O que aconteceu naquele instante de noite
Beijaste quantas bocas num quarto a sós?
Tiraste quantas roupas num único açoite?
Sem poupar detalhe, diga-me o que fazes,
Quantos ases escondes na tua manga? Fale!
Soube por alto que, por baixo dos panos,
Rolou Dioniso fazendo um culto a Baco,
Trouxe uvas e depois te chupou os bagos
Sem luvas; nas costas uns rasgos insanos
Isso é sangue? Ah, vinho fora do cálice...
Carregas um redemoinho à cabeça, males
Todo o sentimento do mundo espraiado no gozo
Sem espanto, num antro novo que te embales.
Senão a malícia, o que nos porá aquém?
E há quem duvide desta verdade sedutora
Pois fé na santidade castradora muitos têm
Se fores te ajoelhar, esfola-te logo,
Mas de prazer!
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