24 maio 2010

Dois Tercetos Guilherminos

BUCÓLICA

Estrada da roça:
correu pra dentro do breu
o rapaz. E a moça.


ps: Agradeço o post anterior, feito pelo Marco. Tentei compor de tudo para homenagear o meu bichinho, mas quase tudo saía tosco ou piegas. É foda, ser pai, pegá-lo pela primeira vez, é indescritível. Por isso hoje postei um haikai guilhermino sem nada a ver com minha situação, como alternativa racional. E outro sobre El Miguelito, que segue abaixo.
Abraço!

Uma tentativa de terceto guilhermino para o pequenino:

MIGUEL

na tarde d'outono
trilho uma nova via, um filho
a tirar meu sono.

23 maio 2010

GENITÁLIA CERVANTINA

EL MIGUELITO
Recomenda-se para este especialíssimo domingo outonal, um dos mais harmoniosos e surpreendentes conjuntos de micronarrativas no qual enredamos o nascimento, hoje,do

Miguel Noris, filho da Francine e Rafael, um dos autores desta coluna. Ele, o primeiro

rebento não virtual nem literário na vigência do De Chaleira, descrito pelo acanhado pai

como 'robusto e pintudo', evoca-nos a epifania de um 'Dom Quixote', pois não? E garanto

que concisão e alumbramento aos futuros haikais do nosso colunista.

Vida longa, Miguelito! De resto, é tudo brevidade.

22 maio 2010

PÓS-SONHO DE FELLINI

Quando era necessário executar uma grande tarefa, difícil, arriscada, o homem paleolítico primeiro a desenhava na parede de uma caverna, na areia da praia, no casco de uma árvore, formando uma seqüência de imagens que lhe demonstravam a sua capacidade. Talvez após experienciar esse ritual, ele obtivesse sucesso em sua tarefa, matasse o tigre dentes de sabre, roubasse a garota loira de bons quadris de uma outra tribo, alvejasse até a morte aquele que o insultou, mas talvez não, talvez ele morresse. Porém, morria como um indivíduo certo da capacidade de vencer. Hoje em dia, você pode experienciar esse mesmo ritual com um filme num cinema, o novo templo escuro, fechado, e sair em busca de demonstrar as suas capacidades. Apesar de muitos só usarem essa ferramenta como uma forma de alienação, obtendo os sentimentos de sucesso, sem a responsabilidade da ação, outros sabem muito bem o que têm em suas mãos. E tal ferramenta não se limita só ao mundo do concreto, não se limita só ao mito do herói como foi apontado por Joseph Campbell, mas também pode ser uma porta para o mundo de sonhos, de possibilidades impossíveis, tornadas, assim, possíveis e concretas.

Frederico Fellini foi um homem que sabia das possibilidades da ferramenta cinematográfica. Seus filmes a começar pela Dolce Vita eram uma trajetória de auto-descobrimento, um ritual a revelar todas as suas capacidades interiores e a confrontá-las com seus desejos. Tento como seu avatar Marcello Mastroianni, Fellini ritualizava a história de um homem, não numa trajetória para se tornar um herói, mas sim numa trajetória perdida, sem direção, pelos paradigmas da realidade, quebrando-os um a um, a seguir pelas noites de Roma, ou se desorientar pelo interior da Itália. Um homem que amava as mulheres, queria só a sua ao seu lado, mas não conseguia abdicar do prazer das outras. Um homem que queria transbordar de arte, mas constantemente se punha em luta contra as limitações comerciais. Um homem que via o mundo ao seu redor como um sonho, cheio de extravagâncias e incógnitas, e queria dividir essa sua verdade com os outros. Abrindo dessa forma para os seus espectadores um ritual em que seus sonhos mais complexos poderiam enfim serem naturalizados. Abrindo a possibilidade de sonhos muito mais complexos.
O homem não precisa mais só ritualizar sua busca pela carcaça de um mamute, ou pela garota de bons quadris, ele agora pode buscar a lua dentro de um armazém, ou uma sala com os orgasmos de todas as mulheres que já consumiu, ou uma dança com uma mulher de madeira.

