04 dezembro 2018
O QUE VEM A SER -POL ?
Ainda coordenando o retorno deste blogue literário, esclareço que não tem nenhuma relação com meu trabalho em POL : PSICANÁLISE ON-LINE LACANIANA, via Skype, face ou Whatsapp: (19) 9 9249 5772 . A página que posta Literaturta, política, artes e também todfa a Teoria da Técnica da minha POL é: http://www.facebook.com/AraujoBueno Estou locado em Ribeirão Preto-SP , não mais na cidade de Campinas-SP, e de mudança para Santa Catarina - Palhoça!
19 setembro 2013
RECESSO
Depois de quase 4 anos preparando chás literários diariamente para nossos queridos leitores, eis que nós, autores do Chaleira, chegamos ao nosso primeiro grande recesso. Precisamos mais que dar-lhes chás, é também necessária uma casa organizada e é nisso que vamos trabalhar durante esse tempo.
Foram mais de 20 mil visitantes nesse tempo, vindos de todos os continentes, tendo textos com mais de 3000 visualizações. Está liberado sentir orgulho disso, não está?
Bem, é isso, caros amigos. Nos vemos em breve :-)
Foram mais de 20 mil visitantes nesse tempo, vindos de todos os continentes, tendo textos com mais de 3000 visualizações. Está liberado sentir orgulho disso, não está?
Bem, é isso, caros amigos. Nos vemos em breve :-)
13 setembro 2013
DOIS POEMAS ERÓTICOS DE DRUMMOND
Drummond e seus poemas eróticos em 1985
Volto ao assunto de um balaio seco para retificar meu erro, pois ao escanear a página do JB, de 1985, esqueci de copiar também os poemas que exemplificavam o álbum de luxo Amor , sinal estranho, publicado por Gastão de Holanda. Que pecado não ter mostrado os poemas Sob o Chuveiro Amar e Tenho Saudades de uma Dama. O álbum para bibliófilos custava 3 milhões(alguém pode me dizer o que isto representa hoje?), com ilustrações de Enrico Bianco, tinha a tiragem de 100 exemplares. Creio que este livro depois foi publicado em edição comercial, mas com outra reorganização de poemas.
10 setembro 2013
3 CANÇÃO PRA UM DIA VÃO
por Vítor Queiroz
1.PRÉ-HISTÓRIA
Australopitecos Afarensis, querido avô
peludo, desprovido
de toda
linguagem articulada!
Vejo no oco
no toco, um osso torto. Vejo a charneca
da sua descendência
encher do hemisfério todo arrabalde.
Vejo na oposição
de seus polegares uma verdadeira hecatombe
de privilégios simiescos.
2.ESCALPE
Fio de navalha cortante:
à flor da epiderme gordurosa
jaz a verve moribunda.
Para que servem os dias vãos
e a vida é escalpelada em versiprosa?
3.TATURANA
Ária di Bravura
Recitativo
Pajé
taturana chacoalhando
o mbaracá
emplumado cantava
todavida:
- Panambi açú!
chamando a primavera
- Panambi açú!
Ária
Taturana-
brabuleta. Borboletodas.
Borbolequantas?
Uma canoa quebrada?
Taturana-
brabuleta. Na beira do rio
sombrio...
... flores raras de plástico bolha.
Taturana-
brabuleta. Borboletodas.
Borbolequantas?
Uma tabuleta afincada
na terceira margem do rio
Taturana-
brabuleta. Borboletantas... tantas...
todasvivas
no coração obscuro do desejo.
Asas de cascavéis
translúcidas,
cor-de-caju transcendental.
1.PRÉ-HISTÓRIA
Australopitecos Afarensis, querido avô
peludo, desprovido
de toda
linguagem articulada!
Vejo no oco
no toco, um osso torto. Vejo a charneca
da sua descendência
encher do hemisfério todo arrabalde.
Vejo na oposição
de seus polegares uma verdadeira hecatombe
de privilégios simiescos.
2.ESCALPE
Fio de navalha cortante:
à flor da epiderme gordurosa
jaz a verve moribunda.
Para que servem os dias vãos
e a vida é escalpelada em versiprosa?
