31 março 2011

SONETO XXV (EM VERSO ALEXANDRINO)


Por Marcelo Finholdt

"S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,"
Momento de grande depressão...

S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,

S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,

S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,

S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s.,
S.o.s., s.o.s., s.o.s., s.o.s. ...

 Música: Solidão - Madredeus
http://www.youtube.com/watch?v=CwO9lHwQ3R4

29 março 2011

JOSEPH HART VAUDEVILLE - 5


NOS CAPÍTULOS ANTERIORES a trupe do Joseph Hart Vaudeville tomava uma fresca na beira da estrada.

Nuvens ameaçadoras pairavam. Vai chover? as lonas e a possível apresentação dos histriões ficará comprometida? Boatos e risos de escárnio passavam de boca em boca: um anão e um pianista foram surpreendidos fofocando sobre o casamento e a conduta moral de seu patrão, Sr. Joseph.

E mais, não sabemos, se este e sua esposa teriam assassinado o velho proprietário Giacomo. Masenfim tudo está pronto, tudo anuncia...


Capítulo VIII

A MERDA

ou

O PRÍNCIPIO DO FIM


Jamais [ ................. 17pt. ] tudo & nada está pronto. Raios trovões projéteis. Veja só, Maria Amélia, estrangula a merda a merda. O quê? nossa garganta.

Mãos do pianista negro [ .... 4pt. ] pra que? de que adianta? você está vendo? Beletrar, anunciar, fazer e acontecer, intelligere. Bem pouco.

Pra que ler entra as linhas, pra que buscar a poltrona e o copo d´água.? Veja bem, a podridão está aí. Lona aberta, palma da mão fechada. Os ossos do pianista estão aqui. Clavícula, clavícula. Pela estrada afora.

Qualé a crueldade das palavras? Veja, Maria Amélia, o revólver sempre esteve engatilhado. Cai o pano. O palco, todavia, ainda está lá.

Nuvem? Mas borrasca não está no vento. Qué que as asas dos pássaros têm a acrescentar a este férreo parágrafo? Na beira da estrada [ .............. 14pt. ] não há nada. Prontofalei. Não há pedra que baste. Não há mais nada. Qué, Joseph Hart, que anuncia o bico do garnizé?



O ódio.


Redes de intriga tecidas com agulhas de osso e balas de latão. Não há prata num vaudeville tão, nas rodas dessas carroças tão, numa vida tão curta. Nessa vida de merda. Chove, Maria Amélia. Chove. Nessa vida de merda.

Não, não vou terminar tão cedo. Veja, tudo o que os bufos têm: enredos, rins, ampulhetas. Encharcados. O anão e o pianista sacudiram a poeira das mangas. Achtung! Nos tacões da bota do patrão caíram as primeiras gotas de chuva.

– Que merda! gritou Bia Havel. Vamos ter que arranchar no posto, hein? Que merda.

Lonas dobradas, ferida a linha fina. Para cá, uma navalha cortou metade do quadro. Que metade? Nada, ainda estamos bem longe do tiro. O urubu voa alto. Para que serve, então, o bico dos pássaros?

Bem no meio do quatro, a linha fina. Metades que não são metades opostas. Falar, O´Brien, é acumular escombros. Achtung! Vai chover. Chove. Choveu. Quando, entretanto. Chove ainda. Urubu na frincha da carniça. Espoleta e pólvora.

Nebertheless. Na beira da estrada [ ........................... 27pt. ] não há ralo algum. Para onde as baratas fogem então, porra?

... e agora? os saltimbancos chegãro ao posto de gasolina antes do anoitecer? e quando o ódio finalmente sair dos bueiros e do cano dos revólveres? quem vai limpar a merda?

Quem varrerá os nossos ossos do chão?


NÃO PERCA, NA TERÇA-FEIRA, DIA 12/05 LIBERTE SEUS ESCRAVOS COM ANTECEDÊNCIA E CONFIRA O PRÓXIMO CAPÍTULO DO NOSSO FOLHETIM...



Nota Grafológica

[ .... 4pt. ] e quetais = Pausas, my dear. Espere 4 segundinhos, tome um gole de café e volte à página.




