11 janeiro 2011

MORDIDA

MORDIDA


Por Bia Pupin


Dar cabo de tudo isso foi necessário; um exorcismo o que viveu. Durante esse período da sua vida, sem critério de tempo, vivendo de sonho, que acaba.
Renata apenas se cansou daquilo tudo. Era necessário embeber, como música que finaliza o prelúdio da desconfiança criada.
Renata apenas voltou a se sentir uma. Foi sua solidão o que a tirou de todos os lugares e a jogou nela.
Ao som de divas cantarolando seus desamores, tão intensos e fatídicos. Morre como efeito de mulher de botequim carioca. Infarto fulminante - as unhas rasgam a pele da mão, depois de súbitos espasmos. Sozinha na cama.
Assim como se morre amor rompido. Sem nada que se possa fazer. Talvez um gole da garrafa de Rip Van Winkle fosse suficiente para apenas desaparecer.
Como música que desafina, mulher como todas as outras, assim como é porque é. Vivendo o futuro de todos, mas pra ela passado enterrado.
A porta trancada e o cigarro queimando conferem o tom dramático. A feia mordida no lábio sangra a morte amarga.

4 comentários:

Amanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amanda disse...

poxa, desta vez terei de fazer um comentario: vc morde e quase e me mata! na verdade a renata sempre me morde - tenazmente - mas desta vez ela quase me mata. parabens, bia! sou sua fa! vc mte suspira e e' inspiradora. - ahhh ...!!! - continue a nos arrancar estes suspiros.

Bia Pupin disse...

Que delícia Amanda!
É que eu tb fui mordida pela Renata- era matar ou morrer!rs
Obrigada!

Tilzão disse...

Nossa Bia, não sabia desses seus dotes artísticos... Como havia lhe dito, tem muita dor aflorando na Renata, me lembrou uma dor imensa que a gente sente ao ler "Os Mandarins" da Simone de Beauvoir. Ali uma das personagens (a própria Simone) Anne Dubreuilh no final repassa tanta dor, que deixa a gente numa sensação pra lá de down... Mas ó, só fez lembrar... Aqui ainda tem perspectiva, e penso que isso é bom... Beijos.

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