19 setembro 2013

RECESSO

Depois de quase 4 anos preparando chás literários diariamente para nossos queridos leitores, eis que nós, autores do Chaleira, chegamos ao nosso primeiro grande recesso. Precisamos mais que dar-lhes chás, é também necessária uma casa organizada e é nisso que vamos trabalhar durante esse tempo.

Foram mais de 20 mil visitantes nesse tempo, vindos de todos os continentes, tendo textos com mais de 3000 visualizações. Está liberado sentir orgulho disso, não está?

Bem, é isso, caros amigos. Nos vemos em breve :-)

13 setembro 2013

DOIS POEMAS ERÓTICOS DE DRUMMOND



Drummond e seus poemas eróticos em 1985

Volto ao assunto de um balaio seco para retificar meu erro,  pois ao escanear a página do JB, de 1985, esqueci de copiar também os poemas que exemplificavam o álbum de luxo Amor , sinal estranho, publicado por Gastão de Holanda. Que pecado não ter mostrado os poemas Sob o Chuveiro Amar e Tenho Saudades de uma Dama. O álbum para bibliófilos custava 3 milhões(alguém pode me dizer o que isto representa hoje?), com ilustrações de Enrico Bianco, tinha a tiragem de 100 exemplares. Creio que este livro depois foi publicado em edição comercial, mas com outra reorganização de poemas.





10 setembro 2013

3 CANÇÃO PRA UM DIA VÃO

por Vítor Queiroz


1.PRÉ-HISTÓRIA

Australopitecos Afarensis, querido avô
peludo, desprovido
de toda
linguagem articulada!

Vejo no oco
no toco, um osso torto. Vejo a charneca
da sua descendência
encher do hemisfério todo arrabalde.

Vejo na oposição
de seus polegares uma verdadeira hecatombe
de privilégios simiescos.



2.ESCALPE

Fio de navalha cortante:
à flor da epiderme gordurosa
jaz a verve moribunda.

Para que servem os dias vãos
e a vida é escalpelada em versiprosa?



3.TATURANA
Ária di Bravura

Recitativo

Pajé
taturana chacoalhando
o mbaracá
emplumado cantava
todavida:

- Panambi açú!

chamando a primavera

- Panambi açú!

Ária

Taturana-
brabuleta. Borboletodas.
Borbolequantas?

Uma canoa quebrada?

Taturana-
brabuleta. Na beira do rio
sombrio...

... flores raras de plástico bolha.

Taturana-
brabuleta. Borboletodas.
Borbolequantas?

Uma tabuleta afincada
na terceira margem do rio

Taturana-
brabuleta. Borboletantas... tantas...
todasvivas
no coração obscuro do desejo.

Asas de cascavéis
translúcidas,
cor-de-caju transcendental.




07 setembro 2013

EUNÍRICO

                                                                  Por: Paola Benevides
 
Eu sou o assombro às avessas, o escombro sem pedras, o murmúrio do rio que corre por debaixo das minhas descobertas. Eu sou o lírio manchado de branco, o acalanto funkeado das três horas da manhã com os bêbados em seus carros, acidentalmente mórbidos. Eu sou a semente do limão presa aos dentes do macaco, não tenho asco do medo, não tenho azedo nos espasmos. Sou livre de toda raça, de toda falta de cor. Sou a piração de Nero, a pilha alcalina dos crânios que não cessam à noite. Eu sou o dia na praia enfeitado por cocos abandonados em casca. Verde e dura. Esmeralda. Não tenho pudor das minhas vestes, mas estou nua nesta dança do ventre com um pênis amarrado à minha testa. Vou assobiar um cio, bicar um grito, cochilar um ronco na chuva. Vou caminhar sobre nuvens feito o piolho nas barbas de deus. Eu sou Jesus Cristo Conegundes Vieira. Analfabeto de pai e mãe. Eu sou artista de rua mal-amado no Brasil, bem acolhido em Londres. Eu sou de Flandres. Comi aroeira e arrotei juá. Não sei fazenda nada. Sob o luar, corrijo correntezas, acorrentando mares. Eu sou baluarte popular, solto pipa do telhado quando me dá na telha. Quebro ouvidos com passos, por cima, vejo estrelas. Encabulo cometas quando sei trovejar. Minha boca é um trompete, os olhos tímidos, os cílios cínicos a escovar ventania. Vou te falar. Eu estava comendo pipoca quando um dia me veio um estalo. Pensei. Por que não pular? Então, saltei de salto quinze da beira da panela e caí no gogó do sapo. Virei ebó de príncipe. Mastiguei, mastiguei e nada de casamento. Fiquei para titia. Agora, eu me pergunto: que diabos vim fazer aqui na fila de grávidos? Engordei com a cinta até a papada. Contratei cirurgiões cubanos, amiguei com um e tive três tiçõezinhos. Tinham dentes mais alvos que os de alho, a morder o mamilo de um só peito. O outro entupiu sem leite. Queriam morder o assoalho feito cães. Anos depois, eu me vi latindo, mais afável que os humanos. Havia transcendido às priscas eras do paleolítico. Rangava salada de plâncton. Virei vegetariano, mudei de sexo pela segunda vez, implantei microasas de colibris e me libertei do convívio com demaseados. Estou na medida. Ultrapassei os mil metros na maratona dos suplícios. Meu vício hoje é fumar maços cheios de ectoplasma. O fenômeno das mesas girantes acrescentei às atrações do trem fantasma. Fumacê de gelo seco. Eu sou um circo. Eu sou forragem, pasto e milho. Eu sou a ferrugem no trilho do trem. Eu sou um trailer antes habitado por Alex Supertramp. Mesmo fiasco, eu não me desisto. Back on the chain gang.

06 setembro 2013

MOEBIOS E A FICÇÃO ECONÔMICA - I

Moebius e a Ficção Econômica

Por João Antônio Büher de Almeida

Moebius e seus amigos criaram a Metal Hurlant,, no inicio dos anos 1970,  que praticamente deu o tom da Ficção Científica moderna nos quadrinhos. Mas também quis também  inventar a hq de Ficção Econômica, como mostra esta  hq de três páginas publicada no semanário L ´Express, em 1975.




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