3.TATURANA
Ária di Bravura
Recitativo
Pajé
taturana chacoalhando
o mbaracá
emplumado cantava
todavida:
- Panambi açú!
chamando a primavera
- Panambi açú!
Ária
Taturana-
brabuleta. Borboletodas.
Borbolequantas?
Uma canoa quebrada?
Taturana-
brabuleta. Na beira do rio
sombrio...
... flores raras de plástico bolha.
Taturana-
brabuleta. Borboletodas.
Borbolequantas?
Uma tabuleta afincada
na terceira margem do rio
Taturana-
brabuleta. Borboletantas... tantas...
todasvivas
no coração obscuro do desejo.
Asas de cascavéis
translúcidas,
cor-de-caju transcendental.
07 setembro 2013
EUNÍRICO
Por: Paola Benevides
Eu sou o assombro às avessas, o escombro sem pedras, o murmúrio do rio que corre por debaixo das minhas descobertas. Eu sou o lírio manchado de branco, o acalanto funkeado das três horas da manhã com os bêbados em seus carros, acidentalmente mórbidos. Eu sou a semente do limão presa aos dentes do macaco, não tenho asco do medo, não tenho azedo nos espasmos. Sou livre de toda raça, de toda falta de cor. Sou a piração de Nero, a pilha alcalina dos crânios que não cessam à noite. Eu sou o dia na praia enfeitado por cocos abandonados em casca. Verde e dura. Esmeralda. Não tenho pudor das minhas vestes, mas estou nua nesta dança do ventre com um pênis amarrado à minha testa. Vou assobiar um cio, bicar um grito, cochilar um ronco na chuva. Vou caminhar sobre nuvens feito o piolho nas barbas de deus. Eu sou Jesus Cristo Conegundes Vieira. Analfabeto de pai e mãe. Eu sou artista de rua mal-amado no Brasil, bem acolhido em Londres. Eu sou de Flandres. Comi aroeira e arrotei juá. Não sei fazenda nada. Sob o luar, corrijo correntezas, acorrentando mares. Eu sou baluarte popular, solto pipa do telhado quando me dá na telha. Quebro ouvidos com passos, por cima, vejo estrelas. Encabulo cometas quando sei trovejar. Minha boca é um trompete, os olhos tímidos, os cílios cínicos a escovar ventania. Vou te falar. Eu estava comendo pipoca quando um dia me veio um estalo. Pensei. Por que não pular? Então, saltei de salto quinze da beira da panela e caí no gogó do sapo. Virei ebó de príncipe. Mastiguei, mastiguei e nada de casamento. Fiquei para titia. Agora, eu me pergunto: que diabos vim fazer aqui na fila de grávidos? Engordei com a cinta até a papada. Contratei cirurgiões cubanos, amiguei com um e tive três tiçõezinhos. Tinham dentes mais alvos que os de alho, a morder o mamilo de um só peito. O outro entupiu sem leite. Queriam morder o assoalho feito cães. Anos depois, eu me vi latindo, mais afável que os humanos. Havia transcendido às priscas eras do paleolítico. Rangava salada de plâncton. Virei vegetariano, mudei de sexo pela segunda vez, implantei microasas de colibris e me libertei do convívio com demaseados. Estou na medida. Ultrapassei os mil metros na maratona dos suplícios. Meu vício hoje é fumar maços cheios de ectoplasma. O fenômeno das mesas girantes acrescentei às atrações do trem fantasma. Fumacê de gelo seco. Eu sou um circo. Eu sou forragem, pasto e milho. Eu sou a ferrugem no trilho do trem. Eu sou um trailer antes habitado por Alex Supertramp. Mesmo fiasco, eu não me desisto. Back on the chain gang.
06 setembro 2013
MOEBIOS E A FICÇÃO ECONÔMICA - I
Moebius e a Ficção Econômica
Por João Antônio Büher de Almeida
Moebius e seus amigos criaram a Metal Hurlant,, no inicio dos anos 1970, que praticamente deu o tom da Ficção Científica moderna nos quadrinhos. Mas também quis também inventar a hq de Ficção Econômica, como mostra esta hq de três páginas publicada no semanário L ´Express, em 1975.
