24 março 2011

TROVAS METAFÍSICAS




                                               por Marcelo Finholdt


Mote
Pensou tanto sobre a vida,
Que acordou perante a morte,
Logo a foice deu partida,
Foi-se assim, pensou sem sorte.

Glosa
Pensou tanto sobre a vida
No regaço das manhãs,
Sob o sol sentiu-se forte,
Cultivou idéias vãs...

Pensou muito, sonhou tanto
Que acordou perante a morte,
Em seus braços, acalanto,
Sem destino, rumo ou norte.

Pensou sempre, de saída,
Bem sem laços, sem afãs,
Logo a foice deu partida,
Repartindo então seu clã.

Agiu sempre a natureza
Mutilando a vida aos cortes,
Foi-se a vida com beleza,
Foi-se assim, pensou sem sorte.

Um comentário:

Paola Benevides disse...

Mote eterno: a morte. A gente vive pensando nela.

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