28 fevereiro 2010

FRAGMENTÁLIA IV - DROPS TEÓRICOS + Mcs+ILUSTRAÇÂO

FRAGMENTO TEÓRICO III
Por Marco A. de Araújo Bueno

"...Microcontos, minicontos, paira sobre a extensão/nomenclatura de narrativas do gênero (e a própria questão de afirmar que se trata de um gênero será, aqui, pouco importante, em que pese o fato de Graça Paulino, em livro didático de 2001, abrir um capítulo para o “miniconto” enquanto gênero) alguma dispersão teórica, seria o emblemático conto monterrosiano, de fato e de direito, o mais curto? Há que se considerar, a propósito, a pouca literatura teórica a respeito, rarefação que torna fundamental, neste ponto, o livro “Microrrelato”, de 2003, em que David Lagmanovich enfatiza, optando por “microrrelato” (não o seria para nós, brasileiros, para cuja palavra reservamos entendimento algo científico, de “relatório”, p.ex.) ou “microconto” (tal como denomino minhas “tessituras” e considero as que virei a citar nesse contexto), a importância da propriedade que uma narrativa deveria ter, que, segundo ele, a tornaria legível, plena e satisfatoriamente, em si mesma, diferentemente do fragmento, da máxima, da anedota ou alusão. Importa que seja curta e que haja narratividade nela, tal como a esclarecerei cotejando estudos pioneiros no Brasil, como a dissertação de mestrado de Marcelo Spalding na UFRGS, neste ano de 2008. Formas breves aparentadas de efusão lírica, de capturas contemplativas da natureza observável (no caso dos haicais), deduções sob forma de sentenças (tais como surgem no romantismo alemão do final do século XIX, com os filosofemas de Schlegel [“Toda prosa é poética”] e Novalis [“Tudo deve ser poético”]), aforísticas, etc., posto não passarem pelo crivo da narratividade, por razões que porei em relevo, não serão contempladas enquanto Microcontos, minicontos etc., etc.

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NOTA IMPORTANTE SOBRE MICROCONTOS – Mcs :

El microcuento poseería características estructurales propias, según el ensayo de David Lagmanovich “Hacia una teoría del microrrelato hispanoamericano”:

“El microrrelato no puede entenderse sino dentro de un proceso de evolución del género 'cuento' que, como ya dije, para nuestra literatura comienza en el Modernismo. Esto no quiere decir que cuentos y microcuentos sean la misma cosa. Surgen como parte del impulso creador de nuestros escritores; pero, mientras que el cuento es ya una forma establecida desde el siglo XIX y tiene, como diría Horacio Quiroga, su propia retórica, el microrrelato va encontrando la suya a medida que sus autores prueban diversas vías de enfoque. Las minificciones son parte del continuo narrativo, que contiene también ciclos novelísticos, novelas individuales, nouvelles y cuentos: pero —repito— no son la misma cosa cuentos y microcuentos, de la misma manera que la novela y la nouvelle (como lo advirtió Goethe en sus conversaciones con Eckermann) tampoco son la misma cosa.” (Lagmanovich.1996:23).

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“Patrulhas & Matilhas”
Por Marco A. de Araújo Bueno

Novalis apareceu-me em sonho-"'Crime e Castigo'- vociferava, extemporâneo - voa!"

[Mc monofrásico de dez palavras que fecha o recorte dos trinta com que ilustro o condensado teórico, cujos fragmentos tenho publicado nesta coluna. A referência é absolutamente intratextual em relação à tese de doutorado 'Brevidade e Epifania na Micronarrativa Contemporânea';Unicamp-2008. Vide considerações estéticas sobre Novalis na coluna do Luciano Garçez desta sexta última, dia 26]

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Por Rafael Noris




O cheiro de sopa no velho caído: ninguém sentiu.


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A Parte II da BIBLIOTECA DE BREVIDADES ficará para a FRAGMENTÁLIA V; até o próximo domingo!

3 comentários:

Luciano Garcez disse...

"unam os extremos e então terão o verdadeiro meio" (Schlegel, 20., no Lyceum)


"Las minificciones son parte del continuo narrativo, que contiene también ciclos novelísticos, novelas individuales, nouvelles y cuentos".

A conceituação é interessante, mas lembro que a idéia elíptica, de condensare, contar pensar-curto, tem sua origem nos fins do séc. XVII aoXIX, com Chamfort, Rochefoucauld e etc. um conceito q W. Benjamin (cuja obra crítiva nunca se livrou das influências de Novalis und Schlegel) entende por "auto-suficiente esteticamente, mas pleno de vasos comunicantes com o todo", principalmente ao se referir à pintura de Caspar Fridriech e ao Trauerspiel. Sobriamente como sempre, Charles Rosen, pianista e o maior musicólogo "romântico" vivo, indentifica o "conciso-inciso" e explica-o maravilhosamente na música de Chopin (nas Mazurcas) e Schumann (autores do séc. XIX): este último compunha micro-narrativas em, por exemplo, "Carnaval", onde há de tudo, só que curtissimamente.
E este fole de amplos respiros-tosse, grandes períodos-síncopa, é comum e cada vez mais, desde a Modernidade e mais ainda, na chama PÓs-Modernidade: Céline versus Duras (citada aqui), Withman versus Emily Dickinson, Mondrian versus Chagall, João Cabral versus Guimarães Rosa, Webern versus Stravinsky, Dalton Trevisan versus Vargas Llosa - a lista é infinita...

Como disse por mim, e bem melhor, Schlegel no começo, "unam os extremos..."

Parabéns, Marco e, sobre Melanie Klein e a agressividade, me atrevi, pisando em terra alheia - a sua seara - lá no último post. Virou "mecanismo de defesa" a minha suposição...rs...?

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Viva fosse, a Melanie diria que você é 'de morte', Garcez. Caudalosos comentários eruditos...fique à vontade, obrigado!

Tsu disse...

Olá Marco, tudo bom?
Acabei de acessar o blog e devo dizer que o adorei. Realmente é o tipo de página de virtual difícil de encontrar atualmente.
Assim, tomei a liberdade de adicioná-lo no orkut. E aqui deixarei também o link para acessar meu blog. É um pouco diferente do E Chaleira tanto no layout quando no assunto em si. Minhas resenhas são mais simples, voltada ao público "do ramo" dos assuntos abordados mesmo além do que possui um toque pessoal meu. Tomei a liberdade de já colocar o link de seu blog no meu pois assim poderei acessá-lo mais facilmente.
Se possível gostaria de manter contato contigo para trocar idéias.

obrigada pela atenção.
ah,se não se lembra de mim eu sou a Priscila, que trabalha na loja Olhar do Oriente.

Agora, comentando sobre o último post devodizer que a notícia sobre a morte do idoso á 3 anos na França me deixou profundamente perturbada. Que nível chegou a sociedade para esse tipo de coisa acontecer? Um lugar onde sua existência não possui qualquer valia e que ninguém parece preocupar-se com você só pelo fato de não possuir familiares.
É um pouco perturbador chegamos assim ap ensar que obrigatoriamente devemos estar rodeados de familiares ou não conviver só pois se não tivermos isso é como se não existíssemos.
Estou aqui a filosofar ainda mais sobre isso mas não o colocarei neste comentário.
Afinal minhas próprias divagações conseguem ser muito maiores do que um microconto. Assim chego a conclusão que escrever um microconto pode se mostrar ainda mais difícil do que se escrever um conto.

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