Por João Antônio Büher de Almeida
Moebius e seus amigos criaram a Metal Hurlant,, no inicio dos anos 1970, que praticamente deu o tom da Ficção Científica moderna nos quadrinhos. Mas também quis também inventar a hq de Ficção Econômica, como mostra esta hq de três páginas publicada no semanário L ´Express, em 1975.
04 setembro 2013
03 setembro 2013
01 setembro 2013
Existe um claro motivo,
para vivermos de espera
de sobreaviso
de incompletude.
Algo de uma razão sublime e última
como o resultado de um cálculo
cujos termos conhecemos só
o desgaste
escassez
o entrevamento.
Tempo de menos é bom
porque demais é excruciante.
é como a sanção mais dietética
do primeiro tédio
e das primeiras tardes tornadas noites
noites sem brilho
sem riso
só o entrevamento
Existe mesmo um motivo palpável
que, de injustos, talvez dele façamos mal juízo,
para que nas cidades enlouqueçamos
e sangremos o tempo através da camisa
É alguém, cujo rosto não revelaria nunca,
dizendo-nos que se tivéssemos,
afinal,
este tempo
ele apodreceria como frutas num hotel vazio.
Gastá-lo com o quê?
Quem?
Por quê?
A falta dele nos sentencia a uma posição
de confortável resiliência,
confortável porque não requer nada,
não move ninguém,
não destrói nem constrói
quando muito permite um suspiro
que logo se desmantela na concretude
do não-tempo
Temos mais é que viver com pressa
e em crescente velocidade
e fazermos tudo pela metade
para que em nossa esquizofrenia
de habitar entre lugares o intervalo
possa haver, enfim,
simultaneidade.
30 agosto 2013
ESTACAS
Estacas
Por Wlaumir Souza
Errado dia
Assim por acaso
Encontrei-me com o vazio
Ele nada disse
Nenhuma proposta instou
Apenas e tão só
Ficou
Vez por outra
Acerto o dia
Pergunto
Encontrou-me
Encontrei a ele
Inseparáveis
Destroços do passado
Cotidiano do ausente
Restos presentes
Diário suturado
Por Wlaumir Souza
Errado dia
Assim por acaso
Encontrei-me com o vazio
Ele nada disse
Nenhuma proposta instou
Apenas e tão só
Ficou
Vez por outra
Acerto o dia
Pergunto
Encontrou-me
Encontrei a ele
Inseparáveis
Destroços do passado
Cotidiano do ausente
Restos presentes
Diário suturado
29 agosto 2013
SONETO III
Por Marcelo Finholdt
A casinha é laranja e tem brancas janelas.
É um laranja bem forte a ascender todo o astral...
Na varanda há um vazio, um vazio sem igual,
Lá um alguém existiu, com uma face tão bela.
Existiu uma moça amorosa e singela,
Inocente donzela a avançar sem o mal,
Na procura do amor, coisa tão natural,
Deixou logo seu manto ao mostrar quem é ela.
No jardim desta casa, a menina está a ler
Uns poemas de amor junto a seis margaridas,
Ela espera um poeta anunciar que vai ter
Uma vida esculpida onde não há ferida.
A menina ainda lê e o poeta é esse ser,
Que faz ela existir, pois também vê a vida!
28 agosto 2013
27 agosto 2013
O ULTIMO POST DO INVERNO
por Vítor Queiroz
MALDITO FRIO
1.
ANTI-HAICAI
Café frio, vento sorrateiro,
rio sombrio
e o fantasma sonolento dum pastor de cabras
coçando o cu
no oco no toco de uma paisagem de inverno.
2.
LIQUIDAÇÃO de inverno
artigos PARA VENDA
um terremoto............................. no Japão
uma motocicleta......................... velha
a inutilidade............................... de um cupido de gesso
cascas de canela........................ sem olor
uma lagarta................................ num jardim de inverno
o próprio jardim........................ de inverno
uma balança.............................. claudicante
e esse buquê roxo..................... de tanta inexistência
um cacho de bananas................. maranhão
3.
BALADA dos mendigos
da cidade DE CAMPINAS
[ .. 2pt.] é que
, féladapu[ .............. 14pt.]ta!
MALDITO FRIO
1.
ANTI-HAICAI
Café frio, vento sorrateiro,
rio sombrio
e o fantasma sonolento dum pastor de cabras
coçando o cu
no oco no toco de uma paisagem de inverno.
