Ilustração sugerida pelo filósofo -
Chiu Yi Chih
Neste intrépido
trepar e pitar
Mal me cabe em
sutilezas ou vãos,
Desperdício daquilo
que se vá
Refazer-me num
depois de amanhã;
Desonroso este
certame de mãos
Que mal sentem algum
onde se pousar-
Se é que quero um
desmanche deste afã;
Se é que ouso dormir
pra me acordar.
Fantasias que descongelam aqui
Mais adiante
encavalam-se dispersas;
Mais adiante me
afastam de você.
E se for-me este
amálgama consigo,
Mal me alcanço em
qualquer desfalecer
Que não seja torpor
de reunir farsas
*Este soneto inscreve-se no desafio de confeccionar poesias 'pós humanísticas' que
comporão uma antologia a que fui convidado por Luiz Bras há pouco. Optei pela
via formal (e não temática) para obter algum estranhamento: eu sujeito pós humano
vale-se de uma forma arcaica (no futuro) - o decassílabo-, mas coloca as tônicas nas
terceiras sílabas métricas. Na crítica do escritor Wagner de Souza esse recurso virá
melhor escandido, pelo que agradeço ao colega, também colunista aqui .