05 junho 2012

INTERVALO COMERCIAL - FICÇÃO CIENTÍFICA

 Por Vitor Queiroz 




Lucienne L´accord abriu, então, a portinhola da direita. A escotilha toda esburacada, vidrões partidos, derrubada mesmo.
A lataria tronchou, pipocando... um gemido na fresta... Mocréia... outro abalo na frincha dos tempos verbais. Vá se fuder, biscate!
Lucienne L´accord, cheia de fuligem, berrava, perdida no meio daquela estúpida paisagem lunar. Maquiada na desgraça. Basta, pra mim chega, o rímel escorrendo.
Buceta!
 Fugia, pra quê? pra onde?, tropeçando nas próteses, nas suas próprias pernas de plástico. As suas de carne ossos nervos e epiderme haviam sido arrancadas pelos marcianos vingativos. Bum!... O ESTOURO com letra maiúscula, no quando entretanto:
Buceta! e a nave obsoleta, toda enferrujada, explodiu atrás da moçoila. Basta de marcianos. Lucienne L´accord ainda teve forças pra cuspir entredentes e, pimba, caiu de bruços na lua.
Branca imensa cafona e deserta.
A nave, sem quê nem pra quê, desintegrava peça a peça, no horizonte estrelado e um par de reatores seguia o rifão de Lavoisier no caos da galáxia: alta ciência alienígena pulverizada, afinal, em terra em cinzas em supernovas em sombra em nada. 





2 comentários:

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Pelos Anéis de Saturno, Vitinho, que Ficção Científica mais poética e proto-verniana esta prosa de marciano doido!Bravos!Se duvida, pergunte ao Causo, ao Luiz Braz; ao Tartari e ao Tavares, que estaremos publicados n'O Portal Estendido" breve, a coletânea cult sci-fi que, ora, tu me permite repercutir. Saudações dos Incas Venuzianos, diria o Lobão!Valeu!

Vítor Queiroz disse...

Obrigadão, Marco... pode repercutir sim, só me avisa preu ver como ficou! um abração, Vítor.

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