20 março 2010

Mistérios Gozados*

Por Paola Benevides (ilustração e texto)

Ó, rabo de saia da sereia maia em pagã profecia: sacia minha água com toda a sede desse mundo que se finda. Afunda o dedo na fé rígida de Onã. Posso ajudar até com minha feminina saliva escorreita entre os seios nus a ornar crucifixo. Sou fixada em Pagu. Duela com ela, afoga, afaga, afogueia... Aaahummm, misericórdia. Êita, Diaba! Quem sabe a santa não vira cobra? Serpenteia de aranha?

Pois é, agora estão indo cobrar esmola até no céu-da-boca, no belo-léu, na estrela de Belém, no Café Bagdá. Assim não, não dá mesmo. É foda, hein?! Lá já tem escola de se fazer menestrel e fada. O que decerto muito me enfada: a freira, a mulher do padre, o bedel metendo o bedelho nos coroinhas e, além desses coroas todos atrás de mocinha casta, uma beata beatnick me bate à porta, recolhendo dízimo da população a ser dizimada, com toda fúria de Yemanjá. Diz rimada ainda que à nossa senhora falta um véu. É tanta desculpa, mea culpa esfarrapada.

Minha, esta senhora é que não é. Ainda se diz com Deus casada. Ora, antes ela estivesse tal Eva, pelada, a se enturmar com a víbora de Adão. Mas não, nem o cão dela se apoderava. Também pudera, da última vez em que foi por ele chifrada, pôs-se a praticar o pompoarismo com as bolas graúdas dum terço de madeira bem pesada que servia de enfeite na igreja. toc toc no microfone Santinha do pau oco. Fazia pouco do imortal. Devota devassa, infalível fálica, deglutidora do corpo de Cristo. Ave Maria!

A reza de todos os dias era para achar um homem que prestasse, mas que prestasse mais contas à ela, do arrecadado do papado, sendo o Bento dela. Era a própria besta fera em busca de um abestado.

Noite passada em seu recinto, após a missa do gargalo, ouvindo I've Got the Power! aquele Hit super anos 80, bebeu São Braz num vinho tinto e esbravejou:

- Sangue de Cristo tem Poder! Sangue de Cristo tem Poder!!

As irmãs do quarto ao lado reclamaram, pois tentavam assistir (desta vez sem lesbianismos) ao canal do padre jovem bonitinho tesudo carismático.

666 minutos depois, adormeceu tanto que sonhou. Viu-se longe do calor de seu hábito, vestida num corpete justo com saia mini. Deusa seja louvada. O batom tão vermelhozente quanto o salto, rímel preto-tenso nos olhos e força, muuuita força na peruca. Foi quando Maria Madalena, bendita que só ela, cá entre nós, na encruzilhada da Luz com Madonna e a Pomba-gira, então gritou:
- JESUS te ama, minha filha!
(Logo essa filha da puta)

E a profana carola a cantarolar começou:

Life is a mystery
Everyone must stand alone
I hear you call my name
And it feels like WOMAN



*Texto interpretado pela autora em recital: "A Literatura sempre foi Mulher", da Quarta Literária Especial do mês de março "delas", relizado no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, Ceará. (Dia 17/03/2010)

3 comentários:

Marcelo Finholdt disse...

Vixe... ah... quis comentar.

Kiss

Kiss sss sss

Paola Benevides disse...

Hunrrum...

Vilemar F. Costa disse...

hhuuummmm LESGAL
ahahahahahahhhhhhhhh
Lubricamente lascivo
VFC

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