Às estações!
(escavando o fundo da furna "escavável")
Por Marcelo Finholdt
São tantas
que
nem
de
mim
sei.
Não sei se
choro
ou
debulho-me
,
nem mesmo
sei
se
hoje
bebo
de
mim.
31 janeiro 2013
30 janeiro 2013
ME, MIM, COMIGO
Me, mim, comigo
Por Alvaro Posselt
Eu e meu amigo imaginário brincávamos no jardim.
Meu amigo imaginário fez toc toc toc na minha cabeça e perguntou:
- Tem alguém aí?
Para nossa surpresa alguém respondeu.
Eu, meu amigo imaginário e alguém brincamos a tarde inteira no jardim.
29 janeiro 2013
METAFÍSICA DO FIAR
METAFÍSICA DO FIAR*
Não é pra qualquer um, é pra todos que confia
[*Microconto de dez
palavras. Vide grupo https://www.facebook.com/groups/moteamicro/454505327949668/?notif_t=group_activity]
26 janeiro 2013
ÍNDICES*
Por: Paola Benevides

A agenda não age por você, anota uma ação para não esquecer.
A bússola não aponta um caminho certo, só ajuda na localização.
A mãe não cria um filho para si, o mundo fará parir o seu destino.
O carro não guiará sozinho, mas as viagens lhe trarão mobilidade.
O avião não decola por ser leve, suas asas que o sustentam no ar.
O amor não perde a direção, paixão é o pior cão de cego que há.
A calculadora faz suas somas, mas quem presta as contas é você.
A lavadoura só lavará roupas sujas se forem trocadas em miúdos.
A vida continua quando a morte deixa, questão de saúde e sorte.
O pente induz a eletricidade estática, não move um fio sem a mão.
O pênis só irriga até a cabeça se, erguida, não falhar seu coração.
O tempo assa carne, o pó da ampulheta salga o ser, bem passada.
A hora de viver já está programada, os ponteiros são duas pontes.
A travessia se dá entre abismo e monte, alcançará o que escolher.
A chegada será quando se der a partida ou ao se puxar o gatilho.
*Índice dentro da Semiótica é um signo indicador. É quando o significante remete ao significado tomando como base a experiência vivenciada pelo interpretador. Por exemplo, ao ver uma imagem de um carro sem a maçaneta, estando apenas um buraco no seu lugar, isto é um índice de uma tentativa de assalto. Mas isso só se torna evidente porque temos experiências anteriores com assaltos, seja através de experiências pessoais, seja por reportagens vistas no telejornal diário. Segundo Peirce o índice opera pela conexão de contigüidade de fato entre dois elementos.
23 janeiro 2013
HAICAI DE VERÃO
HAICAI DE VERÃO
Por Alvaro Posselt
Vai trôpego o bêbado -
Na mão um ramo de hibiscos
pra se segurar
22 janeiro 2013
Feliz Ano Novo - 2
Por Vítor Queiroz
ÁGUAS
DE
OXALÁ
5.A CABANA DE OXALÁ
Folha verde!
palha de coqueiro um lenço
um laço branco
Folha verde!
tudo muito bom
tudo muito bem amarrado
e a sua cabana
já tá feita, orixá.
Oxalá, meu pai
e minha mãe,
vem morar no meio do povo!
6.IGBIN
Rum rumpi
lé
toque de aguidavi
debaixo do alá:
Os orixás tão chegando!
Aguidavi: varinha, baqueta utilizada para tocar a família de 3 tambores do candomblé Ketu: Rum, Rumpi e Lé
Rum rumpi
lé
toque de aguidavi
debaixo do alá:
Os orixás tão chegando!
Aguidavi: varinha, baqueta utilizada para tocar a família de 3 tambores do candomblé Ketu: Rum, Rumpi e Lé
Igbin: Toque de Oxalá; caramujo, "boi de Oxalá", animal consagrado ao orixá.
7.OS ORIXÁS CHEGARAM!
Rum rumpi
lé
caramujo deixa
(e não deixa) rasto no mato.
Epê êeeeee, babá!
Rum rumpi
lé
caramujo deixa
(e não deixa) rasto no mato.
Epê êeeeee, babá!
8.ALVORADA
Tudo quieto!
O alá, teto de brancura,
tremeu -
um vento, um clarão.
No chão molhado, ainda escuro,
o velho orixá passeia
Epa, epa Babá!
Tudo quieto!
O alá, teto de brancura,
tremeu -
um vento, um clarão.
No chão molhado, ainda escuro,
o velho orixá passeia
Epa, epa Babá!
21 janeiro 2013
FAZENDA NOVA
Por Guilherme Salla
Quando cai o pano
do ano que termina,
sobe a bandeira
branca do novo ano.
O tecido infindo
do tempo costurado
com linha branca,
cobre tudo e todos
sob a tenda de linho.
Alvejar o passado
com água sanitária do futuro.
Almejar o tecido passado,
alisado e sem vinco
cheirando à lavado.
.
Quando cai o pano
do ano que termina,
sobe a bandeira
branca do novo ano.
O tecido infindo
do tempo costurado
com linha branca,
cobre tudo e todos
sob a tenda de linho.
Alvejar o passado
com água sanitária do futuro.
Almejar o tecido passado,
alisado e sem vinco
cheirando à lavado.
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