2.
LIQUIDAÇÃO de inverno
artigos PARA VENDA
um terremoto............................. no Japão
uma motocicleta......................... velha
a inutilidade............................... de um cupido de gesso
cascas de canela........................ sem olor
uma lagarta................................ num jardim de inverno
o próprio jardim........................ de inverno
uma balança.............................. claudicante
e esse buquê roxo..................... de tanta inexistência
um cacho de bananas................. maranhão
3.
BALADA dos mendigos
da cidade DE CAMPINAS
[ .. 2pt.] é que
, féladapu[ .............. 14pt.]ta!
20 agosto 2013
REITERANDO EM FACE DA ANTOLOGIA "CONEXÕES" - POESIA PÓS HUMANÍSTICA, NO PRELO
"Todos os Portais - Experiência Expandida". Nelson de Oliveira,organizador, e Bráulio
Tavares, palestrante, em pé à direita, atrás de Mustafá A. Kanso (PR)
Foto por - Ju Ramasini
A Fila
Por Marco Antônio de Araújo Bueno
Tavares, palestrante, em pé à direita, atrás de Mustafá A. Kanso (PR)
Foto por - Ju Ramasini
A Fila
Por Marco Antônio de Araújo Bueno
Não lhe causou estranhamento algum quando, já na entrada daquele pátio, topou de cara com a tabuleta bem postada, solene, onde se lia: “A FILA”. Em caixa alta, sem serifas, preto sobre o branco e bem à altura da vista. A lucidez com que se impunha excluía e conclamava a presença de uma crase, isso sim, seria de se estranhar? Ao contrário, era quase uma condição, uma essência mesmo da placa, essa simultaneidade. A caminho, no entanto, lembrou-se ter lido “FUNERÁRIA” onde seria mais crível que, pelo recorte urbano do local, pela vizinhança típica, lá estivesse escrito “FUNILARIA”. Mas este petisco caprichoso, já o reservara ao analista, até por uma questão de comodidade, ou de resistência. Não era o caso desta placa. O máximo que ela permitia era conjecturar se teria faltado um ponto de exclamação ou, algo mais sutil – se, por decoro de se evitar um imperativo grosseiro, autoritário, suprimiram elegantemente um “RESPEITE A FILA!”. E era essa condição que impunha respeito.
Tudo isso lhe infundia uma espécie de esperança vaga, de crença em valores substantivos, de confiança pela confiança; acelerou a marcha e perfilou-se aos demais. Não eram muitos, os demais. Silhuetas discretas, deslocamento proporcional aos espaços sucessivamente desocupados pelo atendimento. Pessoas, como ele, ali, na fila. Dispunha de um dispositivo contra o enfado, conversa mole, mas, sobretudo, contra a timidez incorrigível. Era um livrinho em formato seis por cinco que cabia em qualquer canto de bolso, paginação confortável e à prova de olhares bisbilhoteiros. “Padre Antônio Vieira”, uma antologia...viria a calhar; apalpou e, pela espessura percebeu o engano; era um Hamlet cuja impressão, de tão nítida, dava para ler até nos vagões do metrô e, até por isso, ele o reservara para o crepúsculo.
Decepcionado, enfiou as mãos pelo bolso e resignou-se a sua corporeidade perfilada aos demais. Foi então que se instalou um certo caos no recato daquela espera ordenada. Um homem deixou a fila e, ajeitando pasta e capacete pelos braços aproximou-se, agachou-se e ergueu do chão um retângulo de plástico cinza.- “Esta senha é sua, não?” Sim, era dele, escapou do bolso onde guardava o William Shakespeare das horas crepusculares. – “Melhor ficar esperto pra quando a fila bifurcar”, asseverou, num tom de voz sinistro, em baixo profundo e olhando furtivamente para os lados e para cima, em direção ao começo da fila. – “Obrigado, mas que bifurcação é essa?” Olhou para o edifício à frente, era térreo, não havia razão para olhar para cima.
O caos instalou-se por uma razão singela e contra cuja obviedade, a menor inobservância parecia implicar em afronta grave. Tinha alguma relação com as senhas e aceitar que a cor da senha determinasse a bifurcação parecia tão consensual aos demais, que apenas uma leve indagação sobre sua razão de ser, soava como um libelo. E tornava o perfilado um contraventor.
