14 agosto 2010

GALERIA DE SONHOS

Por Daniel Matos

Nossos sonhos são um efeito de nossa mente organizando nossas memórias do dia. Nossas memórias são apreensões de momentos construidas sobre significados de associações passadas. O presente interpreta o passado, o passado dá o conteúdo, ao conteúdo se adiciona o instante. 

Um momento de tristeza é associado ao cheiro de camomila, pois quem o causou estava usando esse perfume. Em outra época o cheiro de camomila é associado a um chaveiro de palhaço, tocado ao mesmo tempo que um chá afluía seu vapor. O instante presente trás a tristeza, e na noite vem a visita do palhaço, a lembrar de momentos tristes aos quais nunca participou.

O cinema, o templo do sonho, trás toda uma nova galeria de associações para aquele que sente enquanto o visita. Dele afluem novas imagens, novas associações, para enfim vazar por nossas memórias ao campo dos sonhos. Pode-se sofrer a perda de alguém não entre as paredes frias de uma lanchonete onde se foi deixado com lágrimas a vazar, mas em vez disso dentro de um trem no ano 2046, assombrado por amores perdidos entre o neon. Pode-se ter reencontros, beijos, apertos, nunca mais a ser tidos no concreto, agora dentro de um carro dos anos 40, fugindo de mafiosos com suas metralhadoras. Pode-se se perder infinitamente num ciclo de novas lembranças que nunca deveriam ser tidas.

3 comentários:

Bruno Resende Ramos disse...

"Um momento de tristeza é associado ao cheiro de camomila, pois quem o causou estava usando esse perfume. Em outra época o cheiro de camomila é associado a um chaveiro de palhaço, tocado ao mesmo tempo que um chá afluía seu vapor".

Interessante investigação e constatação da relação de fatos marcantes aos sentidos ativos no acontecimento. Creio muito nessa verdade.

Parabéns pelo texto, provoca em nós uma bela reflexão da vida.

Rafael Noris disse...

Adoro tudo o que é relacionado a sonhos... Quando eu tiver dinheiro, vou pedir para o Marco me atender e também ir ao cinema assistir A Origem (filmão sobre sonho que estranhei não aparecer ao menos num rodapé do post).

Abração!

Andressa Serena disse...

Quando era garotinha, minhas provas de matemática na escola sempre eram aplicadas em dias de céu cinza e chuva rala - sabe aquela chuvinha chatinha? Aquela que você nunca sabe se é chuva ou garoa! - aquela tarde que nos trazia sempre um espírito melancólico... Ai! Acho que é por isso que eu não gosto de matemática ou é por isso que acho dias cinzas tristes e melancólicos... Malditas provas de matemática!

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