15 março 2012

ALIMENTO

Alimento

Por Vivian Marina

O mosquito entrou na sala, a televisão estava ligada num canal qualquer, havia também alguém deitado no sofá que o testemunhava, almofadas jogadas, o tic tac de um relógio sobre a mesinha, a cortina branca que permitia a luz do sol adentrar e aquecer. O mosquito não veio buscar comida, talvez a companhia de outro mosquito, ou outro inseto amistoso, talvez buscasse uma janela na qual ganharia novamente a liberdade, só que a cortina escondia a janela fechada. Pousou então sobre a cortina, na esperança de que houvesse uma fresta pela qual o vento soprasse e a cortina acalentasse-o, daí, então, prazenteira abrisse seu caminho rumo a outros (en)cantos. Isso não aconteceu. Tentou ele mesmo fazer com que a cortina desgrudasse da parede e nesse entre encontrar um vão para o lado de lá. Mas isso também não aconteceu.

Cansado de esperar pelo pequeno buraco não encontrado, retornou pelo caminho que havia entrado naquela sala, ali sim poderia avistar uma possibilidade outra. Foi então que avistou uma flor no jardim dos fundos. Ela também não o alimentaria. Será?

Sua busca realmente não era a saciedade orgânica, era o encantamento. Permitiu-se avistar, pousar, contemplar aquela flor, naquele jardim. Isso o alimentaria de outras formas. O faria querer estar no mundo repleto de belezas e tristezas, as primeiras incitando coisas acesas por dentro e as últimas apagando belezas pelo sofrimento.


Um comentário:

Paola Benevides disse...

http://www.youtube.com/watch?v=puXINdXQgRo

Related Posts with Thumbnails