19 maio 2010

ESCRITA E VIDA


ESCRITA E VIDA
Por Eustáquio Gomes


RENARD

Jules Renard a Jean Giraudoux: “Todo mundo vai bem por aqui. Minha mulher me ama, meus filhos são encantadores. Meus amigos são dedicados. Minha peça faz sucesso. Meus livros se vendem bem. O cachorro da porteira também me adora. Família, amizade, trabalho, tudo me sai a contento. Mas estou infeliz. Não. Vou bem, obrigado. Gosto de almoçar, de lanchar e de jantar. Gosto da primavera, do verão, do outono e do inverno. Nenhuma satisfação do mundo me ficou alheia. Nos museus, aprecio ao cêntuplo as obras-primas. Mas sou infeliz. Tenho tudo o que é preciso para remediar a desgraça; deram-me ironia, malícia, estilo. E aparo maravilhosamente cada ataque específico. Desviei a solidão com uma mulher, um filho e uma filha. Mas sou infeliz. Não há remédio”. (1987)

PIKTIN

Segundo Walter Piktin (A vida começa aos quarenta), é uma grande vantagem ter poucos desejos predominantes, desde que sejam fortes a ponto de se tornarem um traço de caráter. “O homem de poucos desejos fortes tem probabilidade de atingir uma vida feliz com muito mais facilidade que o homem movido por muitos desejos. Isso é simples aritmética. Se fulano quer cinco coisas ao passo que sicrano quer vinte, as probabilidades são favoráveis a fulano. É menos provável que ele encontre entre seus cinco desejos incompatibilidades sérias como sicrano encontrará com os seus vinte.” (1990)
BORGES

Um antigo amor de Jorge Luis Borges, Estela Canto, escreve um livro sobre ele: Borges à contraluz. Conheceram-se no ano de O aleph, 1944. Ele tinha 45 anos, ela 28. A relação durou sete anos, mas só os três primeiros tiveram importância. Era algo que se parecia com um namoro, sendo menos que isso. Borges era inteiramente devotado à mãe, que morreu aos 98. Sempre que ia com Estela a algum restaurante, Borges se levantava da mesa (às vezes mais de uma vez) e se dirigia à cabine telefônica para dar conta de seu paradeiro à velha senhora. Uma vez em que se demorou além do esperado, a mãe foi buscá-lo de roupão numa confeitaria próxima do apartamento deles na rua Maipú, Buenos Aires. Ela não gostava de Estela e menos ainda de vê-los a sós. Num dia em que pediu Estela em casamento, Borges ficou chocado quando ela propôs que fossem para a cama ao menos uma vez, antes da decisão definitiva, para ele ter certeza de que viria a gostar dela fisicamente. É possível que Estela andasse em busca de certezas. Nesses anos todos, o máximo da aproximação física que experimentaram foi quando ela lhe fez a barba em Mar del Plata, na casa de veraneio de Adolfo Bioy Casares. Aos 50 anos, Borges começou a frequentar um psicanalista e este, um homem prático, pretendeu que Estela colaborasse na tarefa de resgatar Borges socialmente, casando-se com ele. Mas nessa altura Estela já estava apaixonada por outro. (1995)

CIORAN

Emil Cioran, o pensador romeno, sobre suas noites de insônia: “A vida é simples; as pessoas se levantam, vivem o seu dia, trabalham, se cansam, depois se deitam, acordam, começam outro dia. O extraordinário fenômeno da insônia faz com que não haja descontinuidade. O sono interrompe um processo. Mas a pessoa que tem insônia está lúcida no meio da noite, a qualquer momento, para ela não há diferença entre o dia e a noite. É uma espécie de tempo interminável”. Daí a desolação e o desespero do insone, porque “a vida só é suportável por causa da descontinuidade. Estou convencido de que se impedissem a humanidade de dormir haveria massacres sem precedentes, a história terminaria”. Seu gosto por cemitérios: “Quando vejo amigos e também desconhecidos passarem por momentos de abatimento, de desespero, só tenho um conselho a dar: passe vinte minutos num cemitério, vai ver que sua tristeza não vai desaparecer mas vai ser quase superada. É muito melhor do que ir ao médico”. (1995)