- “A minha, senhor, eu sei que é branca. Quando bifurcar lá na frente eu sei pra onde devo me dirigir. E a sua que eu vi que é cinza vai tomar outro destino. Fica mais atento que ninguém aqui é ingênuo nem palhaço!”.
- “Bom, já que” branco “não é cor, deve ter senha preta também...”.
- “Tem sim senhor, mas ninguém viu cair de bolso nenhum!”.
- “Deve ser porque não tem destino nenhum!”
{in Portal Neuromancer, 2008; LGE Editora-esgotado}
19 agosto 2013
Pequeno Conselho
Por Rafael Nascimento
Não toma o amor por
coisa:
tesouro segredado
na primeira infância
ponte a ligar duas
criaturas prontas
lugarejo onde pecas
sã.
Não toma o amor por
tempo:
o que foi ontem
calou de vez
o que será um dia
não possui voz
e o que é não sabe
sê-lo.
“Amor sublime selo”
que aos poucos se
sedimenta em nós
e nos tira o sono
de prazer e dúvida.
Peste sem raiz!
Gozo sem pele.
Não toma o amor
como medida:
muito pouco
pequeno grande
findo infindo
a tudo lhe escapa o
quantitativo
volta cega ao teu
início.
Não toma o amor por
esperança:
se fosse fácil não
escreverias
se fosse impossível
não terias filhos
e se fosse eterno
não amarias.
17 agosto 2013
BLUEKOWSKI
by: Paola Benevides
There's a bluebird in a bottle that
Wants to get out
His beak put a message in stout:
- Anybody seen the rue?
Named Bukowski, he flew
High as a kite...
16 agosto 2013
DIREITO
Direito
Por Wlaumir Souza
Telhados
Pedras
Todos têm
Não atirando a primeira
Os envidraçados não intervêm
Joguemos todas a pedras
Façamos a carnificina da moral
Depois
Desarmados
Unidos pela dor
Repletos dos erros
Sentemo-nos
Dialoguemos
Sem a marca
Caim
Sem a chancela
Hipocrisia
As demandas
Os acordos
Os juízes
As sentenças
Calados pela paz
Ensimesmados do humano
Dilacerados por Maniqueus
Reerguidos da dicotomia
Vale a vida
Para além
Vale a devassidão
Esgarçada pela morte
Requerida pela vida
Por Wlaumir Souza
Telhados
Pedras
Todos têm
Não atirando a primeira
Os envidraçados não intervêm
Joguemos todas a pedras
Façamos a carnificina da moral
Depois
Desarmados
Unidos pela dor
Repletos dos erros
Sentemo-nos
Dialoguemos
Sem a marca
Caim
Sem a chancela
Hipocrisia
As demandas
Os acordos
Os juízes
As sentenças
Calados pela paz
Ensimesmados do humano
Dilacerados por Maniqueus
Reerguidos da dicotomia
Vale a vida
Para além
Vale a devassidão
Esgarçada pela morte
Requerida pela vida
15 agosto 2013
BACANTES, BACO E AS BACANAIS
por Marcelo Finholdt
Era o Éter da vela estendida entre os céus
Que explicava o porquê desta bela folia:
Entre as velas de cor, entre os vinhos gemia
E sentia prazer sem sequer ver-se em véus!
Ela estava sedenta e pedia mais mel,
Hora não existia: era noite e era dia
Era dia e era noite ela sempre insistia
E deus Baco espiou, entregou o anel.
Era a Ninfa fogosa e evitava falar
Dos aromas sutis, da paleta de cores.
Era azul, era verde e era o céu todo o mar.
Essas flores, sabor; esse odor com olores
Excitava e instigava o total paladar
E esses polens no mel fecundavam mais flores.
14 agosto 2013
HAICAI GUILHERMINO
HAICAI GUILHERMINO
Por Alvaro Posselt
O céu se estremece
Por entre nuvens de incenso
lá vai uma prece
Por Alvaro Posselt
O céu se estremece
Por entre nuvens de incenso
lá vai uma prece
11 agosto 2013
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