{ESTAMOS EM OBRAS}

OBRANDO E TECLANDO NESTE VALE DE TUDO

ESTAMOS EM OBRAS


Com o perdão da redundância. É para sinalizar alterações internas em nosso cronograma,
na dinâmica dele. Haverá medida cutelar sim, não obstante, ainda hoje e, em boa hora, mais um
capítulo do folhetim do colunista Vitor Queiroz na coluna Folhethin.

28 março 2011

CISCO



Aqueles grandes olhos viram
e voltaram suas pupilas
rentes às pálpebras,
roçando os cílios
uns nos outros.

A íris redonda
do aro saltada e o
Cisco, oportunista, pousa
e para na borda da vista bonita
que aqueles olhos viram grande.

Enquanto dava volta
soergueu as sobrancelhas
e do nada, pára e olha.
Segue fixo e seco nos cantos
olhando ao lado a mancha
embaçada.

Leva as mãos à testa,
tapa firme e solta.
Deixa a fresta que o delata
nem nota, pisca,
e, novamente, pisca.

Fechado ele era ainda
e nem sempre isso ele era,
era às vezes.
Não dizia nada
devido ao sentido
que não era dele,
mas das palavras.

Assistia atento
os lábios da boca.
Lacrimejava salgado,
engolia seco,
molhava as mãos,
empoçados nas palmas.

.

27 março 2011

LEMBRETE PRA MEMÓRIA

Leia no Mundo Livro uma extensa entrevista (na verdade, a íntegra da versão editada que foi publicada nas páginas centrais de hoje do Segundo Caderno) com o escritor Michel Laub qu,e hoje, no dia 27 próximo, estará na Livraria Cultura de Sampa, onde haverá o Lançamento de "Diário da queda", já lançado em Porto Alegre.Agradeço a gentileza da cessão do teor via
http://bit.ly/ertb5B

26 março 2011

VIA

Av. Aguanambi fotografada da janela do meu apartamento, madrugada qualquer, Fortaleza/Ce.

Tem gente que não trafega, naufraga.
Ao acimentar semente para germinar autoestrada.
Realiza a motorsíntese, inalando carbônico.
Gasolina e álcool como se fossem água.

O asfalto dá crosta aos pés sem destino do profeta.
Preto-tapa-poros na testa. Pare. Siga. É logo em frente!
Poucos sabem ler as fissuras de calcanhares mendigos.
Sirene. Ceroto. Semáforo. Senhora a atravessar rua.
Para se seguir à risca na reta, tem de se perder na torta.
Se vier a viver a mil por hora, alimentar-se de poeira deve.
Sem consultar relógio, nem cobrar taxímetro, me leve.
Os quilômetros ainda a percorrer fuligentam demora.
Pneus envelhecem, ficam carecas, grunem alto e fino.
A existência: essa eterna sucessãozinha de acidentes.
E cá nós estamos, entre mortos e deferidos.
Cantando o hino dos buzinaços.
Comprando passagens só de ida.
Fazendo ponto nos faróis de milha.
Verde. Amarelo. Vermelho. Volta.
Esmaga escaravelho* na faixa de pedestres.

*No Egito Antigo, escaravelhos eram seres sagrados, usados como amuletos relacionados com a vida após a morte e a ressurreição. Utilizados em mumificações para proteger o morto no caminho para o além. 

24 março 2011

TROVAS METAFÍSICAS




                                               por Marcelo Finholdt


Mote
Pensou tanto sobre a vida,
Que acordou perante a morte,
Logo a foice deu partida,
Foi-se assim, pensou sem sorte.

Glosa
Pensou tanto sobre a vida
No regaço das manhãs,
Sob o sol sentiu-se forte,
Cultivou idéias vãs...

Pensou muito, sonhou tanto
Que acordou perante a morte,
Em seus braços, acalanto,
Sem destino, rumo ou norte.

Pensou sempre, de saída,
Bem sem laços, sem afãs,
Logo a foice deu partida,
Repartindo então seu clã.

Agiu sempre a natureza
Mutilando a vida aos cortes,
Foi-se a vida com beleza,
Foi-se assim, pensou sem sorte.

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