PAULO FRANCIS

Morre em Nova York, de ataque cardíaco, Paulo Francis. Tinha somente 66 anos. No jornal, onde estive à hora do almoço, o pessoal de variedades se esfalfava para produzir duas páginas sobre ele. Não vi ninguém lamentando a perda, se bem que nas redações nunca sobra tempo para se lamentar morte alguma. No banco, mais tarde, comento essa morte com João Antônio, o caixa que lê minhas crônicas. A caixa ao lado se introduz na conversa: “Morreu do próprio veneno; deve ter mordido a língua”. No entanto, dizem que pessoalmente era uma pessoa suave e divertida. E seus dois romances, pouco mencionados hoje em dia, estão entre os melhores dos anos 1970. Apanho sua coluna de anteontem, 2/2, e leio este irônico prognóstico: “Afinal o Carnaval vem aí. Depois, a Semana Santa. Depois o ano 2000, em que entraremos de cabriolé, com esperança de que em breve inaugurem estradas de ferro”. (1997)

18 maio 2010

TRANSCURSO DE VIDA








“Transcurso de Vida”

Por Marco A. de Araújo Bueno


Ninguém aqui pense que é fácil contar o que se deu com o patureba nesta parte do sudeste. Porque também no nordeste de Minas, no sul da Bahia e mesmo dentro dos lares dele, pouco se sabe do que lhe ia pela cabeça. Eu palpito aqui e ali, já que sou escrevente de relatório pra alto escalão, diretoria, gerências; inda assim, mudo o que conto toda vez que somo palpites, acolho as divergências e recheio a argamassa do contado. Dou fé e passo adiante, peneirando muito fino tudo que tem de exagero quando um depoente já vai alto de água forte. É assunto delicado por demais, mexe com o brio de muita mulher correta e pode arranhar a sina de muita criança de origem incerta. Não tem preto no branco no caso dele, não tem registro escrito pra confiar, pra ser oficial. Quem quer remexer a alma de um homem boa praça, cumpridor de pendências com filhos e mães? E trabalhador muito competente em montagem industrial! Muito menos eu, que não conto dele por contar, mas para proteger a honra dele, apesar dos apesares. O principal, que era um peão de trecho e constituía lares. Que joguem a primeira pedra num peão de trecho sempre alegre e muito atencioso, carinhoso de verdade com filho daqui e dali, não importava a geografia nem quem pariu quem. A religião mesmo era o trabalho e, pra trabalhar sossegado tinha uma só condição: fim da jornada, carecia voltar pra casa direitinho, com mulher certa, filhos e domicílio certo. Disso dou fé.
Disse que não conto por contar. Conto por causa do ilícito maior que o patureba fez, sem querer, que não tinha índole, ou querendo, meio distraído; pudera, tanto cachorro diferente pra dar resto, tanto menino birrento, mulher apegada, caixa de correio, presentinho pra cima e pra baixo e catuaba que dispensava... não tem soldador que remende uns mal feitos, mas fora do trabalho, isso é certo, que eu mesmo nunca trombei com ocorrência oficial dele. Confusão da grande, preguiça de pensar diferente com gente desigual. Não estou pra julgar nem pra intimar concidadão fora do operacional, na alma da noite da vida que leva, lá no aconchego dos seus, no caso dele, dos muitos dele. Natural que vivesse apurado, mas não justifica o ilícito que me da razão de contar e de contar direito. Só isso pra retificar, que todo o resto muda. Muda de juiz pra juiz e de comarca pra comarca. Até o que conto muda e segue mudando pra fazer jus, e toda essa alteração, mesmo dificultosa que é, mesmo assim não me distrai.
