31 maio 2013

TÂNTRICO

Tântrico

Por Wlaumir Souza


Amo ser amarrado na cama
Em ti
Delírios
Sussurros e suspiros
Ata-me com estas fitas
Desejo

No teu cheiro
Acalma-me
Transpiras em mim
O eu em ti

Nós atados
Ávidos
Desenlaçados
Murudos


30 maio 2013

MORTEM SPIRITUS



Por Marcelo Finholdt
(Trova inspirada em minhas experiências religiosas inúteis.)

Hoje vejo que já vejo,
Velo a vela lá na vala,
Pois desejo neste beijo
Ser um Judas que te cala.

28 maio 2013

NANOROMANCE

Por Vítor Queiroz

GELO SECO

No dia em que eu espremia o limão cravo, lembrança de arquetípicos samburás... no dia em que eu espremia o limão da antiga fazenda, minha irmã, você fazia aquela cara. A boca torta, um muxoxo. Nunca fui embora, Tatá. Hoje na sala vazia, vendida para a fábrica de gelo junto com o restante da propriedade, não existe mais aquele fruto agridoce. Travoso. Mas atrás da porta eu espero por você. Para sempre? Não, Tatá, essa não é a pergunta certa, a verdadeira. O amor, Tatá, o amor é um menino todo queimado.

26 maio 2013

NA JANELA

Na janela


Por Wlaumir Souza*


Triste profundeza do poder entediado de si mesmo ao largo do encontro!

Ao largo
Encontro
Entediado de si mesmo
O poder
Triste profundeza

Do poder entediado de si mesmo ao largo do encontro!

Do poder
De si mesmo
Entediado
Encontro ao largo

De si mesmo ao largo do encontro!
Encontro
Ao largo
De si mesmo


Encontro!


* Esceve colunas quinzenais às sextas, excepcionalmente, neste domingo.

24 maio 2013

JACQUES PRÉVERT e IMAGINAIRES(1970)


~

JACQUES PRÉVERT e IMAGINAIRES(1970)


Albert Skira Editeur]
Dando uma comparada mais ou menos simplista, pode-se dizer que Prévert representou para a França o que Drummond ou Bandeira  foram para nós brasileiros. Isto é, traduziu a alma de seu povo em versos.
 Mas ele também foi ligado ao surrealismo; vejam aqui as colagens surreais que fez, e o Albert Skira enfeixou neste livro. Skira foi o sofisticado editor da arte moderna européia. 

Neste volume que possuo há uma tradução à lápis, feita pelo dono anterior.


 Curtam o Prévert, que é pouco conhecido no Brasil, inda mais como artista plástico. No Brasil há uma tradução de Silviano Santiago,publicada em livro,  para a Nova Fronteira(2000).


23 maio 2013

APENAS SEU CORPO


Apenas seu corpo



Permaneceu atônita por algum tempo, sem que pudesse pronunciar nenhuma palavra, era como se todo o corpo dissesse para parar, estar ali, ensimesmado, numa volúpia de encantamento. O diálogo tornou-se monólogo, o olhar somente parecia atento, a boca ficou calada, sem resposta, sem o dizer. Ninguém percebeu nada, será? Para ela era como se tudo aquilo fosse transparente, demasiadamente transparente. Mas não, nada percebeu nada. Apenas seu corpo num por vir.

A boca foi, aos poucos, voltando a ter palavras para dizer. Não que elas fizessem muito sentido. Então, caminharam na direção do... não há lembrança. Os pés seguiam outros pés para não ter de fazer o caminho. O olhar procurava outra coisa, o olhar queria embasbacar-se novamente. O corpo queria que aquele instante tomasse-o por um tempo indeterminado.

Prosseguiu. Era preciso. O gosto do ar que lhe tocara a pele deixou um cheiro de quero mais. Disfarçou. Fechou os olhos e, num suspiro, continuou com as palavras, as pessoas, o chão, as paredes, a porta, os móveis, o respirar, o viver. Apenas seu corpo num por vir.



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