31 janeiro 2010
HAIK(C)AIS E MICROCONTOS - COLUNISTAS vs CONVIDADOS
Por Luiz Contro (colunista)
O atraso, a pressa, o susto, o desvio, o meio fio.
Totó só queria buscar a bola do menino.
***
Nunca assumia os próprios erros.
Sempre transferia a culpa para os outros.
Por essa razão, convertido, adequou-se pefeitamente à fé evangélica.
Agora, para tudo que faz de errado, Satanás é o culpado.
Por Wilson Gorj (convidado)
" 69"
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Por Marcelino Freire (convidado)
{Quatro caracteres, nenhuma palavra}
“Desertor no Deserto”
Por Marco A. de Araújo Bueno (colunista)
{Dez palavras, monofrásico}
PARTE I
Doze anos, palestino fronteiriço, dois de treino. Paramentou-se: explosivos, celular;
PARTE II
Ao toque, sacou dispositivo junto. Sucumbiu; deserto. Tel-Aviv/paraíso - Doze km!
HAIKAI
Por Rafael Noris
noite tão curta -
quando afasto o mosquito
é hora de acordar
HAICAI
Por Carlos Seabra (convidado)
jornal aberto,
café, leite e sangue:
guerra por perto
[Eis uma livre adaptação de haikai de Bashô no qual a expessão "cai pra dentro" e cumpre função de duplicidade de sentidos ao invés de pleonasmo. Não achei haicai com equivalente ousadia polissêmica entre convidados do blogue...
velho lago
o sapo cai pra dentro
barulho d'água.
Basho, tradução de Rafael Noris a partir da expressão de Zina (ele era cult e eu nem sabia).
Boa semana a todos, aniversariantes ou não
29 janeiro 2010
Infarto do miocárdio
Enfarta o homem casado, geralmente cansado, em seus abatimentos cardíacos. É farta a mesa imposta pela mulher que sempre o aguarda. Ela portando um avental maçônico, sempre ao marido cozinhava. Ele gostava de comer cadáveres quase vivos. O bombeamento rarefazendo-se em sangue ainda quente era um prato cheio a forrar seu existencial vazio.
Pensava em divórcio, em dívida, porém não dizia nada, queria apenas a carne mal passada a não mal passá-lo por tanta fome de vida. Ela o ia consumindo à boca repleta. Esperava dez presuntos, desesperava em pratos limpos. Mais tabuleiros untava em vão e vinho. Circo e pão.
De repente, mão fria e náusea. Quando a sua esposa berra italianamente no fogão até ressoar pelas paredes do vizinho:
- Antes fosse de olho grande, mas morreu de ataque, Dio mio cárdio!
Fora mesmo assassinato a quem a coragem cometera suicídio.
28 janeiro 2010
TROVAS AOS ANAIS DE ORSETTI
Por Marcelo Finholdt
Mote
Quem conhece o tal Orsetti?
Tanga frouxa lá da taba,
Fazedor de hum mil boquetes,
Vez em sempre alguém o enraba!
Glosa
Logo no Acre, nas aldeias:
Com calcinha, com corpete,
Cinta liga e meias feias...
Quem conhece o tal Orsetti?
Rebolando a biba segue:
Menstruando à beterraba
Dando sempre para os jegues,
Tanga frouxa lá da taba!
Ser comido é o que ele sabe,
Por pedreiros elegantes
E é por isso que é o esnobe
Fazedor de hum mil boquetes...
Lá na rede em seu cangote
Fungam machos entre as abas
Dos anais do bom frangote
Vez em sempre alguém o enraba!
27 janeiro 2010
SOBRE A EXPLOSÃO NA 'E.H.M.' - DESDOBRAMENTOS
Ilustração: Alan Carline
“Sobre a Explosão na 'E.H.M.'– Desdobramentos”
Por Marco Antônio de Araújo Bueno
Chamarem de 'requentado' esse assunto do acidente ocorrido na “Escola Hibris Mundial”, sinceramente, pouco me importa. Certo ímpeto de humor negro, ao contrário, já me impele a qualificá-lo de “chamuscado” – isso sim –, e me explico: houve, tem havido e é de se esperar que se alastrem desdobramentos tão funestos, que fariam corar toda a corja de “notáveis”, cuja honorabilidade canhestra, hoje, é matéria para carvoeiros: as labaredas destroçaram o arcabouço físico do campus, mas – capricho dos deuses - pouparam a alminha sacana que animava seu extemporâneo prestígio mundial. Toneladas de gigabytes sobreviveram junto aos detritos e eu, envolvido que me achava na ocasião e na condição de vítima sobrevivente, transformá-las-ei em caprichosa história recente valendo-me (que me chamem de posmodernista, pouco se me dá) até dos arcaísmos, das obsolescências mesoclíticas e de todo ferro velho vernacular que lhes provoquem “espécie”.
Pois até do século II ªh. (e que a própria hecatombe não fez submergir) extraí uma expressão belezera que bem qualifica a condição de indigência ética da Escola – “tempos do onça”. Que não me perquiram sobre a etimologia, mas é certo que alude ao anedótico como registro da velha cultura de massas. A “E.H.M” com seus campi espalhados pelo mundo reformado é uma instituição dos tempos do onça, uma ágora estéril e sem estilo, convalescendo de agorafobia (termo que tomo à “P^p” – psiquiatrizações classificatórias pós-cartolagem laboratorial, também do referido século II) e osteoporose pragmática (ossatura conceitual carcomida pela porosidade das investidas multidisciplinares da época). Pois bem, que me inquiram, agora sim - e o que fazia um profissional de linguagem geral perambulando por aquelas bucólicas pastagens no momento em que houve a tal explosão? “Macacos me mordam!”, exclamaria qualquer daqueles ascetas pálidos – Quem é que cora, agora? Onde estavam minhas fidelidades?
Muito se obrou no período e não havia cisterna bacteriologicamente funcional que operasse como um biodigestor de toda PLOBOWNNMMMMMMnnnnnuffffffffBLAHHH (a explosão!) AQUELA M ERDA-----MERDA, TEM GENTE FERIDA AQUI TEM GENTE MORTA QUE MERDA É ESSA SEM TUMULTO POR AQUI SEM PASSAGEM ESSA PORRA É CALCÁRIO E GESSO SÓ E MAIS AS VIGAS E TRELIÇAS DESPENCANDO MERDA FOI FAÍSCA IRÔNICA QUE CAUSOU PROTEJAM SUAS CABEÇAS AS CABEÇAS MERDA PROTEJAM PROTEJAM SUAS CABEÇAS TODO MUNDO NO SOLO PROTEJAM OLHOS SEUS OLHOS E CABEÇAS TODO MUNDO CALADO PRA OUVIR FERIDOS GENTE MORTA AQUI ESTE AQUI MORREU{...}Protejam cabeças olhos no solo sem pisar cabeças sem massacrar merda merdaVOU RASGAR AQUI..Desdobramentos? Explico depois...
25 janeiro 2010
DO CHÃO NÃO PASSARÁS
Como quem cai, caí.
Caio sempre,
quase sempre.
A queda acaba
no chão.
Eu não,
continuo caindo.