Pelo começo é fácil entender porque, de primeiro, eu coincidia com o cronograma dele, período por período, obra por obra, empreitada de quem fosse, lá estava o patureba alegre, trabalhando direitinho. Despedindo de todo mundo no final do trabalho, tomado banho, batendo pra casa dele. Isso durou exatamente quatro trechos e eu acompanhei junto porque calhou de ser. Trecho seguinte, lá chegava escanhoado, fala curta e eu que ia já explicando que era o patureba porque nasceu em Patos de Minas. Mas onde pendurava o boné, já que não freqüentava o rancho de costume nem se amuntuava que nem cigano catinguento, nem batia água de faca pra santo nenhum, bem, aí eu já calava. Fazia o meu trabalho e ele o dele. Nem mais nada. E “até mais vê” noutro trecho. O senhor me pergunta se eu sabia do domicílio dele? Sabia só que era certo, falar o quê!
Mas um dia eu cheguei nele. Os dois, torcedores do América, eu sempre fazendo relatório e ele arremate de platibanda, coisa e tal, umas intimidades dele me contar o principal: chegava na cidade, aprumava documento e ferramenta, dava telefonema e...pra praça. Zanzava sossegado, alegrão, sem ficar se amoitando em sombra, sem carteado nem conversa mole. Um olho na camaradagem e o outro no principal. E o principal dele era achar uma esposa-e-mãe. Não tivesse filho, ele fazia, não importava.
Nem confidência pedia nem o tom da voz baixava: - “Se tenho trabalho em altura, eu num prego meu mosquetão numa ponta segura pra poder sair soldando, garantido na linha-de-vida? Então, a mesma coisa quando desço pro canteiro, tiro as proteção e volto pra minha casa”. Eu brincava, às vezes (devia era de fazer mais comentário...):- “Vai, vai um dia lá você e crava o talabarte numa bela duma eletrocalha, cheia de fio com fio; vai confiando na linha-de-vida sem mais prudência, filho com filha de outra... essas coisas s’encostando, sem estrutura nem nada e patureba vira carvão, pras esposa-mãe soprar no vento!” Mas ele só remendava - “Chô sombração! É meu jeito assim, muleta pra quem sabe andar e no mais eu sou confiante, pode escrevê com letrinha e letrona. Ué seu Esfero, nóis é ou num é América de Minas?”. Esfero era minha alcunha, por causa das canetas esferográficas no bolso. E eu era de Minas sim, mas não constituía família em cada trecho de obra que eu assumo. Não sofro risco de um curto, e no mais já é de foro íntimo, como eu faço ou não faço.
Essas intimidades de falar pegamos mesmo no fim do segundo trecho que calhou, cronograma e tudo, hora-extra com adicional noturno, que é quando a alma do peão precisa falar, falar do aconchego que perdia e, outros, do aconchego que pensava que tinha, linha-de-vida perdida na neblina que nos envolvia em conversa miúda de madrugada. Eu, de tanto plantão além da conta, acostumei, mas o patureba sofria de dar dó; era emotivo e carecia relatar até os detalhes de outras obras idas. Eu sempre presto atenção, eu brinco: “eu preciso ser preciso!”. Eu ia vendo que, no caso dele, que não atinava com essas filosofias, era ele que precisava que alguém, fora do trabalho, precisasse dele chegando em casa, comendo quentinho, dando resto pra cachorro, namorando de ranger a cama na orelha de filho, fosse dele ou não, mas tudo num domicílio certo a cada trecho. Eu tinha um certo respeito por isso. Uma vez, no Machado de Assis, eu tinha lido sobre um homem que tinha mais de um lugar onde pendurar o seu chapéu. Não lembro como era o conto, mas essa condição lhe era importante, talvez a principal. As coisas do patureba começavam a girar na minha cabeça e eu quase perdia um pouco de nitidez no meu trabalho. Às vezes me distraía até; telefonema da Bahia, filha de dezesseis já dando neto, filho do norte do Paraná querendo visitar e ele muito carinhoso mesmo. Tinha brigas de marido e mulher, mas não dava pra saber de onde era, de que quadrante, de que região ou época.
