01 setembro 2013

Existe um claro motivo,

para vivermos de espera
de sobreaviso
de incompletude.

Algo de uma razão sublime e última
como o resultado de um cálculo
cujos termos conhecemos só
o desgaste
escassez
o entrevamento.

Tempo de menos é bom
porque demais é excruciante.
é como a sanção mais dietética
do primeiro tédio
e das primeiras tardes tornadas noites
noites sem brilho
sem riso
só o entrevamento

Existe mesmo um motivo palpável
que, de injustos, talvez dele façamos mal juízo,
para que nas cidades enlouqueçamos
e sangremos o tempo através da camisa

É alguém, cujo rosto não revelaria nunca,
dizendo-nos que se tivéssemos,
afinal,
este tempo
ele apodreceria como frutas num hotel vazio.
Gastá-lo com o quê?
Quem?
Por quê?

A falta dele nos sentencia a uma posição
de confortável resiliência,
confortável porque não requer nada,
não move ninguém,
não destrói nem constrói
quando muito permite um suspiro
que logo se desmantela na concretude
do não-tempo

Temos mais é que viver com pressa
e em crescente velocidade
e fazermos tudo pela metade
para que em nossa esquizofrenia
de habitar entre lugares o intervalo
possa haver, enfim,
simultaneidade.



Um comentário:

Carolina Ferraresi disse...

Li as primeiras linhas e já sabia que era seu.

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