29 outubro 2011

DESCONFIGURADO

Por Paola Benevides

Dura qualquer dureza tempo suficiente para ser quebrada
Promessa endivida só quando religiosamente não se paga
Leve gato por lebre em pele de cordeiro ao lobo do homem
Tomem providências em taças cabíveis, provem trapaças
Tramem amores sem que eles tremam, rufem os tambores
Trepem nas árvores do Éden para colher maçãs e iPhones
Gritem afônicos seus planos de vida, pesadelos e sonhos
A cura para todo o mal está à venda em pequenos frascos
Procure-se através do espelho tentando juntar seus cacos
De joelhos sobre milhos, cacareje, chore pelos crocodilos
Que arrancam seus couros para fabricar chapéus e botas
Cotovele-se na dor até que a morte o separe desse corpo
Que não te pertence!


Quem não te apetece
Merece o estorvo público de um ovo cru lançado à cara
Dê pena à galinha e ela voará, dê pênis e criará asinhas
Caralho voador alcança bocas sujas sem precisar de 69
O grito feminino é capaz de quebrar até bolas de cristal
De visionárias mulheres se tornam bilionárias aos tostões
Culhões têm mais que muitos homens por aí, sem hímens
Por aqui parece ser a guerra a regra, com balas de festim
Fazendo festinha, chupando existência com papel e tudo
Tem gente que sabe ser um porre mesmo sem ter bebido
Tem animal que consegue ser humano com simples latido
Há até quem se compadeça por teres nascido por perto
O certo é que o mundo anda manco, assim, equivocado.



4 comentários:

Cecilia Prada disse...

"Staggering", "embasbacante", Paolinha! E aproveito para agradecer o teu comentário (só lido hoje) ao meu texto da semana passada. Não existe entre nós, certamente, um "clube do elogio mútuo", mas uma grande afinidade, mesmo!

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Valeu cada minuto de espera,lOLA; A QUALIDADE E O 'IIMER', a cada pouco mais surpreendente.Monadácidas, contundentes.

Anônimo disse...

...Repito aqui o que tenho dito do que se tem escrito no de chaleira: é um escândalo que esta gente se arrogue o direito de escrever. São uns pulhas, uns cabotinos em cujas páginas mais experimentamos uma sensação de perda... de perda de tempo...

Paola Benevides disse...

Grata, queridos. Encontro aqui acolhimento em boas leituras e livre exercício escritural.

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