13 junho 2010

A MESMA CHAVE FECHA; A MESMA CHAVE ABRE

por Cássia Janeiro


Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que alguma chave há de abrir esta porta emperrada.

Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que os cadeados serão rompidos num sopro quente.

Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que não calarei meu coração eloquente.

Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que vou decretar o fim de todos os muros.

Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que a substância da minha alma será cúmplice.

Quando, sozinha em meu quarto, fecho os olhos
Juro que será diferente
E que as noites de inverno serão aquecidas pelo sonho.

E também juro que mais nada será escrito
A não ser em minha carne intermitente
Impermanente é a minha presença.

Mas, quando saio do meu quarto,
Sei que sou só eu;
Sou paisagem e personagem,
Escrevo meus roteiros e os dirijo
Da melhor forma que sei.

Quem aprende a sobreviver
Oculta ou desintegra algumas portas.
Não há infelicidade nisso
Quando repouso no Canon ou me embriago
Com a beleza de um dia chuvoso e frio,
Quando saio da superfície e do transitório.
Neste sanatório de palavras,
Sobrevivo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Que sobrevenham as palavras... sempre em sobrevivências e vivas vivências poéticas.
Afonso

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Sublimação - o recurso/pérola da ostra, ei-la aqui a céu aberto, uma constante em sua poesia.
Benvinda, Cássia!

Rafael Noris disse...

Bela estreia! A repetição não estraga em nada o poema, confere um ritmo que nos leva a passear por estes sentimentos aproveitando o que há de melhor neles.

Abraço!

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