12 fevereiro 2011

CISNE NEGRO

Cisne Negro

Por Daniel Matos


A transformação é violenta, qualquer transformação para se fazer permanente é feita de um ritual violento de ruptura. O mais novo filme de Darren Aronofsky, Cisne Negro, é sobre um indivíduo preso num mundo de dualidade, na criação de dois pólos opostos de características que se contrapõem e impõem um grupo de limites que podem levar separados cada lado a ruína.

É o conflito entre o grupo patético de limites do cisne branco, com toda a moralidade de uma sociedade desesperada e conformada com algo que não pode a sustentar, só a levar a uma neurose, contra o cisne negro, com sua dispersão e impulsividade, que fora de controle pode levar a loucura. É uma dualidade que não pode se manter, pois o mais reprimido se vê levado a uma eventual explosão. E é um explosão que pode levar a uma libertação ou a morte. E é essa trajetória que o filme se propõe a explorar.

08 fevereiro 2011

JOSEPH HART VAUDEVILLE - 2


Joseph Hart Vaudeville - 2

Por Vitor Queiroz



Capítulo I

QUANDO, ENTRETANTO

Quando, entretanto – senhoras e senhores. No palco. No rame-rame. Joseph Hart Vaudeville orgulhosamente presenta – tranchans... uma vida de poeira e asfalto!

Barracas de lona, uma rodoviária por semana. Joseph Hart Vaudeville traz especialmente para vocês...

Quê? [ .... 4pt ] hum, adivinha, Maria Amélia! Quê? uma vida de merda, uma vida de plumas e paetês!


Capítulo II

PRÓLOGO

Perdoa-me, Maria Amélia. Não vos apresentei ainda a minha graça. Perdoa-me, Hebe Camargo. Você foi babá de Adão ou de Eva, querida?

Moça bonita da primeira fileira, ei, senhorita! quer tirar um coelho da minha cartola?

Besta, palhaço. Basta, falastrão [ ............ 12pt. ] você tem um espetáculo para apresentar, homem! Vendedor de pipoca, ei! perdão. Foi mal, se empolguei de novo.

Ai, hoje vou apanhar da patroa. Não falei, ainda, nada que preste.

Moça feia, vira para cá. Jesus! torna a virar, Belzebu. Cruzes...

Senhoras e senhores. Neste palco. Nesta noite de serragem e de plástico. Brilhem, que brilhem todos os refletores. Fogos de bengala. Guirlanda de flores. Projéteis estourem.

Vou falar tudinho, hum?

Quando, entretanto.

Vocês ainda não sabem a minha graça qualequé? Bestas! Por que que um histrião ficaria não proscênio? Na frente desse pano troncho?

Não adivinharam ainda? Aff... podem se-me-chamar-me, entonces, de Prólogo.


Capítulo III

FANFARRA DE ABERTURA




Bonito fagotão, o fantasma de um trombone – as vedetes já estão no camarim. Semi-nuas. Boceja o Prólogo.

Bate um tambor. Na arquibancada. Bate um tambor grosse. Lasca de tíbia, o trombonão-revólver da fotografia, úlmero rádio sartório – os ossos de Renata Zuppern gargalham. Vamos escutar.

a) Joseph artas atrás da cena. b) O Prólogo na frente do pano, the curtain, o trapo velho:

a

joseph hart

– Picadeiro, my dear, vazio estareis. Nesta madrugada ainda. Barracas de lona? Vida de plumas e paetês? – tome cuidado, caro espectador.

b

o prólogo

– Senhoras e senhores [ .... 4pt. ] persignem-se. Que foi? Nem o Prólogo vocês obedecem? Ah, malandros!

Vou falar a real, então.

Por trás da pintura do palhaço vige a ruga e vagalumes enfeitarão a sepultura dos nossos avós.


Capítulo IV

TRANCHANS

Qué que há? Que enrolação é essa, Joseph Hart? Vamos abrir o pano, então. Fecha a tua glote histrião. Maria Amélia, vamos?


NA TERÇA-FEIRA, DIA 22 DE FEVEREIRO, NÃO PERCA... VAMOS JOGAR DURO NO FOLHETIM.

SERÁ SENSACIONAL, DUCA, MISERAVÃO. AGUARDE E CONFIE. JURO PRA VOCÊ, POR MINHA TIA-AVÓ DURINHA NUM CAIXÃO... QUE O ENREDÃO VAI COMEÇAR...



Nota Grafológica

[ .... 4pt. ] e quetais = Pausas, my dear. Espere 4 segundinhos, tome um gole de café e volte à página.




