05 fevereiro 2010

TROVA

Por Marcelo Finholdt


Pensou tanto sobre a vida
Que acordou perante a morte.
Logo a foice deu partida;
Foi-se assim, pensou sem sorte...

.

7 comentários:

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Era a segunda metade do séc. XIX e o Edgar Allan Poe já achava uma sacanagem "julgar um obra literária pela sua extensão". Referia-se à prosa; exímio contista, o deus de Baudellaire. Pero,acá,una trova que toda trova, trova es, parafraseando Calderon De La Barca - "Vida es Suëno".¨

Paola Benevides disse...

Vou introverter Finholdt sem permissão:

Pensou tanto sobre a morte
Que acordou perante a vida.
Logo à coices deu partida;
Foi-se assim,
o cavaleiro sem norte...

Um texto curto (não-café-pequeno) nos permite alongar nos exercícios!

=°)

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Começam a surgir as interpenetrações; é o crava a propriedade boa do 'coltivo'. Que vengan!

Rafael Noris disse...

Interpenetrações é foda, hein? ops, quanto erotismo nestes comentários... Marcelo, muito linda a trova! Tão filosófica, um baita dum trovão.

;)

Abraço.

Marco A.de Araújo Bueno disse...

"Foda" é 'trovão", nesta quarentena de temporais e aluviões.Na esteira no filosófico, note que 'interpenetração' nada tem de erótico, dada a impossiblidade anatômica, pois não?
Interessante seria acoplar teus desenhos ágeis, de traços minimalistas, às produções muito breves, como haikais, micros e trovas.Com a devida Vênia do nosso ilustrador, por supuesto.

Marcelo Finholdt disse...

Paola! Sem permissão é melhor ainda pois estamos aqui, neste espaço, para tecermos mesmo! Sempre avante e forte!

Agradeço eu.

"Forte abraço, força sempre!"

Marcelo

Luciano Garcez disse...

Belo mote Sá de Miranda, Fin-holdt.

Me deu vontade de "paolá-la" através, mas na glosa:

"Pensou tanto sobre a morte
Que acordou perante a vida.
(mote)

(glosa)
Diante da vida sobrevida
sempre vinda e dentro sempre
instava-se por demais estranho gosto
e não se via mais se antes-entre.

E a noite trançando a melena
dos fios estelares do Abismo
fez com q sonhasse desabares
pois pensar tanto sobre a vida
acordou-o e ao lado
o corpo chumbo abriu os olhos
e o hálito do barro sobre si.

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