Apesar de eu ter estudo, de ter boa caligrafia, de ser muito preciso e definido no que relato, sempre me atrapalho com os nomes dos graus de parentesco.Concunhado, genro, nora, prima de terceiro grau e relações maiores, mais distantes de família, de famílias grandes, tudo isso sempre foi pra mim uma idéia vaga. Filho único, morei com meu pai, mestre de obras, quando minha mãe desapareceu com outro homem, mas...dentro da “própria” família, dizia meu pai, sem muito mais o que dizer. Ele tinha atenção só para o meu estudo, que ele não teve. Era quieto por trás da prancheta, sempre. Sempre que se falava de família vinha um constrangimento; até da minha própria, com mulher e quatro filhas no domicílio de sempre. Vai daí que eu me confundia com os apuros familiares do patureba, na hora de calcular benefícios, preencher os formulários. Na confusão, deixava passar dúvidas em cima de dúvidas, pra não deixar relatórios duvidosos.
Quando minha caçula engravidou, justo ela, a que nasceu sem muita nitidez para mim que já tinha fechado uma família de três filhos, justo quando eu ia ‘ser pai’ de um filho homem, único neto de meu pai, tive que me afastar temporariamente. E perdi de vista o patureba. Mas foi a divina providência, porque ele, então estabelecido no sudeste de São Paulo, deu pra beber e foi se afastando de algumas pessoas principais de sua própria família. Recebi telefonemas insistentes, a cobrar, lá para minha cidade. Desligava na cara. Não podia ser conivente com o rumo que estava dando à vida dele, bebendo de não voltar pra casa, causando acidentes com solda, engravidando mulheres muito jovens.
No antepenúltimo depoimento que prestei nesta comarca, na presença daquele juiz já falecido, relatei com detalhes os motivos de força maior que me fizeram faltar ao trabalho por alguns dias.
Inclusive no dia em que se deu o acidente com o patureba, aquela desatenção que fez com que ele ignorasse, segundo os relatórios, uma alteração na estrutura onde alguém atrelou o mosquetão dele. A descarga elétrica liberada pela bandeja da eletrocalha tinha voltagem suficiente para levar a óbito quase quatro homens!
Como? Não senhor, não tenho nenhuma relação de parentesco nesta parte do sudeste. Devo acrescentar também que me confundo um pouco com os pontos cardeais, desde que me internaram nesta instituição.
Sim senhor, estou em plena posse de minhas faculdades.

16 maio 2010

Metamorfina


Texto e ilustração: Paola Benevides

Caí do girassol em pólen e éter. Aleijei-me borboleta. Eu que era anjo, no topo do mundo estava. Bobalegre, girando. Mundo-cão correndo atrás do próprio rabo. Fauno deus, mal fadada fauna em nada una. Derruba pelo caminho do meio na ida zen volta: levei topada logo na pedra de luz. Topázio Al2[(F,OH)2SiO4]: a batizei com o som dos olhos. Alguns me percebem fada agora. Outros chamam varinha de condão o que já foi um choro de olho só, estalactiteado. Uso como arma branca. De neve, nas mãos se desmancha no sentido do rápido... Findo o polo sul desnorteado.


10 maio 2010

NOTURNO



MICROCONTO NOTURNO
Por Rafael Noris

Enfurecida com o som de sexo do quarto de cima, a moça pergunta se não faço nada. Brochei outra vez, chame o porteiro.
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