07 fevereiro 2011

O MONSTRO




.

O monstro não era pedófilo,
apesar de comer criancinhas.
O monstro não era canibal,
apesar de comer criancinhas.
O monstro não era demoníaco,
apesar de comer criancinhas.
O monstro não era monstruoso,
apesar de comer criancinhas.
O monstro já estava lá,
antes das criancinhas.


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06 fevereiro 2011

Boas novas!

Em conversa com o amigo videoartista Luiz Augusto Lisbôa via MSN, eis que ele nos compartilha um link para a boa nova com o nosso colunista. Tive a ousadia de publicá-la aqui. Leiam:

BARRETOS, 06 DE FEVEREIRO DE 2011 - DOMINGO

Para poeta há “carência de literatura”
O poeta e músico barretense Marcelo Finholdt acredita que as pessoas estão carentes de literatura. “A maioria está tão distante da leitura, que sequer tem consciência desta condição. Não se percebem mais figuras de linguagem ou de expressão nos vocabulários. Muitas vezes as pessoas sequer utilizam plural ou flexionam verbos corretamente”, finalizou Marcelo. 

Marcelo é autor do livro “Sonetos” e finaliza duas novas obras literárias este ano, uma delas com os resultados de estudos acerca do medievalismo, através da utilização de elementos característicos na produção textual. “Idealizo ainda a inserção de melodias impressas, para o deleite de leitores musicistas”, contou Marcelo. 

Para o poeta, a pesquisa é fundamental. Atualmente recebe material do departamento de letras da universidade de Coimbra. O barretense é destaque no Blog “De Chaleira” (http://e-cha-leira.blogspot.com), um dos endereços eletrônicos mais frequentados pelos internautas apreciadores da literatura. O blog é criado e dirigido pelo psicanalista e ficcionista de Campinas-SP, Marco Antonio de Araújo Bueno.


Tininho Júnior
Marcelo Finholdt finaliza
duas novas obras literárias
em 2011

FONTE: Blog da Júlia - O Diário Online 





Ósculos dominicais a todos os que fazem o Blog De Chaleira com as honras de Marco Antônio, congratulações especiais ao nosso querido Marcelo Finholdt,
Paola Benevides

RÚBIA A RUIVA

P.S.: Atenção, concentração! Vai começar a brincadeira. Do Vanderlei, da Vanderléia, e também da dona velha. Vide - Rafa Carvalho!
Rúbia a ruiva
Ninguém do prédio gostava de Rúbia a ruiva. Seus escândalos, festas e espírito de arruaça por excelência incomodava, principalmente, as velhas carolas do condomínio e todo tipo de conservadores que prezavam a ordem e os bons modos.
Rúbia em sua efervescência , sua paixão e sangue pulsante, percorria movimentos criadores em seu pequeno apartamento. Não apenas, a velha forma sexo, drogas e rock roll - de rock aliás, não tinha nada além da atitude, sequer, uma camiseta de banda.
A capacidade criadora de Rúbia advém –lhe da polaridade entre sua atividade e passividade diante do mundo. E no seio da qual, a passividade não indica uma falta ou uma privação, mas, ao contrário, se torna uma condição essencial dela. Vamos falar de passividade:
Uma mulher de 30;
Sem compreensão;
Sem carência;
Sem amargura;
Nada sério recebido, nada sério dado e em última instância nada poderia existir em sua vida do que um difuso espírito capaz de espionar Carlos - o vizinho confuso e metódico, e observar o seu tédio comprado como drops, mas, sonhar que talvez um dia ela possa ter passividade no coração o suficiente para encontrar qualquer concepção de conservadores de condomínio pra se esconder melhor e praticar seu voyeurismo com prazer.

05 fevereiro 2011

SOBREVÔO DA EXISTÊNCIA



Em passos de asa, vôo
Mesmo assim sem liberdade
Uma ave, uma Maria
Que não sabe se vivo ou morro

Eu sinto saudades não sei do quê
Choro, afobo, grito, amanso, rio
Que escoa para o mar da sorte
De ser o que me quer vencer, levar

Estarei enquanto o rei não voltar à barriga
Dou de ombros a qualquer nado de costas
Sem abanar o rabo, esnobo a fresca da vida

Vem me provocar se não me gostas
Gasta-me menos a dor da ferida
Mãos postas na mesa: agora rezo

Um Deus feito de céu me guia
Azul, sem olhos, manco e perfeito
Feito da esquizofrenia de vários

Eu acredito na noite mais que no dia
Quando as cortinas de breu se abrem

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