signos das coisas, cuja representação, convencionaram existir, não raro, também fico excitado.
Tudo se dá como se, por vulneráveis frestas de sentido, eu perscrutasse, ‘voyeur’, a intimidade de um puteiro; ou a própria devassidão dos...adultos.
Será desse despropósito das palavras (não me apraz colocar um Manoel de Barros em nota de rodapé) e pelo fio de humor de um L.F.Veríssimo que, para logo mais (e com muito menos) cruzarei pontes de Safena para atingir plantações de falácias em  meus textos. Malgrado.∞[i]
               

                

 




[i] Enciclopédias de J.L.Borges

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